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Casino Lisboa enfrenta “fantasma” do fim da concessão

Stanley Ho, acionista maioritário do grupo Estoril Sol, marcou há 13 anos presença na inauguração do Casino Lisboa. Fotografia: Rodrigo Cabrita/Global Imagens
Stanley Ho, acionista maioritário do grupo Estoril Sol, marcou há 13 anos presença na inauguração do Casino Lisboa. Fotografia: Rodrigo Cabrita/Global Imagens

O contrato de exploração das salas de jogo de Lisboa e Estoril termina no final de 2020. Até ao momento, são desconhecidos os moldes do novo concurso

O grupo Estoril Sol, que explora os casinos do Estoril, de Lisboa e da Póvoa de Varzim, está “apreensivo” com a aproximação do término da concessão da zona de jogo do Estoril, numa altura em que a sala da capital – a maior da Europa – se prepara para comemorar 13 anos. O contrato de exploração termina a 31 de dezembro de 2020 e ainda estão no segredo dos deuses os moldes em que será lançado o novo concurso de âmbito europeu. Este “fantasma” tem condicionado os investimentos e obrigado a uma gestão “mais cautelosa” e “eficiente”, diz Vieira Coelho, administrador do grupo detido maioritariamente por Stanley Ho.

“Ainda não conhecemos as regras do jogo, talvez só no final do ano é que estarão disponíveis e teremos menos de 12 meses para preparar o dossiê”, afirma. Na sua opinião, a Estoril Sol tem todas as condições para ganhar a concessão. O grupo “tem um histórico de 60 anos no país, é idóneo, sempre fez muito mais do que era exigido, criou unidades de prestígio e qualidade, mas pode sempre aparecer alguém que esteja disposto a pôr mais dinheiro, no intuito do puro negócio”.

Certo é que o impasse reflete-se na gestão. “Andamos cautelosos, não podemos fazer investimentos que não possam ser recuperados no próximo ano e meio”, frisa e exemplifica: “Estamos mais eficientes na operação, mantemos o foco na imagem, mas não estamos a remodelar o parque de máquinas como era habitual.”

Lenta recuperação
O jogo de fortuna e azar já teve melhores dias e neste ano também ainda não deu ares da sua graça. Segundo Vieira Coelho, o casino do Estoril estava a registar a meio da semana uma quebra de 10,1% nas receitas e a sala de Lisboa apresentava-se negativa (menos 1%) face ao mesmo período de 2018. Para o gestor, há duas questões que podem estar a impactar negativamente a performance: a obrigatoriedade de identificar as pessoas que querem aceder à área de jogo, norma obrigatória na Europa e que se deve à lei de combate ao branqueamento de capitais; e um ligeiro arrefecimento da economia.

Certo é que o negócio dos casinos já não é o que era. Em 2008, quando o país estava às portas da grave crise económica, a atividade gerou receitas globais brutas com a exploração do jogo superiores a 380 milhões de euros, recorda Vieira Coelho. No ano passado, o volume atingiu os 318,8 milhões. Neste período, caíram mais de 16%. “Em 2013, bateu no fundo e tem vindo a recuperar devagar.”

Para o responsável, a quebra está indexada ao surgimento da raspadinha, concorrência que apelida de “brutal e que compete diretamente com as slot machines, que representam 80% das receitas dos casinos”. O jogo online também fez as suas mossas, mas residuais, porque surgiu “um novo conjunto de clientes mais jovens, os millennials”. Aliás, defende, é necessário permitir a exploração de novos jogos, quer no online quer nos casinos físicos. Na sua opinião, o setor terá de disponibilizar equipamentos em que o jogador sinta que a perícia tem um papel na sorte. “Já existem novos segmentos de máquinas que aliam um algoritmo de perícia ao resultado”, diz.

Líder de mercado
O grupo Estoril Sol é o incontestado líder de mercado do setor dos casinos. As três salas que explora, que correspondem às concessões do Estoril e da Póvoa de Varzim, respondem por uma quota de mercado de 63%, com o Casino Lisboa a destacar-se claramente com 27% (números de fevereiro). No ano passado, o grupo registou receitas brutas superiores a 196,6 milhões de euros, um aumento de 2,3% face a 2017. Nesse exercício, o Casino Lisboa contribuiu com 86,7 milhões (mais 3,5%), o Estoril com 64 milhões (0,5% de aumento) e o da Póvoa com 45,9% (3% de incremento).

Vieira Coelho afirma-se “muito satisfeito com a performance de Lisboa”, que não tem os mesmos encargos do Estoril, e recorda que “é um espaço de animação onde o jogo aparece como mais um elemento de lazer”. Nestes 13 anos, recebeu mais de 147 espetáculos e 22 milhões de visitantes. Implicou até à data um investimento global de 120 milhões.

CURIOSIDADES

Receitas brutas
A sala de jogo de Lisboa, explorada pelo grupo Estoril Sol, gerou receitas brutas de 1097 milhões de euros desde a sua abertura. A larga maioria foi obtida através das slot machines (82%).

Impostos
Nestes 13 anos, o Casino Lisboa pagou ao Estado 582,1 milhões de euros. Em contrapartidas anuais (50% da receita bruta), o valor atingiu os 548,7 milhões. Em contrapartidas iniciais, fruto da concessão, liquidou 33,4 milhões.

Prémios
O valor dos prémios desde a abertura das portas, a 19 de abril de 2006, foi de 5330 milhões de euros. O Casino Lisboa, que tem 1100 slots e 28 mesas de jogo bancado, recebe diariamente cinco mil pessoas.

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