Tecnologia

Centro de Nanotecnologia financiado em 3,2 milhões para criar têxteis inovadores

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Estes têxteis podem tornar-se frescos com o calor ou quentes no frio, e libertar substâncias ativas diretamente para a pele de forma controlada.

O Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (CeNTI) lidera um consórcio que vai receber 3,2 milhões de euros para “desenvolver têxteis e cosméticos funcionais” capazes de criar conforto térmico ou libertar substâncias ativas, anunciou esta terça-feira aquela entidade.

Em comunicado enviado à Lusa, o CeNTI explica que aquele consórcio, que junta oito parceiros de cinco países europeus com financiamento da União Europeia, vai desenvolver uma “nova tecnologia” através da “incorporação de nanocápsulas de base natural” em têxteis e cosméticos.

“Um dos principais objetivos é produzir os chamados têxteis de primeira camada – que estão em contacto com a pele – com propriedades funcionais, ou seja, que possam atuar consoante as necessidades de quem o utiliza. No caso do SKHINCAPS [SKin Healthcare by Innovative NanoCAPsuleS], os têxteis poderão ter dois tipos de funções: controlar o conforto térmico, tornando-se frescos com o calor ou quentes no frio, e libertar substâncias ativas diretamente para a pele humana de forma controlada”, lê-se.

O CeNTi explana que “para melhorar o desempenho dos têxteis a nível térmico, a ideia é incorporar os chamados materiais de mudança de fase (que absorvem energia durante o processo de aquecimento e a emitem durante o processo de arrefecimento), de forma a melhorar a gestão térmica do corpo humano e a trazer conforto para o utilizador”.

Por outro lado, explica o CeNTI, “os têxteis poderão incorporar nanocápsulas de libertação controlada de vitaminas e antioxidantes para reduzir os efeitos do envelhecimento da pele ou de óleos essenciais para prevenir e/ou atenuar infeções bacterianas da pele”.

Para o consórcio, “a grande novidade” destas soluções está “no facto de se trabalhar ao nível nano, produzindo cápsulas menores (atualmente são na ordem micro) que passam mais facilmente pela pele, uma barreira natural do corpo humano, e, por isso, são mais eficazes”.

O texto salienta que “até ao momento, já foi possível perceber que os produtos que estão a ser desenvolvidos no âmbito deste projeto apresentam uma elevada eficácia ao nível do custo-benefício e apresentam também uma forte capacidade de produção industrial, para além do facto de serem de base natural”.

O CeNTI coordena este projeto no qual participam mais três institutos de investigação – o Institut fuer Verbundwerkstoffe (Alemanha), a Universitat Politècnica de Catalunya (Espanha) e o Teknologian Tutkimuskeskus VTT OY (Finlândia) – e quatro empresas: a portuguesa Devan-Micropolis, a belga Pro-Active e as espanholas Bionanoplus e Telic (sendo esta última responsável, entre outros, pelo desenvolvimento de cosméticos para o Real Madrid e o Barcelona).

O CeNTI foi fundado em 2006 e está vocacionado para o desenvolvimento de novos produtos e soluções, tendo por base a nanotecnologia, além de materiais funcionais e inteligentes, resultando de uma parceira entre três universidades – Aveiro, Minho e Porto – e três entidades tecnológicas, nomeadamente o CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, o CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro e o CEIIA – Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel.

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