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CEO da TAP diz que medidas para melhorar a pontualidade “estão a resultar”

Antonoaldo Neves, CEO da TAP Air Portugal. Foto: REUTERS/Regis Duvignau
Antonoaldo Neves, CEO da TAP Air Portugal. Foto: REUTERS/Regis Duvignau

Uma das grandes dores de cabeça para a TAP tem sido a pontualidade. Ao longo de 2018, foram implementadas medidas que "estão a dar resultado".

No final de janeiro do ano passado, os acionistas da TAP aprovaram o nome de Antonoaldo Neves para a presidência executiva da transportadora aérea. Os primeiros meses sob a liderança do gestor fica marcada por cancelamento de voos, mas também pela negociação sindical que trouxe paz social à companhia. Em 2018, a TAP contratou mais de 1000 pessoas. Este ano vai manter-se por este caminho.

Está ao leme da TAP há um ano. Que balanço faz?
Este foi o ano em que tomámos muitas decisões difíceis para garantir uma rota de crescimento para a TAP. Foi um ano de superação caracterizado por um contexto macroeconómico e sindical desafiante. Para fazer face aos desafios, investimos numa série de iniciativas para melhorar a satisfação interna dos trabalhadores, a lucratividade, a operação e a satisfação do cliente em 2019, criando as bases para o crescimento da TAP que será acentuado com a chegada das novas aeronaves, principalmente, no decorrer deste ano.

O movimento sindical associado à falta de contratação de pilotos em 2017 levou a que o início do ano passado ficasse marcado pelo cancelamento de mais de 1000 voos. Conseguimos alcançar acordos de longo prazo com todos os sindicatos e assim garantir uma paz social até 2022, importantíssima para que todos os projetos da companhia se realizem. Ao mesmo tempo, montámos uma máquina para contratar e treinar pilotos. Desde então, contratámos cerca de mil tripulantes.

Tivemos também o desafio da pontualidade. No início do ano passado, o desempenho da TAP foi marcado por atrasos e cancelamentos inaceitavelmente elevados. Situação pela qual já pedi desculpa e peço novamente. Desde então, a TAP implementou medidas decisivas em todas as áreas para melhorar a pontualidade e vimos já o resultado dessa estratégia nos últimos meses do ano. De junho a dezembro de 2018, a pontualidade melhorou em 22 pontos percentuais. E nos dois últimos meses do ano, não tivemos cancelamentos de voos por falta de tripulação.

Aliás, as medidas que tomámos estão a resultar. O mês de janeiro foi um mês em que estivemos no topo da pontualidade que é possível alcançar no aeroporto de Lisboa, sendo que a TAP tem muito mais voos que todas as companhias que voam para Lisboa. 81% dos voos da TAP saíram no horário. Atingimos cinco dias acima dos 90% e duas semanas acima dos 80%. A ponte aérea teve 86% de pontualidade.

O ano passado também foi difícil devido ao aumento do preço do petróleo que se fez sentir e impactou em mais de 160 milhões o resultado financeiro de 2018, comparando com 2017. Não tínhamos proteção (hedge) para esta situação e agora, para 2019, temos. Vamos poder ter mais previsibilidade dos nossos gastos em 2019.

A par do desafio do forte aumento do preço dos combustíveis, a volatilidade das moedas de Angola e do Brasil também foi outro dos grandes desafios. Apesar das perdas cambiais das moedas destes dois mercados, conseguimos repatriar mais de 100 milhões de euros em Angola, terminando assim 2018 com caixa maior que 2017.

Passámos também o último ano a trabalhar para solucionar um dos grandes desafios da TAP, a TAP ME Brasil. Investimos para resolver o problema do prejuízo da Manutenção no Brasil e este ano vamos já recolher frutos deste investimento.

A TAP levou a cabo nos últimos meses operações que lhe permitiram obter empréstimos acima dos 240 milhões de euros. Como está o nível de dívida da empresa?
A dívida da TAP está inserida no contexto da estrutura de capital. O nosso objetivo é fortalecer a estrutura de capital para poder continuar o financiar o crescimento da Companhia. Estamos num processo de ampliação da nossa base de financiadores e de prolongamento do prazo da dívida. O mercado de financiamento internacional tem dado sinais inequívocos que acredita na capacidade de entrega da TAP e está confiante no futuro da empresa.

Ainda não há data para o arranque das obras para a expansão do aeroporto Humberto Delgado. Quanto é que custa à TAP esta demora nas alterações no Humberto Delgado?
Cada minuto de atraso pode custar, em média, até 130 euros para a TAP. Contratámos um empresa internacional para fazer um estudo sobre a necessidade de investimentos na Portela e apresentámos já o resultado ao Governo, à ANAC, à NAV e à ANA. Acreditamos que há consenso entre as partes envolvidas: é urgente investir na Portela. É preciso aumentar as saídas rápidas, aumentar a taxiway, aumentar as posições de estacionamento, ampliar o terminal… A falta de saídas rápidas, por exemplo, penaliza a pontualidade da TAP todos os dias. Para se ter uma ideia, os nossos estudos mostram que a falta de saídas rápidas atrasa, hoje, cada voo até 0,8 minutos. Isto é muito tempo no mundo da aviação.

Terminaram 2018 com cerca de 16 milhões de passageiros transportados. Querem crescer 1,5 milhões de passageiros por ano nos próximos cinco anos. É sobretudo o mercado americano que vai suportar esta evolução? Há campanhas a serem lançadas para despertar o interesse?
Transportámos cerca de 16 milhões de passageiros em 2018, o que representa um total de receita (direta e indireta) para o país de quase oito mil milhões de euros por ano, segundo consultoria estratégica. É claro que podemos e queremos transportar ainda mais. A nossa meta é chegar aos 20 milhões de passageiros até 2020.

A nossa expectativa, e continuamos a trabalhar para isso, é que o mercado norte-americano continue a crescer e ganhar cada vez mais relevância para a TAP. Temos também investido fortemente neste mercado, na promoção de Portugal e da TAP. Temos desenvolvido diversas campanhas e ações promocionais da TAP e do destino Portugal no mercado norte-americano. A TAP tem também organizado diversas visitas de jornalistas norte-americanos, dos principais meios, a Portugal.

A comunicação com os mercados vai intensificar-se, não apenas nos Estados Unidos mas também na Europa. Convém, aliás, sublinhar que, em número absoluto de passageiros, o mercado Europa é o que mais tem crescido.

Vai haver uma intensificação do programa Stopover?
A TAP só sobrevive como companhia aérea portuguesa, se conseguir continuar a implementar uma estratégia de crescimento. As rotas dos Estados Unidos são fundamentais, são um mercado onde só entra quem conhece. A TAP, por via do seu acionista, passou a ter acesso a um mercado que não tem a volatilidade do Brasil.

A aposta da TAP no mercado norte-americano gerou a oportunidade para a criação do Portugal Stopover. Como tal, o programa continuará a ser um trunfo na conquista de mais visitantes da América do Norte, e dos restantes mercados em que operamos, para Portugal.

– Uma das grandes dores de cabeça para a TAP tem sido a pontualidade e as consequências que a falta dela têm provocado. Quanto é que a companhia pagou em 2018 em indemnizações por atrasos e que efeito teve nas contas?
Desde o início de 2018 – período mais crítico ao nível da pontualidade e cancelamentos – que a Companhia tem estado altamente focada em melhorar a confiabilidade nessa vertente, continuando a ser uma prioridade para 2019. A pontualidade é dos atributos mais valiosos para os nossos clientes e, consequentemente, para todos nós. Por isso, a nossa missão diária é atingir a pontualidade em todos os voos, sempre com a máxima segurança e com um serviço de excelência.
Estamos muito confiantes que os investimentos no Aeroporto Humberto Delgado vão ajudar a melhorar a pontualidade significativamente.

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