CEO: "TAP não pode continuar sem aplicar as reduções" na massa salarial

Ramiro Sequeira diz que o dar início ao regime sucedâneo, que poderá ser aplicado a tripulantes e pilotos, "não é uma ameaça; é uma alavanca".

O presidente executivo da TAP garante que a empresa não tem capacidade para aguentar sem aplicar as reduções previstas, tanto ao nível de fornecedores - que estão já em curso - como ao nível da massa salarial. Além disso, Ramiro Sequeira garante que o regime sucedâneo "não é uma ameaça".

A TAP alcançou acordos de emergência com 14 estruturas sindicais, que representam os trabalhadores da companhia, havendo duas que ainda precisam de ratificar estes acordos juntos dos seus associados. O sindicato que representa os pilotos e o que representa os tripulantes deverão levar o documento a votação ainda esta semana.

"Estou certo de que todos os sindicatos perceberam este exercício e daí esse grande exercício de responsabilidade que fizeram; entenderam e assinaram os respetivos acordos

.A grande maioria já se pronunciou, outros não tiveram e faltam dois pronunciar-se. É a democracia interna de cada sindicato e nós estamos a aguardar. A TAP aguarda. Mas a TAP não pode continuar sem aplicar as reduções que estão previstas, quer nos fornecedores - essas estão a ser aplicadas - quer na massa salarial. Não pode", disse Ramiro Sequeira, CEO da TAP, numa audiência parlamentar que está a decorrer nesta terça-feira, 23 de fevereiro.

"A TAP não pode estar a voar 7% e ter uma dimensão e custos e continuar assim em março, abril. Não vai acontecer. E daí a questão do regime sucedâneo, que não é uma ameaça. É um mecanismo para pudermos garantir em duas frentes - perante Bruxelas mas também perante a nossa realidade de sobrevivência - que conseguimos tomar as medidas necessárias para salvar a TAP. Isso é o regime sucedâneo. Não é uma ameaça, é uma alavanca que esperamos não ter de utilizar", acrescentou.

Ramiro Sequeira, numa outra intervenção, explicou que considera que o regime sucedâneo é uma alavanca "para garantirmos a sobrevivência da TAP. É uma alavanca para garantir que o plano apresentado em Bruxelas é sustentável e é uma alavanca para garantir sete mil postos de trabalho. Não devemos esquecer o exercício que está a ser feito: salvar postos de trabalho".

No fim de semana, e depois de adiamentos por parte do sindicato que representa os pilotos e os tripulantes, o governo emitiu um comunicado em que garantiu que as negociações estão fechadas e que iam ser iniciados os passos necessários para o regime sucedâneo.

"O Governo e a TAP quiseram construir esta solução com o envolvimento dos trabalhadores, aceitando as suas condições até ao limite do possível. Foi feita uma negociação difícil, mas séria, com todos os sindicatos. As negociações foram concluídas com sucesso e os acordos assinados com doze sindicatos, de um total de catorze. Estes acordos foram posteriormente aprovados formalmente pelo Conselho de Administração da TAP, por todos os Sindicatos de Terra e pelo SIPLA (sindicato que representa a maioria dos pilotos da Portugália), tendo estes sido já enviados para o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social para registo e publicação no Boletim do Trabalho e do Emprego, o que ocorrerá na próxima segunda feira, dia 22 de fevereiro no caso dos Sindicatos de Terra e a 28 de fevereiro, no caso do SIPLA", dizia o comunicado do ministério das Infraestruturas, que tem a tutela da TAP.

O gabinete de Pedro Nuno Santos acrescentava que faltava ainda a ratificação por parte das estruturas representativas dos tripulantes e pilotos e alertava que "o tempo está a esgotar-se".

"As negociações foram feitas de forma séria e que estão concluídas, pelo que não há novas negociações em curso, nem haverá depois. A TAP não pode esperar, nem o país dará mais oportunidades à TAP. Assim, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação informa que, no caso do SNPVAC e do SPAC, a TAP vai dar início, na próxima segunda-feira, dia 22 de fevereiro, ao processo de registo do Regime Sucedâneo, para que este possa ser publicado até ao dia 28 de fevereiro e entrar em vigor a partir de 1 de março, como medida preventiva caso venha a ser necessário, enquanto aguardamos pela deliberação das Assembleias Gerais dos dois únicos sindicatos que ainda não ratificaram o Acordo de Emergência".

Caso, para estas duas classes profissionais venha a ser aplicado o regime sucedâneo, os cortes salariais são de 25% da massa salarial acima dos 900 euros e serão despedidos cerca de 750 tripulantes e 500 pilotos.

"Utilizei a palavra alavanca e, quanto a mim, é bem utilizada porque o que é uma alavanca e tudo depende do ponto de vista em que analisamos as questões mas é uma alavanca para garantirmos a sobrevivência da TAP. É uma alavanca para garantir que o plano apresentado em Bruxelas é sustentável e é uma alavanca para garantir sete mil postos de trabalho. Não devemos esquecer o exercício que está a ser feito: salvar postos de trabalho".

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