Indústria

Cervejeiros querem pacto com o governo para congelar imposto 5 anos

cervejas

As vendas da indústria subiram 7,3% no ano passado, tendo as exportações crescido 12,6%, com a ajuda da China

A indústria cervejeira quer um pacto com o Governo para o congelamento durante 5 anos do Imposto Especial de Consumo (IEC) sobre a cerveja. E compromete-se com o Pacto pela Cerveja a investir no setor produtivo nacional, com repercussões na criação de emprego e em toda a cadeia de valor. Em cinco anos, acreditam, a indústria poderá aumentar 20%, para 1,2 mil milhões de euros, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) na economia nacional, onde já é o 15.º, responsável por 80 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

“O nosso plano é pedir um tratamento fiscal justo e algo que já foi implementado em outros países, como foi o caso de Espanha, com o congelamento do IEC nesse mercado desde 2005”, justifica François-Xavier Mahot, presidente da Cervejeiros de Portugal.

 

François-Xavier Mahot, presidente da Cervejeiros de Portugal Foto: Leonardo Negrão/GI

François-Xavier Mahot, presidente da Cervejeiros de Portugal
Foto: Leonardo Negrão/GI

Situação fiscal que acreditam ajudou o setor em Espanha a recuperar aos níveis pré-crise… há dois anos. “É importante ver as consequências que isso trouxe ao mercado cervejeiro espanhol e à economia. Estamos muito satisfeitos com o nosso crescimento de 7% no mercado doméstico, mas estamos apenas a recuperar”, ressalva François-Xavier Mahot.

Os dados compilados pela Cervejeiros de Portugal relativos a 2017 são ainda preliminares, mas as vendas globais em Portugal deverão ter aumentado 7,3%, para 5,247 milhões de hectolitros. Mas, “ainda estamos 15% abaixo dos níveis pré-crise”. “O único mercado europeu que tem uma pior situação é o grego”, constata.

A crise, a quebra de confiança dos portugueses, a maior pressão fiscal – com anos consecutivos de aumento de impostos, o último dos quais de 1,4% no OE 2018 – levou a uma retração de 25% no consumo, que tem vindo a recuperar com o contributo das exportações. O ano passado as vendas ao estrangeiro cresceram 12,6%, com 1,9 milhões de hectolitros de cerveja made in Portugal a seguir para o mercado internacional. Principal destino? China, que já absorve cerca de metade das exportações.

“Temos um plano para o futuro assente no papel que temos na economia”, afirma François-Xavier Mahot. Um Pacto pela Cerveja que deve ser discutido e negociado com o Governo, mas também com todos os atores da cadeia de valor. O Pacto, garante, “tem compromissos claros no aumento do nosso investimento, tanto para objetivos domésticos como para exportação, incluindo investimento na cadeia de valor.” Por exemplo, a indústria, que compra 30% da cevada que necessita em Portugal, “está disposto em investir e ajudar os agricultores a produzir mais cevada”. “É um dos compromissos, comprar local, se tiver a qualidade e quantidade certa para a nossa produção”, refere. “Há vários compromissos que podem ser implementados. Há exemplos de outros países em que as associações de cervejeiros assumem compromissos em termos de quantidades futuras a comprar, sementes… É por isso que esta é uma discussão tripartida”, reforça.

Cervejeiros DV

François-Xavier Mahot lembra ainda o papel do setor na dinamização da economia, com o surgimento de pequenas micro-cervejarias por todo o país – “já são 120 produtores, há 5 anos eram menos de 10” – e no emprego. “Este ano já foram anunciados dois grandes investimentos de dois grandes operadores, as exportações para a China estão a ter contributos diretos no investimento, na criação de emprego”, diz o presidente da Cervejeiros de Portugal. Em novembro, o Super Bock Group, por exemplo, anunciou 30 milhões de investimento, dos quais 10 milhões serão aplicados na instalação de uma nova linha de enchimento de cerveja; e ontem, o Grupo Damm anunciou um investimento de 40 milhões de euros para os próximos três anos na fábrica Font Salem, em Santarém.

Para fechar esse Pacto, estão dispostos a oferecer “mais investimento, mais emprego. “À medida que o setor está a crescer iremos gerar esses investimentos e esses postos de trabalho”, diz. Que volume de investimento, que número de postos de trabalho, não revela. “Os números têm de ser firmemente acordados dentro da associação e depois negociados com o Governo”. Para quando os números fechados para o início das negociações?“É algo que estaremos em condições de avançar no primeiro semestre.”

Rebranding APCV agora é Cervejeiros de Portugal
A indústria cervejeira tem uma história para contar e para isso vai mudar de nome. Adeus, Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja (APCV), Cheers! Cervejeiros de Portugal. “Há uma razão para a mudança. Temos uma história para contar: uma história para o público, para as autoridades, para os consumidore, parceiros e quando se tem um acrónimo como APCV é um pouco obscuro. Quando se muda para Cervejeiros de Portugal coloca-se numa situação em que o nome é recordado pelas pessoas. Há uma mensagem que se cola a um nome”, justifica o presidente François-Xavier Mahot. E quais as mensagens? “Clarificar qual o nosso papel na economia, nas exportações, na dimensão cultural de Portugal. Em cada um destes aspectos há uma história rica para contar”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Nazaré da Costa Cabral. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Linhas de crédito anti-covid ainda podem vir a pesar muito nas contas públicas

Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens

Apoio a rendas rejeitado devido a “falha” eletrónica

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Só 789 empresas mantiveram lay-off simplificado em agosto

Cervejeiros querem pacto com o governo para congelar imposto 5 anos