Telecomunicações

China Mobile interessada na brasileira Oi

Fotografia: Nacho Doce/Reuters
Fotografia: Nacho Doce/Reuters

A operadora chinesa tem mantido encontros com a Anatel, regulador brasileiro das telecomunicações.

A China Mobile estará interessada na compra da unidade móvel da Oi, operadora brasileira que tem a Pharol como maior acionista, noticia a brasileira Exame. Até ao momento, não foi possível um comentário da Oi, nem da Pharol.

A operadora chinesa abriu em setembro escritório em São Paulo e, nas reuniões que tem mantido com a Anatel, o regulador das telecomunicações, tem mostrado interesse na operadora brasileira, em processo de recuperação judicial.

Juarez Quadros, presidente da Anatel, reuniu no passado dia 11 em Brasília com a operadora chinesa e com o Banco de Desenvolvimento da China, para discutir investimentos no país, mas também uma possível entrada na Oi. De acordo com a Exame, a China Mobile quer fechar com a Anatel a possibilidade de limpar a Oi das dívidas junto do regulador e de ficar apenas com a área móvel da operadora.

No plano de recuperação judicial a Oi reconhece dívidas de 11 mil milhões de reais à Anatel, mas há um diferendo com o regulador sobre esta matéria.

A China Mobile não será o único interessado na operadora brasileira, segundo adiantou Marco Schroeder, CEO da Oi, ao Correio Braziliense. Os fundos Cerberus e Elliot também já demonstraram interesse. “Temos a possibilidade de uma solução de mercado para a Oi e continuamos em conversas com grandes operadores com recurso para investir na companhia”, disse. “Outros investidores num passado recente, como o fundo Elliot e o Cerberus, também demonstraram interesse e já fizeram inclusive due dilligence (processo de investigação de uma oportunidade de negócio que o investidor deverá aceitar para poder avaliar os riscos da transação) para avaliar a situação da companhia. Isso mostra como a Oi tem um grande potencial de geração de riqueza uma vez que esteja com seu balanço equacionado”, disse o gestor.

A Oi ainda está a negociar com os credores um plano de recuperação judicial, o objetivo é fechar um documento consensual para a assembleia geral de credores de 9 de outubro.

“Houve avanços importantes nas negociações até agora, mas entendemos que ainda há ajustes que precisam ser feitos para que se consiga uma solução que garanta a sustentabilidade da companhia e atenda a todas as partes envolvidas. O plano que temos até agora para apresentar na assembleia geral de credores é o que foi possível no entendimento dos acionistas e grande parte dos credores”, disse Marco Schroeder.

Obrigacionistas querem plano de recuperação para cada uma das empresas do grupo Oi

O gestor também referiu movimentações de credores obrigacionistas que, a avançar na justiça, podem ‘quebrar a Oi’. Alguns obrigacionistas querem que a Oi apresente um plano de recuperação judicial para cada uma das sete empresas do grupo listadas no plano de recuperação judicial e já avançaram na Justiça.

“Isso não faz o menor sentido, já que todas as empresas do grupo Oi operam de forma integrada, a Justiça já reconheceu essa situação em decisões anteriores, e levar essa medida adiante significaria inclusive a possibilidade de a Oi quebrar”, considerou Marco Schroeder

“Não interessa, neste momento com a economia desacelerada, a ninguém acabar com uma companhia que gera 130 mil postos de trabalhos no país, arrecada bilhões em impostos e leva serviços de telecom a vários municípios onde nenhuma outra empresa quer operar”, disse. “E acredito que acabar com a Oi não interessa nem aos próprios obrigacionistas, que ficariam sem receber seus créditos. Por isso, estou confiante de que prevalecerá o entendimento jurídico aplicado até agora, de que o plano tem de ser único, englobando todas as empresas do grupo”, argumentou o CEO da Oi ao Correio Braziliense.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Nazaré da Costa Cabral. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Linhas de crédito anti-covid ainda podem vir a pesar muito nas contas públicas

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. FILIPE FARINHA/LUSA

Marcelo promulga descida do IVA da luz consoante consumos

Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens

Apoio a rendas rejeitado devido a “falha” eletrónica

China Mobile interessada na brasileira Oi