Investimento

China State Construction quer mais negócios além da Lusoponte

Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Grupo chinês diz que espera em breve ter luz verde para fechar negócio com a Teixeira Duarte. O primeiro de muitos, avisa o diretor, Harry Zhang.

O grupo China State Construction diz que espera fechar em breve a compra da participação da Teixeira Duarte no consórcio Lusoponte. A oferta, que marca a entrada da construtora em Portugal, depende de autorização do governo e pode ainda ser travada pelo exercício de direito de preferência dos restantes acionistas da concessionária das pontes Vasco da Gama e 25 de Abril.

A construtora chinesa, que estabeleceu escritório em Portugal no início deste ano através de uma sucursal de Macau, assinou ontem, quinta-feira, um contrato-promessa para a aquisição dos 7,5% detidos pela Teixeira Duarte. O negócio representará 23,3 milhões de euros, segundo a informação dada ontem aos mercados pela empresa portuguesa que pretende alienar ativos num valor de até 500 milhões de euros num programa de redução de dívida acordado com três bancos portugueses.

“Estamos à procura de mais projetos governamentais e de parcerias público-privadas”, disse ao Dinheiro Vivo Harry Zhang, diretor executivo responsável pelos negócios do grupo em Hong Kong e Macau. “Temos interesse em todo o tipo de investimento, desde que haja segurança”.

O acordo para a venda da participação na Lusoponte foi assinado ontem durante um encontro de empresários chineses e de países de língua portuguesa que trouxe a Lisboa uma representação de mais de 70 empresas da China e de Macau. Terminou com 24 documentos assinados, nos quais se contarão dois contratos. Um deles o celebrado entre Teixeira Duarte e China State Construction, através de uma entidade designada como Companhia de Investimento China-Portugal Global. O outro, apurou o Dinheiro Vivo, envolverá o investimento de um outro grupo chinês em hotéis portugueses.

A China State Construction Engineering é um grupo estatal chinês com forte atividade internacional e é considerada a maior companhia de construção do mundo em termos de receitas. Está listada na bolsa de Xangai e conta com subsidiárias em Hong Kong e Macau, também em bolsa, que no ano passado obtiveram receitas num valor equivalente a 5,58 mil milhões de euros. Na sua maior parte, em contratos públicos e parcerias público-privadas no interior da China.

Em Macau, mercado onde entrou em 1996, a China State Construction foi responsável por obras como o edifício que acolhe a representação do governo central chinês na região e a Torre de Macau, da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau fundada pelo empresário de jogo Stanley Ho. É da estrutura de Macau que parte também Harry Zhang e o novo escritório português da construtora, localizado na zona das Amoreiras, em Lisboa.

Zhang, que esta sexta-feira visitou também a zona logística e porto de Sines, afirma que o investimento em Portugal é orientado pelas políticas económicas promovidas pelo governo chinês: “A direção política do governo central é para o desenvolvimento da iniciativa Faixa e Rota. Somos uma empresa de Macau, mas também uma companhia estatal da China. Seguimos estas direções para a internacionalização, para investir fora do país”.

Sobre a compra da participação da Teixeira Duarte, Zhang explica que “a contraparte já pediu autorização do governo e vai tê-la muito em breve”. Mota-Engil, com 38% da Lusoponte, Vinci, com 37%, e Atlantia, com 17,2%, poderão exercer direito de preferência na venda.

A construtora portuguesa conta também um participação nos negócios de Macau, onde entrou na década de 1980. A Teixeira Duarte é acionista da Companhia de Parques de Macau, empresa que gere silos automóveis e é detida por uma das principais famílias de negócio da região, a família Ma.

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