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China vale já 40% das exportações da Super Bock

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na cerimónia comemorativa dos 90 anos da Super Bock. Fotografia: José Coelho / LUSA
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na cerimónia comemorativa dos 90 anos da Super Bock. Fotografia: José Coelho / LUSA

Super Bock Group vai investir 30 milhões em 2018

As exportações do Super Bock Group, a nova designação da Unicer, estão a crescer 25% e deverão corresponder, no final do ano, a cerca de um terço da produção total da Super Bock (309 milhões de litros em 2016). Só a China vale já 40% das exportações, reforçando a sua posição como principal mercado externo da Suber Bock, que se assume já como “a cerveja portuguesa mais vendida no mundo”.

Presente em mais de 50 países, da Europa à Ásia, passando por África e América, a Super Bock tem vindo a apostar na China há já nove anos, mas, só nos últimos três, este mercado “tem vindo a ser desenvolvido de uma forma mais acelerada”. Mas as vendas da Super Bock para a China representam já cerca de 4% das exportações totais nacionais para este país, diz o CEO do grupo. Em 2016, Portugal exportou 676,2 milhões de euros para a China.

As vendas de Super Bock têm vindo a duplicar na China, ano após ano, com a marca a ter já presença em cinco mil pontos de venda de 50 cidades e a garante, já, emprego a duas mil pessoas. “Temos, naturalmente, uma ambição forte na China, mas o que isso poderá vira a representar, não sabemos. Num mercado tão grande, é uma caixinha de surpresas. As três regiões onde estamos a operar representam uma população de 200 milhões de habitantes. Isto é um mercado potencial enorme e que irá depender, muito, da nossa capacidade de investimento para lhe dar resposta”, sublinha Rui Lopes Ferreira, que falava à margem da apresentação da nova imagem corporativa do grupo, cerimónia presidida por Marcelo Rebelo de Sousa e que contou com a presença da secretário de Estado da Indústria, Ana Lehmann.

Rui Lopes Ferreira, anunciou, ainda, que, para “dar resposta” à dinâmica do mercado interno e externo, o Super Bock Group vai investir, no próximo ano, mais de 30 milhões de euros. Só 10 milhões, a maior fatia deste bolo, corresponde à nova linha de enchimento de cerveja em Leça do Balio, que estará operacional em abril de 2018 e aumentará a capacidade anual da empresa em 60 milhões de litros. Além do crescimento internacional da marca, as vendas da Super Bock em Portugal estão, também, em alta, fruto da “forte dinâmica turística”, do “excelente verão”, quente e longo, e dos índices de confiança do consumidor “que estão no máximo dos últimos anos”, refere o CEO do grupo, sublinhando que as estimativas apontam para um crescimento do mercado nacional de cerveja na ordem dos 7% a 8%. Em 2016, o crescimento foi de 3%, mas o ano de 2015 fora de estagnação.

Relativamente aos Estados Unidos, Rui Lopes Ferreira reconhece que a Super Bock está a fazer ensaios piloto no mercado. “A entrada em novos mercados país não é chegar, ver e vencer. Não é só carregar num botão, é preciso conhecer o mercado, conhecer as práticas locais que muitas vezes não são as regras legais, é preciso conhecer distribuidores, nem sempre se acerta à primeira. Nós estamos a fazer uma experiência nos EUA, mas é prematura dizer que estamos a fazer uma aposta forte. Estamos a ver. Estamos a aprender. Com humildade. Se os Estados Unidos, no futuro, se vêm a afirmar como um mercado forte ou não é algo que neste momento é impossível dizer, sendo certo que, se estamos a fazer experiências e se estamos a testar o mercado, é porque temos alguma esperança que venha a representar alguma coisa”, frisa.

Espanha sim, “representa uma aposta forte”, fundamentalmente na Galiza, pela proximidade e afinidade cultural. O país continuará, em 2018, a ser uma “aposta estratégica”, mas “sem loucuras”. “Não significa que queiramos, de repente, ser líderes em Espanha”, diz este responsável. A aposta não se restringe à cerveja, mas, também, às águas com gás. “Já há vários anos que vendemos Pedras para Espanha, não é um mercado novo, mas é um mercado em que sentimos que temos potencial para fazer mais”.

Os investimentos em 2018 contemplam, também, uma nova linha de engarrafamento em Pedras Salgadas. “A fábrica de Pedras Salgadas, que estava a laborar em dois turnos, passou, este ano, para três. E, para o ano, também estão previstos investimentos que vão aumentar a capacidade de engarrafamento de Pedras Salgadas”, explica o CEO do grupo, sublinhando que a categoria de águas com gás está, também, com “uma dinâmica interessante”, crescendo a dois dígitos. “E nós estamos a ganhar quota”, frisa.

Questionado sobre os resultados previstos para 2017, Rui Lopes Ferreira considerou ser, ainda, prematuro pronunciar-se sobre o desempenho do Super Bock Group no ano, embora, reconheça que, “garantidamente vamos atingir um EBITDA de 100 milhões de euros”. A indicação de que o volume de negócios se aproximará do melhor de sempre do grupo, atingido em 2010, não foi confirmado: “Os mercados de bebidas, em Portugal, têm estado a recuperar, mas ainda não atingiram os níveis pré-crise (2010). Ao contrário de Espanha onde, por exemplo, o consumo de cerveja, em 2016, já ultrapassou os níveis da pré-crise”, diz.

Sobre a mudança de imagem corporativa do grupo, Rui Lopes Ferreira lembrou que a Super Bock é, não só, a “cerveja portuguesa que mais vende no mundo”, mas, também, uma marca que acaba por se confundir com a empresa. Razão porque a administração e os seus acionistas decidiram, “numa fase em que estamos a acentuar a vertente estratégica da internacionalização, incorporar no nome da empresa a sua principal marca”. Qual o valor gasto nesta alteração? O CEO do Super Bock Group não indica. “Não fizemos loucuras nem vamos entrar em campanhas sem nexo. É um custo perfeitamente controlado, à imagem da Unicer”, garante.

A Unicer Bebidas passa a Super Bock Bebidas, SA e a única empresa que mantém a sua identidade corporativa no seio do grupo é a VMPS (Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas) – Águas e Turismo. “É uma marca centenária, não sentimos qualquer necessidade de a alterar”, diz Rui Lopes Ferreira.

Na cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa, recorreu à história para destacar o “êxito e a coragem” tanto da Unicer, como da Super Bock, ambas nascidas “contra o vento”, em anos de “grandes tensões políticas”e, em teoria, maus para lançar empresas ou marcas. E deixou um repto para as comemorações dos 180 anos da Super Bock, daqui por 90 anos: “É curto dizer que a Super Bock é a melhor cerveja de Portugal. Têm que querer ser a melhor cerveja do mundo”, sublinhou.

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