China Three Gorges

Chineses da EDP não abdicam de desblindar estatutos. OPA quase morta

António Mexia, presidente executivo da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes
António Mexia, presidente executivo da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

Assembleia geral votará decisão nesta quarta-feira. Se a desblindagem for chumbada, a oferta cai automaticamente.

Com assembleia geral marcada para esta quarta-feira, a OPA à EDP está por um fio. Sobretudo depois de a China Three Gorges (CTG) comunicar que não prescindirá da desblindagem de estatutos. Esta será votada precisamente nessa reunião – e é quase certo que chumbe, matando de vez a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelos acionistas chineses sobre a elétrica portuguesa há praticamente um ano.

Em comunicado enviado à CMVM, a elétrica estatal chinesa, que detém 23,27% do capital da EDP, avisa que “todas as condições a que o lançamento da oferta se encontra sujeito permanecem em vigor e, especificamente, no caso de o resultado da votação não permitir a eliminação do atual limite à contagem de votos, não renunciará a essa condição”.

Leia aqui o comunicado

O cada vez mais provável fracasso da OPA fora já antecipado pelo Dinheiro Vivo em fevereiro, quando se avançou até que a EDP já tem planos alternativos, que passam por uma maior aposta na área das renováveis.

Leia tudo sobre a estratégia da EDP aqui

Esta proposta, introduzida pelo Fundo Elliot como ponto 9 da reunião de acionistas, funcionará como uma espécie de validação à oferta dos chineses sobre o capital da EDP, na medida em que os acionistas americanos, que detém mais de 2% da elétrica portuguesa, fazem depender a OPA de opinião prévia dos restantes acionistas sobre a intenção de eliminar o limite de 25% dos direitos de voto (desblindagem), condição de sucesso da OPA. A inclusão desse ponto na agenda da assembleia geral do próximo dia 24 de abril visa “clarificar a situação atual da EDP face à oferta, ultrapassando assim o atual impasse e dando à EDP um caminho claro para o futuro”, afirmou o Fundo Elliott em comunicado, no qual se assume contra essa desblindagem de estatutos.

Na prática, essa desblindagem permitiria à CTG votar com a totalidade da fatia que detém na EDP caso reforçasse a sua presença na OPA – atualmente, esse voto está limitado a uma percentagem de 25%, independentemente do capital detido pelos acionistas.

“Passaram mais de dez meses desde a divulgação do anúncio preliminar e desde então não houve avanços na obtenção das autorizações necessárias pela China Three Gorges”, vincou o Fundo Elliot ao acrescentar este ponto à agenda, justificando que este “impasse” não é positivo para a EDP.

“A CTG respeitará as decisões adotadas pelas autoridades e pela AG, como temos feito consistentemente”, avança ainda a estatal chinesa no comunicado enviado esta tarde à CMVM, garantindo que se manterá “como investidora estratégica de longo prazo na EDP e continuará a contribuir como parceira estratégica para o desenvolvimento sustentável da sociedade, independentemente do resultado da oferta”.

Também a CTG, conforme noticiou o Dinheiro Vivo aqui, tem outros planos para substituir a OPA à EDP, incluindo a possibilidade de avançar com uma joint venture na América Latina que permitiria investir em alguns dos ativos da EDP no Brasil ou até mesmo criar uma nova empresa neste mercado, partindo de participações divididas entre chineses e portugueses, segundo avançou a Reuters aqui.

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