Turismo

Chineses estão loucos com a hotelaria e Portugal está na mira

chin

Entre os dez maiores hoteleiros do mundo, quatro já são chineses. Negócios com rentabilidade continuam a atrair estes investidores

Na lista dos dez maiores hoteleiros do mundo, quatro já são chineses. Os conglomerados têm vindo às compras à Europa e Estados Unidos e, só no ano passado, foram responsáveis por investimentos de 16 mil milhões de euros neste setor – o dobro do que tinham gasto um ano antes.

A compra de marcas emblemáticas como o Hilton ou o Waldorf Astoria deram visibilidade a estes negócios e o tsunami vai continuar. É que as rentabilidades chegam a ser de 15% e o interesse é muito elevado, especialmente “em negócios de valor superior a mil milhões de dólares”, estima a consultora imobiliária JLL.

Portugal está longe da linha da frente dos grandes investimentos chineses em hotelaria. Mas, sabe o Dinheiro Vivo, têm chegado ao mercado manifestações de interesse de investidores que pretendem comprar ou construir novos hotéis em Portugal. A Fosun é um dos grupos chineses que estará a olhar para este setor, depois de já estar instalada no País através da seguradora Fidelidade e, no setor turístico, pela mão do ClubMed, através do qual gere cerca de 60 resorts em vários países do mundo. Portugal também poderá ser candidato a receber esta rede de turismo de luxo.

“Portugal tem trunfos em quase todas as áreas e nesta em particular, como mostra a atual conjuntura e os dados mais recentes, não lhe faltam méritos”, justifica Sérgio Alves, diretor-geral da Câmara de Comércio Luso-Chinesa ao Dinheiro Vivo.

“O país tem condições extraordinárias e tem larguíssima margem para acolher investimento externo neste setor. Não apenas no tradicional Algarve e nas metrópoles de Lisboa e Porto, mas também a norte e no interior. Não apenas na hotelaria, mas também noutros serviços e indústrias satélite deste setor”, adiantou.

É, por exemplo, o que fez David Chow, da Macau Legend. No último verão, o grupo de casinos de Macau anunciou a construção de um resort, com hotéis e uma marina na região de Setúbal. Além disso, avançou com uma oferta para se tornar acionista da Amorim Turismo com carta direta para a gestão do casino de Troia.

Há outros focos de interesse em Portugal. Caso do programa Revive, que concessiona património histórico do Estado e que a secretaria de Estado do Turismo e Turismo de Portugal foram promover à China. Com apenas três concursos lançados terá de se aguardar um pouco mais para se perceber se irão a jogo. “Os investidores chineses têm interesse em todas as áreas de negócio, desde que haja um denominador comum: lucro”, conta ao Dinheiro Vivo, Sandra Fernandes, sócia da DCS e especialista em Vistos Gold.

“Em geral, não apenas no turismo, mesmo que falte aos agentes económicos e ao governo arte e engenho para pilotar os investidores para projetos específicos do seu interesse, as empresas chinesas irão chegar, tarde ou cedo, e investir aqui, como no resto do mundo”, diz por sua vez Sérgio Alves, da Câmara de Comércio.

Exemplos não faltam
O ranking da revista Hotels, mostra que há quatro cadeias chinesas entre as dez maiores do mundo; seis entre as 20 maiores; e 12 entre as 50. É a primeira vez que as empresas chinesas assumem este protagonismo na hotelaria em 45 anos de análise da revista.

Este interesse surgiu depois da classe média chinesa ter ultrapassado, em 2015, a norte-americana como a maior do mundo e de ter começado a viajar. No ano passado, cerca de 122 milhões de chineses viajaram para o estrangeiro, tendo registado gastos de 93 mil milhões de euros, mostra a Organização Mundial de Turismo. E o avanço promete crescer: é que apenas 6% dos chineses têm um passaporte.

Das viagens aos hotéis foi um pulinho para reverterem também para si um pouco do que os turistas do seu país deixam cá fora. E neste jogo da compra e da venda há duas empresas especialmente ativas: a BTG e a HNA, que também é acionista da TAP.

A BTG, num só ano, multiplicou por 20 o número de hotéis de que é dono (de 170 para 3420) e a HNA, que em 2015 detinha 90 unidades, no fecho do ano passado contava já com 1385. É 15 vezes mais, num grupo com dezenas de empresas e com capital da TAP, através da sua participação na companhia aérea Azul. O grande salto da HNA na hotelaria deu-se através da compra do Carlson Rezidor, que conta com 1400 hotéis. Isto fez o grupo chinês subir 36 posições na lista da Hotels, de 47º para 11º.

Mas há outras como a Anbang Insurance Group – que em Portugal chegou a estar interessada na compra do Novo Banco – e que, no ano passado, adquiriu a Strategic Hotels & Resorts por 4,7 mil milhões de euros. Com este negócio conquistou 7532 quartos em 16 propriedades. Entre elas, unidades do Ritz-Carlton, Four Seasons, Hyatt, InterContinental, Starwood e Marriott em pontos específicos dos Estados Unidos. Um ano antes, já tinham comprado o Waldorf Astoria por 1,7 mil milhões de euros.

Com retornos nos pequenos negócios perto dos 7% e duas vezes maior em investimentos de grande dimensão, a JLL aponta para uma tendência de reforço destes investimentos. “É um setor que, à semelhança de outros, nunca parou de crescer (salvo em casos extremos de guerra) e oferece garantias de retorno estáveis”, aponta ainda Sérgio Alves.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: REUTERS/Albert Gea

Crise na Catalunha não afecta BPI

António Ramalho, presidente do Novo Banco

Novo Banco coloca PME como prioridade

Foto: Filipe Amorim / Global Imagens

Quem é Siza Vieira, o conselheiro de Costa que passa a ministro

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Chineses estão loucos com a hotelaria e Portugal está na mira