Correio expresso

Chronopost funde-se com SEUR em Portugal

Olivier Establet
Olivier Establet

A Chronopost tinha adquirido em finais de 2014 a Lisespo, empresa com a qual agora está a fundir-se.

A empresa francesa de correio expresso Chronopost avançou em Portugal com um projeto de fusão por incorporação da Lisespo, que no mercado nacional é franchisada da SEUR, da qual já era acionista. Todos os ativos da Lisespo, bem como os mais de 100 trabalhadores, transitam para a empresa controlada pela GeoPost. Contactada fonte oficial da Chronopost não quis comentar.

A fusão por incorporação surge depois da compra, a 21 de novembro de 2014, da Lisespo pela GeoPost. A companhia, que detém 100% do capital das duas distribuidoras de correio expresso agora fusionadas, “pretende fazer a reorganização das suas participações sociais nas duas empresas atualmente presentes em Portugal, por forma a unificar as participações, criando simultaneamente uma imagem uniforme no mercado que irá facilitar a atividade comercial junto dos seus clientes e reforçar junto dos seus colaboradores a cultura organizacional da GeoPost”, pode ler-se no projeto de fusão a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

A companhia justifica a fusão pela “necessidade de partilha de recursos comuns, nomeadamente das ligações entre os vários armazéns situados no território nacional, da necessidade de uma imagem e marketing comum e uniforme, da partilha de recursos financeiros, assim como da exigência de uma coordenação comercial eficiente e eficaz”, situação que impõe a “existência de uma empresa sólida, competitiva e modernizada, que compreenda e encare todas as particularidades e exigências do sector produtivo dentro do qual se enquadram”.

Fusão gera sinergias

As duas empresas apresentam “um elevado grau de complementaridade de uma em relação à outra, permitindo, dentro do seu sector, a criação de sinergias operacionais e administrativas que permitem aumentar a eficiência e consequentemente a competitividade após a fusão”.

“A projetada fusão irá permitir a concentração do processo comercial e da distribuição sob a égide de uma só entidade, maximizando os recursos técnicos, humanos, logísticos e financeiros ao dispor destas empresas e, por essa via, melhorando a performance junto do mercado”, informa o projeto de fusão.

De acordo com o documento, “será inevitável a obtenção de economias de escala em funções como, por exemplo, as ligações entre os vários armazéns situados em Portugal, através de uma rede de meios que passará a ser gerida pela empresa fusionada ao invés do suporte da SEUR España SA e ainda o melhor aproveitamento da rede de distribuição ‘last mile’ de ambas as empresas”.

O valor das sinergias antecipadas não é referido.

As duas empresas terão uma “única estrutura administrativa, financeira e de recursos humanos, áreas de suporte, o que permitirá crescer organicamente, nos próximos anos sem qualquer acréscimo nos custos associados a estas funções reforçando-se apenas as funções associadas à atividade comercial através da expansão da rede comercial que ser irá manter distribuída por todo o país”.

“Todos os ativos e passivos da Lisespo” serão incorporados na Chronopost, incluindo os 133 trabalhadores. Estes mantêm “todas as regalias e direitos” e passam a ser integrados numa empresa que poderá “oferecer outras oportunidades de crescimento aos seus colaboradores e mesmo criar mais postos de trabalho que se venham a tornar necessários face ao crescimento que poderá resultar deste processo”. Após a incorporação a sociedade Lisespo será extinta.

Os credores veem por esta via os “meios de garantia dos seus créditos reforçados pela concentração de todo o património numa só empresa”, enquanto os clientes “passam a poder usufruir de uma rede de estações de norte a sul de Portugal, com interlocutores únicos e com uma qualidade de serviço e oferta comercial que não irá diferenciar nenhuma das empresas”.

No final de julho, a Chronopost anunciou que iria investir 3,5 milhões de euros nas novas bases logísticas do Alentejo e Algarve, para dar apoio às suas operações na região Sul do País a partir do segundo semestre de 2020.

“Os novos espaços da Chronopost em Évora e Faro têm como objetivo dar resposta ao forte crescimento da empresa na região Sul. Ao longo dos últimos anos, a Chronopost tem registado um aumento significativo no volume de encomendas no Alentejo e Algarve, como tal, este investimento tem como finalidade continuar a manter um serviço de excelência para os nossos clientes e criar todas as condições para lidar com o crescimento esperado das nossas atividades nos próximos anos”, adiantava Olivier Establet, CEO da Chronopost, citado em nota de imprensa.

No espaço de cerca de um mês, este é o segundo processo de fusão a avançar no mercado nacional no sector do correio expresso. Os CTT também concluíram recentemente um projeto de fusão entre os CTT Expresso e a Transporta, tal como noticiou o Dinheiro Vivo no início de agosto.

Movimentações surgem num momento de expectativa de crescimento do mercado de ecommerce em Portugal, situação que justificou a entrada da espanhola Correos no mercado nacional através da aquisição de 51% da Rangel Expresso, por cerca de 11 milhões de euros.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens

OCDE. Famílias portuguesas podem perder 50% do rendimento se vier uma nova crise

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens

OCDE. Famílias portuguesas podem perder 50% do rendimento se vier uma nova crise

Alberto Souto de Miranda
(Gerardo Santos / Global Imagens)

Governo. “Participar no capital” dos CTT é via “em aberto”

Outros conteúdos GMG
Chronopost funde-se com SEUR em Portugal