Energia

Chuva e vento poupam 1,2 mil milhões a Portugal

O sol também já começa a ter algum impacto no peso das renováveis, mas eólicas continuam a liderar, e o ano passado, as barragens trabalharam menos.

A produção de origem renovável, principalmente eólicas e barragens, permitiram poupar um total de 1.167 milhões de euros em importações de combustíveis fósseis e em licenças de emissões de carbono, anunciou esta quinta-feira a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).

Este montante, que se refere a poupanças de 1.099 milhões de euros em importações de gás e carvão e mais 65 milhões de euros em licenças de CO2, foi, contudo, inferior ao conseguido em 2014 e 2013, que foi, respetivamente, de 1,5 e 1,6 mil milhões de euros.

Em comunicado, a APREN explica que esta redução se deve “o preço dos combustíveis fósseis ter sido mais baixo e o ano ter sido hidrologicamente seco”. Ou seja, porque choveu menos, o que fez as barragens contribuir menos para a produção total de energia.

Aliás, toda a produção através de fontes renováveis caiu 14,5% em 2015 face ao ano anterior, mas de facto foi maioritariamente por causa das barragens. Ainda assim, a quebra só não foi maior por causa das eólicas e até do solar.

Nas eólicas, apesar de também terem trabalhado menos – porque fez igualmente menos vento, principalmente nos últimos meses do ano – foi a renovável que mais pesou na produção e até se atingiram recordes. “Pela primeira vez a produção eólica no continente suplantou as necessidades do consumo na madrugada do dia 28 de dezembro de 2015, entre as 2h00 e as 5h30”, diz a APREN.

E o solar “destaca-se por ter sido aquela que maior aumento registou em termos de potência instalada, estimada na ordem dos 10%, tendo-se verificado ao longo do ano sucessivos recordes de produção”. O único problema é que, apesar do forte crescimento desta energia, ela tem ainda muito pouco peso no mix nacional de produção de eletricidade, mais precisamente 1,6%.

Apesar da referida descida de 14,5%, a produção a partir de fontes renováveis foi responsável por 50,4% do total da energia produzida em Portugal em 2015, mas que é pouco mais que os 49,6% que tiveram origem nos combustíveis fósseis, principalmente no carvão.

Além disso, segundo dados da APREN, as exportações de energia caíram 40% face a 2014 e como tal o saldo importação-exportação do ano passado, ou seja, a diferença entre as exportações e as importações, foi de 4,5% enquanto que no ano anterior tinha sido de 1,8%.

Fonte: APREN

Fonte: APREN

Já o peso das renováveis na energia consumida em Portugal o ano passado foi de 48,2%, enquanto que o dos combustíveis fósseis foi de 47,3%, ou seja, mais uma vez muito próximos.

De facto, a baixa produtividade das barragens fez com que se tivesse de recorrer mais às centrais térmicas e as escolhidas foram as de carvão de Sines (EDP) e do Pego (Tejo Energia), as duas únicas em Portugal, devido ao baixo preço da matéria-prima e das licenças de emissões de CO2 que, por estarem tão baratas, permitem que as empresas continuem a usar o carvão sem se preocuparem com um aumento dos custos.

Fonte: APREN

Peso das diferentes fontes de energia no consumo nacional em 2015. Fonte: REN e APREN

“Estes fatores têm bloqueado o investimento em tecnologias de produção sustentável com capacidade para colmatar necessidades do sistema elétrico como a solar fotovoltaica e a bombagem hidroelétrica”, alerta a APREN que, por isso, apela à necessidade de novos investimentos no sector.

Diz a associação que, para atingir a meta de 60% de energia renovável no mix elétrico nacional em 202o “é necessário repensar a estratégia futura, nomeadamente o plano energético nacional, as metas por tecnologia renovável e os mecanismos de incentivo ao investimento no sector”.

“A nível nacional, nos últimos anos, tem-se verificado um enfraquecimento da política e estratégica nacional para as energias renováveis o que coloca em risco o cumprimento das metas delineadas para 2020, de 31% de energia renovável no consumo final bruto de energia, o que implica 60% de eletricidade renovável. Já as metas definidas para 2030 estabelecem 40% de energia renovável no consumo final bruto de energia, ou seja, 80% de eletricidade renovável. É pois urgente e oportuno avaliar o passado e repensar o futuro, transmitindo sinais de estabilidade aos stakeholders do sector que promovam o investimento e o desenvolvimento das tecnologias mais competitivas e com margem de progressão no sector elétrico nacional”, pode ler-se no mesmo comunicado.

“Enorme” contributo para redução de CO2

A APREN alerta ainda, além do importante contributo das renováveis no mix de produção de energia nacional, este tipo de sistemas têm a grande vantagem de contribuir para redução de emissões de CO2.

Esta questão que se se torna ainda pertinente depois da Cimeira do Clima que decorreu em Paris em dezembro. Nesse encontro, 195 países de todo o mundo concordaram que a temperatura do ar não poderia subir mais de 2 graus centígrados e que para isso era preciso reduzir drasticamente as emissões de carbono.

No ano passado, atenta, as emissões associadas à produção de eletricidade em Portugal continental somaram 15 milhões de toneladas de CO2, “valor que subiu face a 2014 devido ao aumento da produção
fóssil, contribuindo negativamente para as metas nacionais de 2020”.

Ora, “sem eletricidade renovável em Portugal, e partindo do princípio que seria possível assegurar o consumo recorrendo somente à utilização de toda a capacidade instalada das centrais a carvão e das centrais de ciclo combinado a gás natural, as emissões teriam atingido 24 milhões de toneladas de CO2. Assim, as tecnologias renováveis evitaram a emissão de nove milhões de toneladas de CO2 em 2015”.

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