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Cibersegurança é prioridade de 86% das empresas

Ana Domingues da Global Insights CGI.
( Jorge Amaral/Global Imagens )
Ana Domingues da Global Insights CGI. ( Jorge Amaral/Global Imagens )

No setor das 'utilities', o principal desafio da transformação digital é a mudança de cultura e a gestão dessa mudança.

Se em 2016 a cibersegurança era a prioridade para 64% das empresas, no ano passado eram já 86%. Esta é uma das conclusões do estudo anual da CGI. “A cibersegurança tem vindo a crescer de uma forma absolutamente impressionante no nosso inquérito. Para as utilities passou a ser a razão número um para conduzir os gastos de orçamento de IT. Chamamos-lhe o spend trend driver de IT”, aponta Ana Domingues, vice-presidente responsável pelas áreas globais de utilities e comunicações da CGI.

A mudança de prioridade traz à tona novos problemas relacionados com a transformação digital. “Os nossos clientes não nos dizem diretamente, mas começa a ressaltar que o tópico número um de preocupação das empresas é a cibersegurança”, adianta a responsável.

“Esta questão de a estratégia da transformação digital se abrir ao mundo traz enormes preocupações e põe-se a questão se isso não está inclusive a atrasar a própria transformação digital das empresas que estão menos preparadas em torno de cibersegurança”, afirma. Como é o caso das empresas no setor das utilities, ou seja, eletricidade, gás e água. A maioria destas empresas estão no mercado há muito tempo, não sendo o processo de transformação digital fácil.

Neste setor, o principal desafio é a mudança de cultura e a gestão dessa mudança, indica Ana Domingues. “Há um entendimento enorme por parte das organizações que as pessoas é que são o principal entrave mas também o principal impulsionador da transformação digital. Quando pedimos às pessoas para serem disruptivas, inovadoras, centradas no consumidor e não lhes explicamos como isso se faz e como é que isso se traduz é um discurso vazio”.

“As empresas que têm sucesso tipicamente têm a tendência para tentar fazer cada vez melhor aquilo que já fazem. Colocar tudo em questão não é algo muito característico mas é isso que se tem de procurar quando se quer inovar e alterar radicalmente os processos core do negócio”. Ana Domingues dá o exemplo do modelo Spotify – cross-functional teams que são responsáveis do início ao fim do clico total do produto ou serviço -, o qual está a ser aplicado em algumas das empresas que estão sob a alça da CGI. “São empresas mais próximas do cliente. As equipas tem de falar mais com o cliente, resultando numa enorme quantidade de dados que permitem uma personalização das ofertas, dos conteúdos que são providenciados aos clientes, a criação de mercados micro”.

A responsável da CGI acredita que o orçamento de IT vai aumentar tendencialmente por causa da cibersegurança. “Há uma necessidade enorme de introduzir novas tecnologias, de introduzir inovação”, afirma. “Hoje as duas prioridades mais importantes de um negócio é otimizar as operações e melhorar a experiência ao cliente”.

“As utilities fizeram um grande progresso com a sua transformação digital, mas ainda estão a tentar acompanhar o passo de outras indústrias”, reconhece Ana Domingues, que espera que nos próximos anos, estas empresas comecem a reportar um maior impacto da transformação digital nos seus modelos de negócio.

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