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Cimpor suspende contratos a 60 trabalhadores

Foto: Goncalo Fernandes Santos/ Global Imagens
Foto: Goncalo Fernandes Santos/ Global Imagens

Previsão de retoma em 2016 está longe de ocorrer. Em junho, autarquia local admitia a suspensão de apenas 30 trabalhadores

A Cimpor avançou no último mês para a suspensão dos contratos de cerca de 60 trabalhadores na unidade industrial de Loulé, número que duplica as suspensões antecipadas pelo autarca local em junho mas que fica aquém dos 200 que PCP e Bloco de Esquerda chegaram a temer. A Cimpor contava com 849 trabalhadores em Portugal no final de 2015, menos 20 que em 2014. Este valor compara com os 1338 trabalhadores com que o grupo contava no país há dez anos.

A suspensão dos contratos dos trabalhadores da unidade de clínquer em Loulé avançou a 8 de julho, dia em que “foi dado início ao procedimento de suspensão dos contratos de cerca de 60 trabalhadores da Unidade Industrial de Loulé, por um período previsto de 2 a 6 meses”, confirma o ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, tendo por base “diligências realizadas pela Autoridade para as Condições do Trabalho” junto da Cimpor. Estas diligências confirmaram ainda que as suspensões seguiram “os requisitos legalmente previstos”, não tendo sido identificadas irregularidades.

Na altura em que foi conhecida a intenção da empresa, em junho, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, indicou à agência Lusa que a suspensão iria afetar cerca de 30 pessoas por um período estimado de seis meses. Já a Cimpor divulgou na mesma altura um comunicado sem quantificar os trabalhadores ou turnos afetados pela suspensão dos contratos. Agora, e contactada pelo Dinheiro Vivo, a empresa remeteu para o mesmo comunicado.

“As vendas de cimento em Portugal desceram 50% nos últimos cinco anos, voltando a apresentar sinais de abrandamento neste primeiro trimestre de 2016”, refere o comunicado de 9 de junho. “Em resposta ao presente contexto será suspensa, temporariamente, a produção de clínquer no Centro de Produção de Loulé (…). Consequentemente, iniciar-se-á nos próximos dias um processo que conduzirá à suspensão de contratos de trabalho”, conclui a Cimpor, realçando que esta opção “possibilita a salvaguarda dos postos de trabalho dos colaboradores cujo contrato será suspenso, permitindo à Cimpor o reinício” da atividade do centro “tão brevemente quanto as condições de mercado o justifiquem”.

Os sinais que o mercado português vai dando no entanto não são promissores, ao contrário do que a empresa estimava em 2015. Nas contas do ano passado, a Cimpor salientava a “retomada do mercado interno”, destacando a subida superior a 10% nas vendas de cimento em Portugal. “O país deixa-nos otimistas pois dá sinais de que essa alavancagem deve continuar nos próximos anos”, antecipava mesmo. Mas a quebra do investimento, público e privado, e o arrefecimento das economias para onde Portugal mais exporta trouxeram a desilusão: As vendas de cimento e clínquer da Cimpor em Portugal caíram 35% no primeiro trimestre do ano – de 1,1 milhões para 730 mil toneladas.

A quebra das vendas de cimento e clínquer em Portugal tem sido uma constante desde 2001, quando se venderam 11 milhões de toneladas no país. Desde então o mercado tem encolhido de forma constante, chegando a 2014 valendo apenas 2,5 milhões de toneladas em vendas, ou seja, um esmagamento acumulado de 77% desde 2001 que afetou todo o setor.

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