Greve dos motoristas

Cinco momentos chave numa greve de sete dias

Francisco São Bento, presidente do SNMMP. Foto: Sara Matos/Global Imagens
Francisco São Bento, presidente do SNMMP. Foto: Sara Matos/Global Imagens

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas anunciou ontem a desconvocação da greve. Ao 7.º dia.

A greve dos motoristas de matérias perigosas não parou o país, mas chegou a provocar o caos nas bombas de combustível ainda antes de começar. Desde o primeiro dia, o Governo colocou em marcha um plano para minimizar os efeitos da paralisação, com militares e forças policiais a garantirem o transporte de combustíveis para infraestruturas críticas, como os aeroportos. Entre intransigências de empregados e empregadores, acordos com outros sindicatos e uma maratona negocial de dez horas que não deu em nada, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) anunciou ontem a desconvocação da greve. Ao 7.º dia.

Uma greve que esgotou postos de combustível ainda antes de começar
A 15 de julho, dois sindicatos independentes dos motoristas avançaram com um pré-aviso de greve por tempo indeterminado a partir de 12 de agosto, acusando a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) de recuar nos compromissos de aumentos salariais acordados em abril, após a primeira paralisação. Em causa estava um acordo que previa aumentos graduais no salário-base até 2022. A cinco dias do início da greve (7 de agosto), o Governo definiu um caderno de serviços mínimos que começavam nos 50% e iam até aos 100% e fez saber que estavam a ser preparadas alternativas para o transporte. Em simultâneo, preparou a declaração de crise energética. Mas o caos estava lançado: os portugueses, em pleno mês de férias, correram para os postos de combustível para encher depósitos dos carros e jerricãs, provocando longas filas, muitas horas de espera, deixando muitas bombas sem combustível ainda antes da greve começar.

Governo decreta requisição civil e chama Forças Armadas
Logo ao fim do primeiro dia, o Governo concretizou a ameaça que tinha deixado no ar e decreta a requisição civil parcial, considerando que os serviços mínimos, apelidados de “máximos” pelos sindicatos, não estavam a ser cumpridos. O abastecimento no Algarve, com muitos portugueses de férias, e o aeroporto de Lisboa foram os pontos mais críticos. Com 120 militares no terreno, muitos à frente de um volante de camião cisterna, o abastecimento começou lentamente a regressar à normalidade, no meio de alguma tensão depois de alguns motoristas terem sido notificados pela polícia e obrigados a regressar ao trabalho.

Motoristas de matérias perigosas isolados
Ao terceiro dia de greve, a ANTRAM e a Fectrans, que não aderiu à greve, assinaram um memorando de entendimento, para começar a negociar, a 12 de setembro, um novo acordo coletivo que prevê aumentos de 120 euros para 2020 e alterações às horas extraordinárias. Um dia depois, com os trabalhadores cansados e desiludidos com os resultados da greve, o SIMM, o outro sindicato que tinha aderido à paralisação, desconvoca a greve e deixa o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), que entretanto tinha pedido a mediação do Governo, cada vez mais isolado.

Maratona negocial
Pela primeira vez, sexta-feira o SNMMP admite suspender temporariamente a greve logo que as negociações sejam iniciadas. Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, faz um novo esforço e convoca uma reunião que se iniciou às 16 horas de sexta-feira e terminou às duas da manhã de sábado. Dez horas de negociação que esbarraram na intransigência da ANTRAM em negociar com a greve a decorrer. Um dia depois, com a situação num beco sem saída, a ANTRAM diz-se disponível para pedir a mediação do Governo, caso a greve fosse suspensa. Mas sindicatos e patrões nunca chegaram a sentar-se à mesa de negociações. E os motoristas deixam uma decisão para o plenário de domingo.

Terminou a greve
Foram precisas mais de três horas para o plenário de motoristas de matérias perigosas anunciar a desconvocação da greve. O sindicato considerou estarem reunidas as condições para negociar com a ANTRAM. E, entre muitos considerandos, deixaram uma ameaça no ar: caso os patrões se mostrem intransigentes nas negociações, poderão avançar com uma greve cirúrgica às horas extraordinárias, fins de semana e feriados. O País fica à espera da reunião agendada para terça-feira, às 16 horas, mediada por Pedro Nuno Santos, o ministro das Infraestruturas.

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