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CIP: Paragem no porto de Setúbal está a “atingir dimensões insustentáveis”

António Saraiva - Presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. (Fotografia: Leonardo Negrão/ Global Imagens)
António Saraiva - Presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. (Fotografia: Leonardo Negrão/ Global Imagens)

António Saraiva, presidente da CIP, diz que o porto "é vital não apenas para a Autoeuropa, mas para outras empresas da região que o utilizam".

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal – CIP, António Saraiva, afirmou esta quarta-feira que a paralisação no Porto de Setúbal “está a atingir dimensões insustentáveis” por estrangular o escoamento dos produtos portugueses, num país que está “carente de exportações”.

“É um problema que está a atingir dimensões insustentáveis e para o qual o governo, dentro do quadro legal que tem disponível, tem de agir, porque estamos a provocar ali um constrangimento ao escoamento das nossas mercadorias”, disse à agência Lusa o líder da CIP, acrescentando que está “a provocar um estrangulamento à rentabilidade das empresas e ao seu desenvolvimento, num país que está carente de exportações”.

António Saraiva referiu que este porto “é vital não apenas para a Autoeuropa, mas para outras empresas da região que o utilizam”.

E prosseguiu: “É uma questão que, inclusivamente, pode generalizar-se porque a reivindicação dos trabalhadores não é exclusiva do Porto de Setúbal, mas pode, ainda por cima, o que não esperamos, mas tememos, haver uma contaminação a outros portos” nacionais.

O líder da CIP disse igualmente que esta paralisação se traduz num “prejuízo para a economia nacional e para as empresas”, pelo que advoga que se tenham de “tomar medidas, dentro do quadro legal que existe, ou encontrar formas extraordinárias de agir sobre esse fenómeno”.

“Não podemos continuar a permitir o afunilamento e estrangulamento da atividade do porto”, frisou.

A CIP entende que a paragem vai penalizar os clientes das empresas que utilizam o Porto de Setúbal e que as empresas “não se vão compadecer porque há uma greve ou porque há uma quebra de energia ou fatores que são externos à própria empresa”, pois é “a empresa que os sofre e não consegue explicar nem repercutir nos clientes”.

Os estivadores precários ao serviço de dois dos terminais do Porto de Setúbal – da Naviport e da Sadopor – não estão em greve. Com contratos diários com a empresa Operestiva, os trabalhadores não têm comparecido ao trabalho desde a tarde de 5 de novembro, para exigir a negociação de um contrato coletivo de trabalho que assegure a integração de parte de um grupo de 90 precários e que garanta a realização de turnos para aqueles que não ficarem vinculados. Os dois terminais funcionam com apenas 10 contratados. Os restantes são trabalhadores eventuais.

Devido à paragem, há mais de 5000 carro produzidos pela Autoeuropa cuja exportação está bloqueada, e a fábrica de Palmela admite poder vir a suspender trabalho caso atinja o limite de capacidade de armazenamento das viaturas. No terminal Sadoport, de carga contentorizada, os navios também deixaram de fazer escalas desde a semana passada.

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