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Cláudia Azevedo. A mulher que vai internacionalizar (mais) o universo Sonae

Cláudia Azevedo, CEO do grupo SONAE.
( José Carmo / Global Imagens )
Cláudia Azevedo, CEO do grupo SONAE. ( José Carmo / Global Imagens )

A Sonae está atualmente em 21 países, tem 53 mil empregados e o grupo vale 4% do PIB nacional.

Foi pelo marketing do projeto Visa Universo que deu os primeiros passos na Sonae. 25 anos depois, Cláudia Azevedo é a nova CEO do grupo, sucedendo ao seu irmão Paulo, e tornando-se a primeira mulher na presidência da comissão executiva da Sonae. Um orgulho para o universo feminino do grupo, que lembra que Cláudia escolheu dois homens para a substituir nos cargos que ocupava como CEO da Sonae IM e da Sonae Capital – Eduardo Piedade e Miguel Gil Mata, respetivamente – mas vai sozinha ocupar a liderança até aqui dividida por dois homens, Paulo Azevedo e Ângelo Paupério.

E se poucas foram as entrevistas dadas por Paulo Azevedo durante os 12 anos em que liderou o grupo, menos serão, ainda, teme-se, no reinado de Cláudia Azevedo, a filha mais nova de Belmiro, conhecida por ser muito reservada e por “preservar muito essa reserva”. “Muitos têm sido os textos escritos sobre a nova líder da Sonae e quase todos repetem que é uma fã da série de comédia Monty Python. Nada mais falso. “Não é verdade. Esse é um daqueles mitos que se cria e que se vai repetindo, mas ela não gosta nada dos Monty Python”, garante quem a conhece bem. “Muito focada” e “muito profissional” são algumas das características que lhe são atribuídas, bem como a determinação. E embora se diga que não gosta de ser contrariada ou de ouvir um não, nem todos o corroboram. “É uma pessoa muito decidida e que sabe o que quer. Mas ouve e envolve os que a rodeiam nas decisões”, asseguram. O pai, belmiro de Azevedo, diza mesmo que, dos filhos, era a mais parecida consigo e a que “tem mais killer instinct”. No interior da Sonae, a transição está a ser feito “com toda a tranquilidade e naturalidade”. “Como é habitual”, acrescentam.

Licenciada em Gestão pela Universidade Católica e com um MBA da INSEAD, a escola de negócios francesa, Cláudia acumulou cargos vários no universo Sonae, das Telecomunicações ao Turismo, passando pelos Sistemas de Informação. Aos 49 anos chega à presidência executiva, tendo chamado mais duas mulheres a integrar a administração, mas sem funções executivas. São elas Fuensila Clemares, diretora geral da Google para Portugal e Espanha, e Margaret Lorraine Trainer, que já colaborou com a Sonae na área da consultoria. Herda um grupo que fatura mais de 5.950 milhões de euros e tem uma missão, que o irmão Paulo lhe legou na última sessão de apresentação de contas a que presidiu, em março, a de “conseguir dar verdadeira escala internacional à Sonae”. A marca de moda MO é um dos exemplos, com entrada prevista em Espanha e Itália.

A Sonae está atualmente em 21 países, tem 53 mil empregados e o grupo vale 4% do PIB nacional. Paulo Azevedo queria 25% de receitas das operações internacionais (90% das receitas do grupo continuam a ser internas) e esse será um dos desafios de Cláudia Azevedo, que prometeu, então, enfrentá-los com “determinação” e “otimismo”. Os desafios, além da internacionalização, passam por enfrentar a entrada da Mercadona no mercado nacional da distribuição, onde tem 70% do volume de negócios, e por transformar a Sonae num grupo cada vez mais tecnológico. Nos últimos anos, Cláudia Azevedo liderou o investimento da Sonae em startups tecnológicas e já integrou marcas como CB4, MedUx, Placeme e a Probely.

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