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Claw. A nova marca de artigos desportivos made in Portugal

Sílvia Teles, e o marido Bruno Carvalho (ausente em negócios em Angola), são os rostos do projeto Be Claw, que instalou em Sintra uma unidade com equipamentos de ponta e 11 costureiras da ex-Triumph. Foto: Nuno Pinto Fernandes/GI
Sílvia Teles, e o marido Bruno Carvalho (ausente em negócios em Angola), são os rostos do projeto Be Claw, que instalou em Sintra uma unidade com equipamentos de ponta e 11 costureiras da ex-Triumph. Foto: Nuno Pinto Fernandes/GI

Bruno Carvalho contratou 11 costureiras da ex-Triumph e instalou uma fábrica, em Sintra, para produzir vestuário desportivo. E está já a dar os primeiros passos na internacionalização.

A Claw é uma nova marca de vestuário desportivo que pretende conquistar o mundo a partir de Portugal. O projeto é da responsabilidade da Be Claw, empresa de Bruno Carvalho e Sílvia Teles, que instalaram uma pequena, mas altamente tecnológica, unidade fabril em Sintra, para a qual contrataram 11 costureiras deixadas no desemprego pelo fecho da Gramax (ex-Triumph). A primeira coleção da Claw foi este mês apresentada na ISPO, em Munique, na maior feira de desporto do mundo, e foi um sucesso. O objetivo é encontrar agentes e representantes para Portugal e para o estrangeiro.

Criada há dois anos, a Claw começou por produzir, em regime de outsourcing, equipamentos para alguns clubes de futebol da segunda divisão, como o Real Sport Clube, o Sintrense ou o Salesianos de Manique. A experiência de Bruno Carvalho como treinador de futebol – não confundir com o ex-presidente do Sporting, este Bruno até é benfiquista – facilitou o processo. “O meu marido sempre foi uma pessoa muito ambiciosa, com muitos sonhos, e que só descansa quando concretiza aquilo que idealiza”, explica Sílvia Teles. A assinatura da marca, Never Give Up, atesta-o.

Bruno era o treinador dos seniores do Real Sport Clube, mas teve de suspender a atividade no final de 2018. “O futebol é o sonho dele, é o que ele mais adora na vida, mas estamos envolvidos noutros projetos, que ainda não podemos desvendar para já, e houve que fazer escolhas”, explica Sílvia Teles. A ideia de criar uma marca de equipamentos desportivos nasceu de uma conversa, meio a brincar, mas transformou-se num negócio levado muito a sério. “Chamaram-lhe louco, que o mercado do desporto está completamente saturado, mas a verdade é que a coleção aí está. Começamos por fazer equipamentos de futebol, que continuam a ser o nosso forte, mas aos poucos, fomos alargando a gama de produtos e temos já artigos transversais a muitas outras modalidades, como o futgolf, o atletismo ou a ginástica, mas também o fitness”, adianta.

Durante o primeiro ano, a Claw era produzida em regime de subcontratação. “Começámos a deparar-nos com muitos problemas. Não arranjámos em Portugal quem fizesse, fomos para Espanha. Mas havia muitas dificuldades. Não conseguíamos acompanhar devidamente a produção e, além de chegarem tarde e a más horas, muitas vezes as peças não eram nada do que pretendíamos”, refere a empresária.
Surge, então, a ideia de investir numa unidade de confeção, já que espaço era o que não faltava na Tratomáquinas, empresa familiar especializada na comercialização de peças e material para veículos e máquinas industriais criada pelo pai de Sílvia e onde o casal, bem como outros elementos da segunda geração, trabalham. O investimento foi de um milhão de euros, totalmente realizado com recurso a capitais próprios. “Não gosto de lhe chamar fábrica, na verdade é o nosso laboratório. É ali que criamos as nossas peças, que testamos as ideias e as vemos ganhar forma”, diz Sílvia Teles. Tudo é idealizado para dar resposta às necessidades dos atletas a partir de conversas prévias com os mesmos.
Além do recurso a equipamentos de ponta, a Be Claw foi buscar 11 costureiras já com muita experiência, e que estavam desempregadas em virtude do encerramento da Gramax, mais conhecida como ex-Triumph. “Para nós foi uma mais-valia e encheu-nos o coração”, sublinha.

A fábrica está a funcionar, em pleno, há seis meses e ali está a ser confecionada toda a coleção da Claw. E para rentabilizar o investimento, estão, também, a aceitar encomendas externas de artigos de desporto. “O que esperamos é que a fábrica, em breve, comece a ser pequena”, admite a empresária. A coleção inclui, para já, apenas calçado casual, mas em desenvolvimento estão já as chuteiras e as sapatilhas para running e basquete, entre outros. “Tudo é criado dentro de portas. Claro que temos de produzir o calçado fora, mas os protótipos são desenhados pela equipa da casa”, frisa Sílvia Teles. A Be Claw é hoje composta por 23 pessoas, entre costureiras, designers, modelistas e equipa comercial e de marketing.

Ainda sem grande noção sobre os resultados da Claw na ISPO, onde os impermeáveis de corrida da marca fizeram sucesso, Sílvia e Bruno estudam, já, novas presenças noutras feiras internacionais. “Fomos, no ano passado, à Première Vision ver a feira e este ano expusemos na ISPO. Temos a ambição de expor em Londres e em Las Vegas, mas ainda não está nada definido”, admite a empresária.
O site da Claw está já a ser preparado para permitir vendas online, sendo que a empresa espera faturar um milhão de euros em 2020. “Estamos conscientes que é um número ambicioso, mas acreditamos que somos capazes, diz Sílvia, que garante não temer as grandes marcas internacionais: “Não nos sentimos, de todo, ameaçados ou inferiorizados. Claro que não nos podemos comparar a uma Adidas, ainda… Mas temos as mesmas capacidades para chegar lá e desenvolver o mesmo produto, garantidamente temos”.

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