Clio de 19 mil euros é carro mais vendido. Mercedes classe A é o segundo

Tem 90 cavalos, motor diesel, 5 portas e custa 19 030 euros. Este é o Renault Clio 1.5 dCi Dynamique, a versão de carro mais vendida em Portugal este ano. Logo a seguir, é o Mercedes Classe A, 180 CDI, de 5 portas e 119 cv, com um preço base de 28 600 euros.

Ao todo, desde o início do ano, os portugueses já compraram 92 605 carros, mais 30,3% que nos primeiros cinco meses do ano passado, um dos maiores crescimentos a nível europeu. O maior poder de compra de famílias e empresas e o aumento do crédito concedido pelos bancos explicam grande parte deste boom.

"Os bancos estão a melhorar as condições de crédito para particulares e empresas", adianta o secretário-geral da Associação Nacional de Empresas do Comércio e Reparação Automóvel (Anecra). Jorge Neves da Silva refere-se à subida de 49,1% no crédito automóvel concedido pelas instituições financeiras em março de 2015.

Ainda assim, os números não são vistos com otimismo. "O aumento nas vendas sabe a muito pouco", refere o presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), António Teixeira Lopes. "Qualquer aumento, acrescido de mais disponibilidade financeira", leva a um "aumento considerável " nas vendas, indica Carlos Barbosa, do Automóvel Clube de Portugal. É que, lembram, 2012 foi o pior ano desde a liberalização do setor (1987). A base é muito baixa e, "apesar do crescimento, as vendas de maio - mais 21 053 carros - estão muito abaixo da média dos últimos 15 anos (-7,7%)".

Renault, Peugeot, Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz são as marcas mais vendidas em Portugal entre janeiro e maio de 2015.

E as perspetivas para os próximos meses? Há para todos os gostos. "Há espaço para podermos continuar a assistir ao aumento das vendas. Poderemos aproximar-nos dos números de 2006 e 2007 , prevê Jorge Neves da Silva. "Portugal encontra-se ainda abaixo da média da União Europeia. Ainda vão decorrer vários anos até que o mercado de ligeiros de passageiros atinja as 200 mil unidades", diz, por seu lado, Helder Pedro, secretário-geral da ACAP.

António Teixeira Lopes está mais pessimista. "Crescimento começa a estagnar no final de 2015. Antes de repararem o automóvel, os portugueses têm de comer, pagar a escola e a saúde. O carro não está nas prioridades das pessoas, lamenta o presidente da ARAN.

Parque automóvel envelhecido

A idade média dos veículos portugueses é vista como outra fonte de preocupação. Em Portugal, um carro tem, em média, 11,6 anos, indicam os dados da ACAP relativos a 2014. Um envelhecimento face aos 8,9 anos de 2007, o último ano antes da crise financeira, e mais 1,9 anos que a média europeia.

Além de envelhecido, o parque automóvel português continua a encolher desde 2011. No ano da entrada da troika, Portugal tinha 5,87 milhões de carros registados. No ano de saída, este número tinha diminuído 2,14%, somando 5,75 milhões.

A ACAP defende, por isso, a "reposição do programa de incentivos ao abate de veículos com motores de combustão interna", que chegou a ser ponderado no Orçamento do Estado para 2015 mas que o Governo restringiu aos elétricos e híbridos plug-in.

Ideia também proposta pela Anecra, que defende que o automóvel "não é um bem de luxo". Helder Pedro conta que a idade média dos veículos para abate já atinge um valor "próximo dos 20 anos". Situação "muito preocupante" do ponto de vista ambiental.

A ARAN propõe que seja possível a "entrega de documentos das viaturas junto das autoridades para quem não usar o veículo, mas sem enviá-lo para o abate". António Teixeira Lopes lembra que muitos consumidores não suportam os custos anuais, como o Imposto Sobre Veículos (ISV).

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