CMVM chumba pedido de fim da OPA à TVI feito pela Cofina

Cofina tinha a 24 de março requerido o fim da OPA à Media Capital, dona da TVI, depois de ter falhado o aumento de capital do grupo.

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) indeferiu o pedido de extinção da OPA à Media Capital solicitado pela Cofina a 24 de março, depois de ser conhecido o falhanço do aumento de capital do grupo dono do Correio da Manhã. A Cofina já foi notificada pelo regulador e tem 10 dias para se pronunciar sobre a decisão. Até ao momento não foi possível obter uma reação da Cofina. A Prisa não quis comentar.

"A Cofina foi notificada do projeto de decisão de indeferimento do requerimento para que, querendo, sobre ele se pronuncie no prazo de dez dias úteis, nomeadamente apresentando prova destinada a esclarecer os aspetos suscitados no mesmo", refere a CMVM em comunicado.

"Deverão ter-se por verificadas todas as condições a que se encontrava sujeito o lançamento da referida oferta pública de aquisição – nomeadamente em virtude da conclusão preliminar de que a conduta da Cofina contribuiu decisivamente para a não colocação de um número residual de ações no âmbito do referido aumento de capital", diz a CMVM na sua decisão.

O regulador considerou ainda que "não é possível, em face dos elementos e fundamentação disponibilizados pelo requerente, considerar que a não concretização do negócio de compra da participação detida pela Promotora de Informaciones, S.A. decorreu da superveniência de circunstâncias que possam dar por preenchidos os requisitos de que depende a revogação da Oferta com fundamento no art. 128.º do Código dos Valores Mobiliários."

A Cofina deu entrada no regulador a 24 de março com um requerimento para que a CMVM considere extinto o procedimento da oferta, "por impossibilidade definitiva de verificação de uma das condições de que dependia o respetivo lançamento e, subsidariamente, a revogação de tal oferta, por alteração das circunstâncias, nos termos do art. 128.º do Código de Valores Mobiliários."

O grupo invocava o falhanço do aumento de capital de 85 milhões do grupo, que não foi foi concretizado por cerca de 3 milhões, uma das condições da oferta feita ao grupo Media Capital.

Esta situação levou o grupo liderado por Paulo Fernandes a deixar cair a compra da Media Capital, num momento em que no mercado se aguardava a concretização de uma operação que tinha obtido a luz verde da ERC, da Anacom e da Autoridade da Concorrência.

Apanhada de surpresa, e não convencida pelos argumentos da Cofina, a Prisa decidiu avançar para os tribunais para ser ressarcida dos prejuízos do fim desta operação. O caso está em tribunal arbitral no Porto.

Decisão do regulador sobre o fim da OPA sobre o capital não detido pela Prisa, pouco mais de 5%, surge poucos dias depois de ser fechada a compra de 30% da Media Capital por Mário Ferreira, por cerca de 10 milhões. O empresário dono da Douro Azul estava envolvido na tentativa de compra da TVI pela Cofina, sendo um dos investidores que iria participar no aumento de capital da Cofina.

(notícia atualizada às 19h31 com reação da Prisa à decisão da CMVM)

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de