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Cofina avança para OPA a 100% da Media Capital

Paulo Fernandes, presidente da Cofina. Fotografia: D.R.
Paulo Fernandes, presidente da Cofina. Fotografia: D.R.

Cofina volta a tentar uma compra da Media Capital, depois de ter deixado cair a aquisição da TVI após ter falhado o aumento de capital.

É uma nova tentativa de compra da Cofina à Media Capital. O grupo dono do Correio da Manhã acaba de anunciar uma OPA sobre a totalidade do grupo dono da TVI. Oferece pouco mais de 35 milhões de euros. Esta nova operação tem um valor empresarial de 130 milhões. Na anterior oferta o grupo de Paulo Fernandes avaliava a empresa em 205 milhões.

“A aquisição da Media Capital pela Cofina integra-se na estratégia de consolidação dos media no plano global, mantendo-se no essencial a atividade destas sociedades e das sociedades que com estes estejam em relação de domínio ou grupo, permitindo potenciar o investimento na expansão digital, o lançamento de serviços inovadores e a promoção e desenvolvimento de conteúdos produzidos em Portugal, mantendo-se a Media Capital como um ativo com identidade portuguesa”, comunicou a Cofina em nota de imprensa enviada às redações.

É uma nova tentativa de compra da Media Capital pelo grupo liderado por Paulo Fernandes depois de a anterior oferta ter caído por terra, após a Cofina ter falhado, por cerca de 3 milhões, o aumento de capital de 85 milhões do grupo.

O aumento de capital era uma das condições da OPA sobre os cerca de 5% que não estavam nas mãos da Prisa. Agora, depois de ver indeferido pela CMVM a retirada da oferta, a Cofina avança com uma OPA sobre 100% do capital do grupo dono da TVI e da Plural. Oferece 0,415 euros/por ação, “o que corresponde a um valor total máximo da Oferta de 35.072.969,70 (trinta e cinco milhões, setenta e dois mil, novecentos e sessenta e nove euros e setenta cêntimos)”.

Um valor substancialmente abaixo dos mais de 200 milhões que a Cofina esteve disposta a pagar pela Media Capital e que surge depois de Mário Ferreira, o dono da DouroAzul, ter comprado por pouco mais de 10 milhões cerca de 30% do grupo dono da TVI.

A Cofina justifica o valor. “O valor de referência proposto na OPA de 0,415 euros por ação, correspondendo a um valor total de 35.072.969,70 euros, considera um entreprise value de cerca de 130 milhões de euros e foi considerado, em informação ao mercado, no passado dia 14 de maio, pela Promotora de Informaciones S.A., maior acionista da empresa, “uma avaliação acima das estimativas do mercado efetuadas pelos analistas… tendo implícitos múltiplos superiores aos das empresas FTA””, destaca o grupo em comunicado enviado às redações.

Condições da Oferta

A OPA agora anunciada tem várias condições. Primeiro, que o auditor independente, designado pelo regulador de mercados para calcular a contrapartida da oferta, “não fixe um valor unitário de contrapartida que exceda o montante de 0,415 euros por ação”; segundo que não seja “alienada, diluída, onerada, ou de outro modo prometida alienar, diluir ou onerar, direta ou indiretamente, qualquer participação social na, ou ativo significativo” do grupo, nem ocorra “qualquer fusão, cisão ou dissolução” no grupo e nas empresas do grupo (TVI, Plural, Media Capital Rádios); e, por fim, que a “oferente se torne titular de ações representativas de mais de 50% (cinquenta por cento) do capital social e direitos de voto da Sociedade Visada”.

Saiba mais sobre a OPA aqui

No anúncio, a Cofina destaca ainda o facto de beneficiar “das autorizações regulatórias já previamente obtidas da Autoridade da Concorrência e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em 30 de dezembro de 2019 e 21 de fevereiro de 2020, respetivamente.”

Mudanças na TVI e investigação dos reguladores

O anúncio da OPA surge depois de alterações na estrutura acionista da Media Capital e na liderança do grupo que estão sob a investigação da ERC e da CMVM.

Depois de a Cofina ter ‘abandonado’ o negócio na reta final, Mário Ferreira – que ia participar na compra da TVI através do aumento de capital da Cofina – avançou com uma oferta pela Media Capital, tendo chegado a acordo em maio com a Prisa para a aquisição de um terço do grupo, por cerca de 10 milhões de euros. A Prisa mantém-se como maioritária, com mais de 64%, embora tenha deixado claro que o objetivo é alienar a posição.A relação entre acionistas que está a ser objeto de análise da CMVM.

Em meados de julho, o mercado assistiu a mudanças na liderança executiva do grupo e na TVI: Manuel Alves Monteiro, administrador próximo do acionista Mário Ferreira, assume como CEO (substituindo Luís Cabral); e Nuno Santos sobe a diretor-geral da TVI. E, no dia seguinte, é conhecido que Cristina Ferreira estava de regresso à estação, com funções diretivas e como acionista, a meio do contrato com a SIC que exigiu uma indemnização que poderá atingir os 4 milhões de euros.

A apresentadora iria entrar na TVI em setembro, bem como a nova direção de informação, liderada por Anselmo Crespo.

Alterações na liderança executiva que levaram a ERC a avançar com uma investigação, para averiguar se as mesmas estariam a ser impulsionadas por Mário Ferreira, acionista minoritário. Algo que a Media Capital tem negado. E a SIC já pediu a ERC que investigasse.

(última atualização às 20h24)

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