Cofina continua "interessada" na compra da dona da TVI. Mas mais barato

A notícia foi adiantada pelo Expresso e confirmada ao Dinheiro Vivo por fonte oficial do grupo dono do Correio da Manhã.

Ter desistido da compra da Media Capital por um entreprise value de 205 milhões não quer dizer que a Cofina tenha abandonado o interesse na aquisição do grupo dono da TVI. O interesse mantém-se mas o grupo dono do Correio da Manhã quer rever o preço. A Media Capital e a Prisa não comentam.

"A Cofina continua a estar interessada na aquisição da Media Capital, e nos contactos que manteve sempre deixou claro que os valores da aquisição deveriam ser ajustados à realidade da empresa e ao contexto que atravessamos”, afirmou fonte oficial do grupo de Paulo Fernandes, ao Dinheiro Vivo, confirmando a notícia avançada pelo Expresso.

A confirmação oficial chega meses depois da entrada direta de Mário Ferreira no capital da Media Capital. O empresário do Norte fechou a compra de 30% da Media Capital por 10 milhões de euros, uma operação com um enterprise value de 130 milhões, valor abaixo do da época da tentativa de compra da Cofina.

O negócio entre o grupo dono do Correio da Manhã e a espanhola Prisa acabou por falhar na reta final, após obtidas todas as autorizações regulatórias, depois de a Cofina ter falhado por cerca de 3 milhões o aumento de capital de 85 milhões, uma das condições para a OPA sobre os 5% de capital que não estava nas mãos da Prisa.

A Prisa avançou para os tribunais e a relações entre os dois grupos tornou-se tensa. A Cofina pediu, entretanto, o fim da OPA à CMVM, que não diferiu o pedido, não convencida sobre as condições do fim da oferta.

ERC atenta a mudanças na TVI

O interesse da Cofina na compra Media Capital, mas com valores distintos, já era algo antecipado em março por alguns analistas ouvidos pelo Dinheiro Vivo, mas a confirmação surge na mesma semana em que em Queluz de Baixo se assistia na quinta-feira ao anúncio de um novo CEO na Media Capital, Manuel Alves Monteiro - desde abril administrador não executivo e considerado próximo de Mário Ferreira, pois é vogal da Mystic River, empresa controlada pelo empresário - e a subida de Nuno Santos, até aqui diretor de programas da TVI, à direção-geral da estação. Seis dias depois de Sérgio Figueiredo ter saído da direção de informação.

Mudanças que o Correio da Manhã apontou responsabilidades à Purvis de Mário Ferreira, tendo questionado a ERC sobre o tema. Situação que motivou um desmentido da Media Capital e um pedido de direito de resposta ao jornal.

Mas a ERC admite estar a analisar o caso. E esta sexta-feira emitiu um comunicado. "Tendo tomado conhecimento de mudanças relevantes na estrutura da TVI", o regulador "está a avaliar o âmbito das mesmas e eventual configuração de nova posição".

"Em análise está a eventual alteração não autorizada de domínio, que envolve responsabilidade contraordenacional e pode dar origem à suspensão de licença ou responsabilidade criminal, tendo em conta o artigo 72.º da Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido", avisa a ERC.

(notícia atualizada às 23h25 com posição da Prisa)

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de