Cofina desiste da TVI e Prisa avança para tribunal

No mercado admite-se que o negócio poderá avançar, após negociações, mas com outro valor em cima da mesa.

No mês em que era esperada a conclusão de um dos negócios de media mais importantes dos últimos anos, a Cofina deixou cair a compra da TVI depois de falhar o aumento de capital de 85 milhões. A Prisa já avisou que vai usar “todas as ações” previstas no acordo de compra de venda contra o grupo dono da CMTV. No mercado, admite-se que este poderá não ser ainda o fim do negócio que poderá ser concretizado por “outro valor”. A compra da TVI tinha um valor de 205 milhões de euros, depois de um 'desconto' de 50 milhões.

O aumento de capital da Cofina era uma das condições para o sucesso da oferta à Media Capital, mas o grupo liderado por Paulo Fernandes não conseguiu concluir com sucesso essa operação, não tendo a totalidade do capital sido subscrito pelos acionistas. “Não tendo sido verificada a condição de subscrição integral do aumento de capital, a oferta ficou sem efeito”, informou o grupo.

A decisão terá apanhado Mário Ferreira de surpresa. O dono do Douro Azul era um dos investidores que ia participar no aumento de capital, com 20 milhões de euros, e quando questionado pelo Dinheiro Vivo disse que esta tinha sido uma “decisão unilateral” da Cofina.

E não o único a reagir com desagrado. O anúncio apanhou de surpresa a Prisa. “De acordo com as informações prestadas pela Cofina no acordo de Compra e Venda e comunicações ao mercado, a Cofina tinha os compromissos necessários para financiar o montante requerido para completar a transação, de um lado de instituições de crédito e, por outro lado, dos acionistas relevantes da Cofina no montante necessário para cobrir o aumento de capital”, lembrou a Prisa. Por isso, “irá iniciar a partir desta data todas as ações contra a Cofina previstas no acordo de compra e venda”.

Na informação que chegou a ser partilhada com os investidores, a Cofina explicava que iria financiar a operação através de um empréstimo de 220 milhões, assegurado pelo Santander e Credit Suisse (os bancos financiadores), bem como por um aumento de capital até 85 milhões de euros. Deste montante, 50 milhões seriam usados para pagar os custos de transação e refinanciar a atual dívida líquida da Cofina. Excluindo o capital em free float, metade do aumento de capital seria assegurado pelos atuais acionistas, sendo que os mesmos iriam manter mais de 50% do capital depois do aumento de capital.

O que acabou por não acontecer. Fontes do mercado ouvidas pelo Dinheiro Vivo questionam porque os acionistas de referência da Cofina não optaram por subscrever os direitos das ações sobrantes do aumento de capital, situação que abriu espaço para que não fosse cumprida uma das condições da oferta.

Mas no mercado admite-se que este poderá não ser o fim do negócio. "Estes processos são sempre muito complexos, podem haver volte faces baseados numa negociação", diz Luís Mergulhão, presidente e CEO do Omnicom Media Group. O negócio pode ter um outro desfecho "com a operação a se concretizar com base num outro valor", diz o responsável do grupo de agências de meios, que lembra que a posição da Prisa vai obrigar as partes a negociar.

Visão partilhada por Filipe Garcia, economista da IMF. "Hoje qualquer negócio vale menos do que há uma semana", diz. "É normal que em condições alteradas de mercado que os acionistas se questionem se faz sentido subscrever ações e ir ao aumento de capital e que, sendo essa subscrição total uma das condições da oferta, que esta caia", continua. Mas isso, "não implica que o negócio esteja morto", o mesmo "pode ser revisitado de outras maneiras. Neste momento, a Cofina não tinha condições para ir à oferta".

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