Logística

“Comboio Autoeuropa” volta em meados de 2020

Fotografia: Medway
Fotografia: Medway

Medway já identificou parceiros para operacionalizar este comboio. Antiga CP Carga já investiu 25 milhões de euros desde a privatização.

Em meados de 2020, Portugal vai ter um comboio de mercadorias direto para a Alemanha. O “comboio Autoeuropa” vai regressar daqui a um ano e será operado pela empresa de transporte ferroviário de mercadorias Medway. Este comboio vai chamar-se Vasco da Gama e permitirá a importação e exportação de componentes, sobretudo para a fábrica de automóveis do grupo Volkswagen em Portugal.

É um assunto muito trabalhoso e temos de ver o que é necessário do lado da procura e do lado da oferta. Já identificámos soluções e parceiros que nos permitem arrancar com o comboio em meados de 2020. Há procura e os indicadores são otimistas”, assinalou esta terça-feira Carlos Vasconcelos, presidente do conselho de administração da Medway, num encontro com jornalistas, em Lisboa.

Além de servir a Alemanha, este comboio “poderá servir o Norte de França, Bélgica e Holanda”, acrescentou o gestor. Ainda não está definida a cidade de partida, em Portugal, e a cidade de chegada, na Alemanha. A empresa portuguesa deverá ficar a cargo do transporte da carga em toda a Península Ibérica, até à localidade de Irún.

A viabilidade económica deste comboio também irá depender da sua frequência. “Tem de ser um comboio diário”, sustenta Carlos Vasconcelos. “A forma como a logística está organizada é pouco compatível com comboios de dois em dois dias. O comboio diário é condição essencial para a viabilidade económica do serviço”, acrescenta.

A aposta do transporte ferroviário de produtos tecnológicos e não tecnológicos entre Portugal e a Alemanha também responde ao surgimento de alguns problemas no transporte de mercadorias por estrada. “Há cada vez mais custos com os motoristas e a subida das despesas com combustíveis. Isto está a levar os operadores rodoviários a complementar a oferta com a ferrovia para corresponder aos seus picos de procura”.

Para trás ficou o teste de um comboio para transportar veículos entre a Autoeuropa e o porto de Santander, em janeiro deste ano. “Foi um teste para saber se esse transporte era viável. Operacionalmente é viável mas não creio que faça sentido fazer transporte de 800 quilómetros de mercadorias até Santander quando temos outras opções, mais próximas, nos portos portugueses. Além disso, economicamente não faria sentido. Só se houver disrupção forte”

Ganhar mercado aos camiões

A Medway assume como grande objetivo ser o maior operador ferroviário de mercadorias da Península Ibérica nos próximos anos. Para chegar a esse objetivo, vai apresentar, depois do Verão, o seu novo plano estratégico. Até lá, Carlos Vasconcelos já definiu que o aumento da quota de mercado será conseguido com a aposta em novos serviços para ultrapassar o transporte rodoviário.

“Não queremos ganhar quota de mercado aos outros operadores [ferroviários]. Apostamos em novos serviços e queremos ganhar mercado à rodovia”, assinalou o gestor.

No final de 2018, a Medway tinha transportado um total de 9 milhões de toneladas em mercadorias. Metade deste peso correspondeu ao transporte por mercadorias.

Balanço da privatização

O encontro com jornalistas serviu para fazer o balanço de quatro anos da aprovação, em Conselho de Ministros, da privatização da empresa. Alguns dados saltam à vista: foram investidos 25,4 milhões de euros desde que a antiga CP Carga passou a chamar-se Medway.

Grande parte deste investimento (21,4 milhões de euros) foi feito em equipamento, com a aquisição, por exemplo, de quatro locomotivas.

Em 2018, a Medway registou prejuízos de 213 mil euros, o que compara com as perdas de 12 milhões de euros da antiga CP Carga no final de 2015. A dívida da empresa caiu para praticamente metade: de 97 para 51 milhões de euros, segundo a Medway.

Atualmente, a empresa conta com 641 trabalhadores e irá reforçar a equipa até ao final de setembro, com o recrutamento de mais 70 pessoas.

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