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Comboios: Ministro e líder da CP vão ao parlamento explicar atrasos e supressões

ANTÓNIO JOSÉ/LUSA
ANTÓNIO JOSÉ/LUSA

Pedro Marques e Carlos Gomes Nogueira serão alvo dos deputados na comissão permanente e na comissão de Economia.

O estado da ferrovia foi um dos principais temas do debate público nas últimas semanas, depois de os problemas que o setor enfrenta na manutenção de comboios e a necessidade de aluguer e compra de material circulante terem ganhado projeção. A falta de esclarecimentos do governo agravou o cenário durante as férias do Parlamento e levou os deputados a querer forçar a audição do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, e do presidente da CP, Carlos Gomes Nogueira. As primeiras dúvidas serão tiradas na próxima semana.

O futuro da empresa pública será um dos tópicos em cima da mesa. “Queremos perceber como é que a CP está a preparar-se para a liberalização do mercado de transporte de passageiros e qual é o plano estratégico para a EMEF”, destaca ao Dinheiro Vivo o deputado do CDS-PP Hélder Amaral. O líder da CP será confrontado na terça-feira à tarde com as questões dos deputados da comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas na primeira reunião depois da pausa de agosto.

Os atrasos e as supressões de comboios serão um dos temas levantados pelos comunistas durante a audição. O deputado Bruno Dias puxa pelo passado e lembra “o papel do PCP na defesa do comboio como serviço público para as populações” desde há vários anos “e não apenas nos últimos meses”.
Carlos Gomes Nogueira terá de responder a dezenas de outras questões durante a audição.

Os deputados vão querer saber os planos da empresa para a atividade comercial; esclarecer de que forma a CP quer alargar a parceria com a Renfe (que atualmente aluga 20 automotoras a diesel a Portugal); conhecer o plano de aquisição de material circulante da CP e se o concurso público internacional será aberto ainda este ano; e ainda obter explicações sobre o aluguer de um comboio especial com carruagens do serviço Intercidades para os militantes do PS, num fim de semana em que não havia material disponível suficiente para realizar o serviço regular de passageiros.

Caso o líder da CP não consiga esclarecer todas as dúvidas logo na terça-feira, os deputados terão nova oportunidade, dois dias depois, em sede de comissão permanente. O ministro Pedro Marques será questionado na quinta-feira à tarde, por exemplo, “sobre a justificação para as cativações” do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, aponta o deputado centrista.

Pedro Marques também terá de explicar no parlamento por que razão recusou, em 2016, o alargamento do aluguer de comboios a Espanha, numa altura em que já havia indícios dos problemas com o material circulante; o governante terá ainda de responder ao plano de contratações da EMEF, que é insuficiente para colmatar as saídas dos últimos anos, após uma tentativa de privatização durante o governo de Pedro Passos Coelho.

Além da CP, o ministro com a tutela dos transportes deverá ser ainda inquirido sobre a execução do plano de investimentos Ferrovia 2020, a cargo da Infraestruturas de Portugal. Este pacote financeiro conta com dois mil milhões de euros, em grande parte apoiados por fundos comunitários.

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