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Comissária da concorrência pode chumbar fusão entre Siemens e Alstom

Comboio TGV, feito pela Alstom, à frente de um comboio ICE, construído pela Siemens. (REUTERS/Lukas Barth)
Comboio TGV, feito pela Alstom, à frente de um comboio ICE, construído pela Siemens. (REUTERS/Lukas Barth)

Duas das maiores empresas de comboios do mundo estão a tentar juntar-se há ano e meio. Comissão Europeia está dividida apesar das cedências.

A fusão entre as empresas de comboios Siemens e Alstom pode cair por terra um ano e meio após o seu anúncio. A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, considera que esta operação entre a empresa alemã e francesa pode criar um monopólio do fabrico de comboios no continente europeu, apesar de as duas entidades terem feito várias cedências nas últimas semanas, adiantam esta segunda-feira a Bloomberg e o Financial Times.

Na sexta-feira, de forma a evitar os riscos de monopólio no mercado, a Siemens admitiu ampliar por dez anos a licença europeia para a nova tecnologia Valero, de comboios de alta velocidade, e ainda dispôs-se a vender mais ativos na área de sinalização. Estes ativos estarão a despertar o interesse de algumas empresas europeias; há mesmo uma entidade disposta a compra os ativos num só pacote, o que seria bem visto por Bruxelas – criaria rapidamente um rival ao grupo Siemens/Alstom.

Mas Vestager parece não ceder nem às novas concessões nem à pressão dos governos de França e da Alemanha, que pretendem juntar as duas empresas para concorrer com os comboios de alta velocidade fabricados na China. A comissária dinamarquesa tem rejeitado este argumento porque, segundo a própria, os chineses não irão vender estes comboios na Europa nos próximos anos.

A decisão final sobre esta operação será tomada nos próximos dias. Serão ainda ouvidos todos os comissários europeus sobre esta matéria. Mas mesmo em Bruxelas há divisões, a julgar pelas palavras do comissário para a Economia e Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici: “precisamos de campeões europeus. E penso que isso seria muito melhor se esta fusão fosse autorizada. Precisamos de ter em conta a nova forma de funcionamento da economia, em especial, o papel da China”, de acordo com declarações prestadas no Fórum Económico de Davos, na Suíça, na semana passada.

A fusão entre a Siemens e a Alstom iria criar um novo gigante europeu na ferrovia, com presença em 60 países e um volume de negócios anual de 15,6 mil milhões de euros e enfrentar o grupo CRRC e os canadianos da Bombardier.

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