Grécia

Como a crise dos refugiados pode por a economia grega a crescer

Foto: REUTERS/Yannis Behrakis
Foto: REUTERS/Yannis Behrakis

A Grécia é um dos principais pontos de chegada dos refugiados que desembarcam na Europa à procura de asilo.

Seis anos depois de se ter afundado numa profunda crise financeira, que resultou em três resgates à economia, a Grécia recebeu nos últimos meses um estímulo inesperado.

Um estudo encomendado pelo governo grego em abril deste ano revela que a crise dos refugiados pode vir a ter um impacto positivo no PIB do país que pode chegar aos 0,3%.

“As preocupações em torno da capacidade da economia grega para suportar o peso da crise dos refugiados são exageradas. Na medida em que os fundos europeus e internacionais têm assegurado a cobertura dos custos de acolhimento, os gastos públicos são anulados e, na verdade, poderá ser necessário recrutar mais gente, o que vai estimular a economia grega”, declarou à Bloomberg Sotiria Theodoropoulou, do Instituto Sindical Europeu.

A Grécia é um dos principais pontos de chegada dos refugiados que desembarcam na Europa à procura de asilo.

A crise migratória obrigou à criação de um Serviço de Asilo e à instalação de campos de refugiados no país, onde estão retidas neste momento cerca de 60 mil pessoas, desde que os países dos Balcãs fecharam as fronteiras no início do ano.

A megaoperação fez chegar à Grécia milhares de pessoas de organizações internacionais e não-governamentais, desde assistentes sociais, engenheiros e empreiteiros, numa empreitada que movimenta milhões de euros e que fez aumentar o consumo.

A Comissão Europeia aprovou este ano um pacote de 200 milhões de euros destinado a financiar os custos da Grécia com a crise dos refugiados, um valor considerável quando comparado com os 700 milhões de euros que o Governo grego está autorizado a gastar por ano em investimento público.

O mesmo relatório revela que os receios sobre o impacto da crise dos refugiados no turismo da Grécia são infundados.

Bruxelas prevê que a economia grega contraia 0,3% este ano, mas a verificar-se o impacto inesperado da crise migratória, o défice pode vir a ser anulado.

O orçamento grego para 2017 prevê que os gastos do Governo com os campos de refugiados seja de 54 milhões de euros, o equivalente a 0,03% do PIB.

Entre 2015 e 2016 a União Europeia afetou mais de dez milhões de euros para fazer face à crise dos refugiados.

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