Tecnologia

Como a Microsoft se está a reinventar para encontrar o próximo Windows

Microsoft | Seattle | Investigação e desenvolvimento
Os óculos de realidade mista da Microsoft estão a ser usados para treinar médicos na aprendizagem de métodos de cirurgia. Foto: Microsoft

Empresa está a investir 15 mil milhões de dólares em investigação e desenvolvimento por ano. Mudança está a fazer regressar antigos funcionários.

Todas as segundas-feiras entram 100 novos funcionários na sede da Microsoft em Seattle, nos EUA. Destes, em média, entre 15% a 20% são antigos funcionários que já passaram pela empresa. Sim, pessoas que já lá tinham estado, saíram e agora querem voltar.

Porquê? Porque a tecnológica está diferente. Apesar de se ter mantido como uma das maiores empresas do mundo, a Microsoft atravessou no início desta década uma fase em que o feedback recebido dos utilizadores, imprensa e analistas não era positivo. Movimentos menos felizes, como a aquisição da Nokia, não ajudaram.

“Ficava frustrado por ver que as pessoas não apreciavam o trabalho que a Microsoft fazia”, confidencia Steve Clayton, diretor de storytelling na Microsoft. “Mas a empresa mudou muito, sobretudo nos últimos cinco anos. (…) Estamos no negócio de criar tecnologias arrojadas, que mudam o mundo, que são otimistas e inclusivas.”

A mudança coincidiu, por um lado, com a chegada de Satya Nadella à liderança da empresa e, por outro, com a materialização de muitos projetos que estiveram em desenvolvimento, em segredo, durante anos e anos.

Quem é afinal esta nova Microsoft? É a empresa que está a fazer avanços no armazenamento de informação em ADN e que quer guardar toda a informação disponível na internet num espaço equivalente a uma caixa de sapatos. É a empresa que está a criar um computador quântico que promete resolver em minutos problemas que os computadores clássicos demorariam milhões de anos a fazer. E é a empresa que está a criar hologramas cada vez mais realistas com a ajuda de óculos de realidade mista.

Para alcançar isto, está a ser feito um grande compromisso do ponto de vista financeiro: no último ano foram investidos perto 15 mil milhões de dólares em projetos de investigação e desenvolvimento. A taxa de sucesso dos projetos mais avançados da empresa varia, apenas, entre 1% e 10%, mas isso não é um problema – pelo menos não para a nova Microsoft.

“Não me preocupo, porque os que têm sucesso têm um enorme impacto”, começa por explicar Henrique ‘Rico’ Malvar, o brasileiro que é cientista líder da divisão Microsoft Research.

“Muitas das nossas invenções principais vêm dos chamados projetos Blue Sky [futuristas]. Há dez anos criámos as primeiras redes neurais, depois começámos a aplicar esta tecnologia em reconhecimento visual de imagens. O que começou como um exercício de matemática é a base para muita da inteligência artificial que a empresa agora tem.”

Seja na ferramenta de produtividade Office, seja na criação de interfaces de desenvolvimento para programadores (API) ou até na criação das suas próprias previsões fiscais, a empresa está a integrar a inteligência artificial em pequenas funcionalidades, mas que espera que tenham impacto na experiência do utilizador.

“A missão da empresa costumava ser um computador em cada mesa. No final do dia o computador é apenas uma ferramenta, o que conta são as experiências que as pessoas podem ter”, acrescentou Henrique Malvar.

Os avanços que a empresa tem feito em áreas como a inteligência artificial ou hologramas também têm trazido alguns protestos internos dos funcionários, sobretudo quando essas tecnologias podem vir a ser usadas por países contra os seus cidadãos.

“Fascina-me os contextos culturais que existem noutras partes do mundo no que diz respeito à utilização de tecnologia. Por exemplo, há países onde o reconhecimento facial é legal, mas a Microsoft declinaria fazer esse tipo de trabalho”, assegura Tim O’Brien, responsável pela área de ética em IA da gigante norte-americana.

Com o modelo de negócio mais diversificado – se antes as receitas dependiam do desempenho do Windows, agora variam entre computação na nuvem, videojogos ou hardware -, a Microsoft protege-se e fica menos dependente da utilização de dados dos utilizadores para fazer dinheiro. Tudo para não voltar a perder os funcionários reconquistados.

* O Dinheiro Vivo/Insider viajou para Seattle a convite da Microsoft

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