Como se rouba luz e como a EDP está a apanhar os ladrões

O CEO da EDP, António Mexia
O CEO da EDP, António Mexia

Açúcar e formigas, agulhas quentes ou ímanes tão potentes que agarram até uma tonelada e têm de ser encomendados pela internet. No que toca a adulterar contadores de eletricidade para baixar ou deixar de pagar a conta da luz, a necessidade - ou a crise - aguça o engenho.

Em 2013, a EDP detetou 20 700 casos de
furtos de eletricidade, bem mais do que os 14 400 do ano anterior.
Destes, conseguiu identificar pouco mais de cinco mil clientes em
cada um dos anos, que equivalem a perdas de 43 milhões em 2013 e a
12 milhões em 2012. Neste ano, só no primeiro semestre, já foram
detetados 18 mil casos e identificados sete milhões de euros de
perdas.

A empresa admite que tem “vindo a
assistir a uma maior sofisticação e profissionalização dos furtos
praticados”. Aliás, na internet não faltam fóruns e blogues onde
se pede informações e trocam contactos para realizar estes serviços
e há inúmeros sites e vídeos no YouTube a ensinar como manipular
contadores.

Até para os equipamentos novos, que
são digitais, hermeticamente fechados e quase impossíveis de
adulterar, há uma solução. A mais comum tem sido ir à caixa
elétrica da casa – aquela que está nas escadas do prédio fechada à
chave – e fazer uma espécie de minipuxada desligando o fio do
contador e ligando-o diretamente à rede de distribuição.


também quem pegue nos fios e os ligue de forma a diminuir a
quantidade de eletricidade que é contada, mas isto é mais comum
nos contadores trifásicos dos restaurantes e cafés. E até já há
quem engane quem quer enganar, ou seja, técnicos que cobram 150
euros ou mais para piratear os contadores ou fazer as puxadas, mas
que afinal não fazem nada e ficam com o dinheiro.

Fonte do sector, que não quis ser
identificada, considera que o aumento das fraudes em 2013 foi a causa
do crescimento das perdas de energia verificadas na rede nacional e
consequentemente da quebra de 0,2% no consumo nacional registada
nesse ano. Segundo dados da Direção-Geral de Energia (DGE), no ano
passado, 11% da energia produzida não foi consumida ou faturada,
perdeu-se. Nos anos anteriores, as perdas rondavam os 8%.

“A
qualidade da rede em Portugal tem vindo a melhorar de ano para ano
(tem poucas interrupções e as que tem são de zero segundos), por
isso a causa para as perdas só pode ser as puxadas e os contadores
adulterados”, diz a mesma fonte.

Caça à fraude reduz casos

Da mesma forma que há sofisticação
nas fraudes, há também uma maior fiscalização e até sofisticação
por parte da EDP, que, apesar de o mercado estar liberalizado,
continuará a ser a dona da rede de distribuição que chega às
casas e às empresas.

Têm estado a substituir os contadores
mecânicos por digitais e, “caso se detetem situações anómalas,
é a própria central que gera os alertas”, disse ao Dinheiro Vivo
fonte da EDP Distribuição. Aliás, “nos últimos dois anos, a EDP
tem apostado muito na verificação remota e na correlação de dados
de consumo”, informação que depois passa para as “várias
dezenas de equipas” que tem no terreno.

“Criámos equipas
dedicadas ao combate à fraude, reforçámos e implementámos mais de
40 iniciativas, como a melhoria dos canais para facilitar a
identificação e denúncia, e colaboramos com as autoridades
policiais de forma muito próxima”, disse a mesma fonte. Uma dessas
parcerias é a operação Elektra, da polícia de Leiria, que já
desmantelou uma rede suspeita de adulterar 500 contadores.

É fruto deste reforço que a EDP
garante que, depois de um aumento da prática de fraudes registadas
nos últimos dois anos, no primeiro semestre já se notam menos
pessoas a recorrer a este métodos.

“Os dados disponíveis indiciam
um abrandamento dos novos furtos”, disse a mesma fonte, sem revelar
números. Ou seja, só no final do ano é que se confirmará se o
engenho dos clientes é superior ou inferior à sofisticação dos
equipamentos e patrulhas da EDP.

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