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“Comprar carro? Prioridade deve ser tratar os dentes”

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“Comprar carro? Prioridade deve ser tratar os dentes”

Determinado em tornar os dentes importantes, Miguel Stanley “já não sonha ser rico” e investiu já 700 mil euros para mudar a medicina dentária

Era o médico dentista da tv, sonhou ser rico, mas agora quer mudar o mundo da medicina dentária pela inovação. Em conversa com o Dinheiro Vivo, Miguel Stanley quer deixar como legado, na sua área, a inovação. E, para isso, já investiu 700 mil euros em tecnologia nos últimos 10 anos.

E porquê o investimento na tecnologia? “É uma ferramenta incrível que pode ajudar dentistas, pacientes e laboratórios, poupar muito tempo e dinheiro.”

Miguel Stanley é um crente nos vários testes que tem feito. Indica que a passagem de informação “é mais fluida, precisa e visível”, o que permite ao paciente fazer parte do projeto, conseguindo ver como vai ficar. Para isso, usa scanners intraorais de precisão assinalável e impressoras 3D que substituem moldes e poupam dias de espera – tudo é enviado em ficheiro virtual, via cloud, para um laboratório.

Sobre poupanças para o cliente, Stanley refere que o valor da tecnologia pode ainda ser caro, mas vai tornar os serviços mais baratos. “Não podemos imputar, para já, o custo da tecnologia ao paciente.” Por enquanto, o médico dentista não consegue quantificar, em euros, o valor que a tecnologia permite poupar: “Estamos no meio da tempestade do analógico para o digital, mas há poupança em consultas extra, horas de espera, serviços de entrega, etc.”

Depois de atravessar uma onerosa insolvência em 2011, hoje Miguel diz que está mais focado em deixar uma marca nos tratamentos e partilhar os seus avanços com o mundo. Daí que tenha feito mais de 30 palestras no estrangeiro em 2017 e continue este ano o périplo global: “Os médicos de topo, lá fora, querem aprender comigo e com a minha clínica”, diz sobre a sua White Clinic, em Miraflores. Da lista, fazem parte clientes oriundos de França, Brasil, Rússia, Mónaco, Médio Oriente, Argentina, num total de 22 nacionalidades. Cristiano Ronaldo, por exemplo, já é cliente de Stanley há algum tempo. Stanley não fala dos nomes de clientes, mas acabámos por perceber que Madonna também é cliente.

Miguel reclama reconhecimento para a sua clínica e conta que já apanhou tratamentos feitos de forma errada: “Fico perplexo quando vejo que 91% das desvitalizações aqui feitas são retratamentos de casos com 10 anos e mais de 70% do meu volume de trabalho é refazer tratamentos antigos.” Segundo, quer mudar a visão da ida ao dentista. “Porque é que os portugueses escolhem os dentistas por localização, marketing, website e preço? Não percebo.”

E dá o exemplo de clientes seus, que fazem viagens de avião de 12 horas. “Aprendo com isto e penso: o que faz uma pessoa com dinheiro escolher um dentista porque é perto?!”

Stanley criou e registou as marcas No Half Smiles e Slow Dentistry. Para o médico, dentes saudáveis são tão ou mais importantes do que um carro novo. “Todos me perguntam ‘quanto custa um implante?’, e eu respondo ‘quanto custa um carro?’” Ou seja, os implantes podem ter a a mesma qualidade de um carro mau em segunda mão com 30 anos ou a de um Bentley novinho em folha. E defende que a prioridade deve ser tratar os dentes.

SNS. “Estado deve fazer tratamentos básicos”

Apesar de o seu negócio estar centrado nos tratamentos e nas reconstruções complexas, Stanley defende que o Serviço Nacional de Saúde deve fazer mais pela saúde dentária, num país que até há uns anos era de “desdentados” e o tratamento principal significa “arrancar dentes”.

“Restaurações, cáries, tratamentos de urgência de dentista deviam estar incluídos”, até porque “custaria pouco ao Estado por serem tratamentos acessíveis e faria a diferença para prevenir que futuras gerações ficassem reféns de dentistas ou excelentes e caros ou maus e baratos”.

O médico que continua a contar histórias em vídeo – para as palestras -, admite que “sonhou em ser rico”, mas já não pensa em projetos megalómanos de muitas clínicas (“só há um Real Madrid”, diz). Está focado em ser um benchmark da excelência da medicina dentária internacional.

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