Conselho Empresarial para a Ibero-América à conquista de Portugal

"Sem um maior ativismo do setor privado português, as relações económicas e empresariais [na Ibero-América] nunca serão 100% eficazes", defende Núria Vilanova, presidente do CEAPI

O Conselho Empresarial Aliança para a Ibero-América (CEAPI), entidade que reúne presidentes de 190 das maiores empresas ibero-americanas, está apostado em "reforçar as relações económicas" nestas geografias e considera que Portugal "é um ator-chave para impulsionar tanto a economia como o desenvolvimento sustentado da região". Esta semana, o CEAPI realizou reuniões em Lisboa e no Porto, nas quais participaram cerca de 60 empresas de Espanha, Portugal, Andorra, Argentina e Peru.

"Este momento de recuperação, após o duro golpe económico e social da covid-19, é o ponto de partida perfeito para retomar os laços de confiança entre os líderes empresariais. Por esta razão, vemos estes encontros internacionais como uma oportunidade para começar a construir a Ibero-América que queremos e precisamos. Queremos expandir as nossas fronteiras, uma vez que acreditamos que a participação dos empresários portugueses e o seu envolvimento no reforço da Ibero-América é fundamental", diz a presidente do CEAPI. Para Núria Vilanova, a comunidade Ibero-Americana não pode ser compreendida sem Portugal. "Sem um maior ativismo do setor privado português, as relações económicas e empresariais nunca serão 100% eficazes", frisa.

Os encontros serviram, ainda, para anunciar a realização do V Congresso Ibero-Americano, que o CEAPI vai organizar nos dias 1 e 2 de junho em Punta Cana, na República Dominicana. Um evento que pretende "promover a transformação social, valorizando a figura dos empresários como agentes de mudança positiva". A transformação digital será o tema principal do congresso, dado que "é um pilar fundamental para o desenvolvimento da economia, a redução das desigualdades e o aumento da produtividade na região".

"O nosso objetivo, como conselho empresarial, é promover laços de confiança entre empresários e valorizar o papel do empresário na sociedade, a fim de fazer crescer e fortalecer o tecido empresarial ibero-americano. Para encorajar este tipo de ação, é essencial criar um espaço de diálogo e debate no qual os agentes económicos possam trocar ideias, perspetivas e experiências empresariais e, acima de tudo, do qual possam surgir novos investimentos e iniciativas comerciais", defende Núria Vilanova. E se o investimento internacional entre os países da região "é fundamental para o desenvolvimento deste tipo de relações", há primeiro que criar confiança, que "só pode ser conquistada através do diálogo paciente entre os actores económicos mais importantes de cada país", considera.

A presidente do CEAPI lembra que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é um "factor chave" para impulsionar a economia pós-pandémica, fomentando o crescimento das empresas. "Este desenvolvimento pode ser refletido na sua internacionalização", diz Núria Vilanova, lembrando que, em 2020, a América Latina representava já 2,5% das exportações de bens portugueses e 3,1% das importações. Além disso, salienta que Espanha é o principal destino das exportações portuguesas, com mais de 25% do total, "um número que reforça e encoraja a ideia de uma maior colaboração público-privada e a participação conjunta dos agentes económicos destes países irmãos, de modo a que cresçamos juntos, geremos crescimento sustentado e consolidemos relações sólidas de negócios, comércio e investimento que impulsionem as nossas economias e gerem riqueza e desenvolvimento para as nossas sociedades", defende.

Criado em 2014, o CEAPI é hoje uma associação que reune 190 empresário, "de ambos os lados do Atlântico", 25% dos quais são presidentes dos maiores grupos empresariais da América Latina. Repsol España, Eulen, Grupo Boluda, Red Eléctrica de España (REE), Coquecol, Hispasat, Iberia, Bimbo, Procafecol, explorações de Copa ou Grupo Puntacana são alguns dos parceiros. O objetivo é continuar a crescer, "não só em número de membros, mas também como um organismo de referência para as empresas ibero-americanas".

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