Construção assegura 8% das exportações e 6% do emprego

Valor total das empreitadas de obras públicas no último ano foi de 0,8% do PIB. Em 2009, o valor chegava a 2,8%

A importância do setor da construção para a economia portuguesa pode ser medida através de muitos indicadores, do total de emprego criado ao peso nas exportações, formação bruta de capital fixo ou peso no valor acrescentado bruto. Todos estão em queda e já há alguns anos: a construção persiste como um dos setores mais afetados pelas crises. Primeiro a portuguesa, depois a global, acumulando quase 13 anos de declínio.

No caso do emprego, o setor chegou a 2008 respondendo por quase 11% do total do emprego do país. Contudo, e desde então, perderam-se quase metade dos postos de trabalho na área e o setor chegou ao final de 2014 assegurando apenas 6,15% do emprego no país. E se a primeira metade de 2015 até trouxe evoluções positivas em alguns indicadores, como uma ténue recuperação do total de postos de trabalho, o anúncio de ontem da Soares da Costa relembrou que a construção ainda vive dias negros.

Uma parte significativa da quebra vivida pela construção veio de mão dada com o arrefecimento no investimento e obras públicas. Segundo o Eurostat, a quebra do investimento público entre 2008 e 2014 chegou quase a 50%, com os 6,65 mil milhões de euros de investimento estatal de 2008 a cair para 3,5 mil milhões em 2014 - mas o investimento público ainda subiu até 2010, entrando em declínio acentuado logo no ano seguinte.

Olhando de forma detalhada para o investimento público, e recorrendo a dados do Instituto dos Mercados Públicos do Imobiliário e da Construção, nota-se que a quebra do investimento foi bastante sentida no valor anual de empreitadas de obras públicas. Em 2009 estas equivaliam a 2,8% do PIB e em 2014 já só respondiam por 0,8% - isto num período em que o PIB até contraiu 7% de forma acumulada. Em 2015, esta queda continua: os concursos de obras públicas no primeiro semestre foram 38% inferiores em valor ao registado no mesmo período de 2014.

A resposta das construtoras ao arrefecimento em Portugal foi o avanço para o mercado internacional, conseguindo em 2014 puxar 5,6 mil milhões de euros do exterior, segundo números da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas. A associação calcula que os valores movimentados pela construção de fora para dentro representam “cerca de 3% do PIB e 8% do total das exportações”. A construção perdeu também parte importante do valor acrescentado bruto gerado, sofrendo uma quebra superior à que a generalidade da economia portuguesa sofreu. Se em 2008 as empresas eram responsáveis por 5,99% do VAB nacional, até 2014 a construção passou a ter um peso de apenas 3,55%. Esta perda de quota surgiu porque o VAB total caiu 6,6% no período, já o VAB da construção acumulou uma quebra de 44,6% no período, de 10,8 mil para 6 mil milhões.

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