Construção corta metade dos postos de trabalho em seis anos

Somague e Teixeira Duarte são casos emblemáticos de um setor que perdeu 48% dos trabalhadores desde 2008

Entre 2008 e 2014, o total de pessoas a trabalhar na construção caiu de 527 mil para 276 mil, uma quebra acumulada de 47,6% que reflete o impacto e a persistência da crise nesta área de atividade: a destruição de emprego foi de 7,1% em 2009 e de 9,2% no ano seguinte e em 2011. O ano mais crítico foi 2012, com uma quebra de 15,5% no total do emprego na construção, a que se seguiram duas novas reduções, agora de cerca de 10%.

Os números relativos ao emprego no setor mostram bem a profundidade e duração da crise na construção. Os 250 mil empregos perdidos entre o final de 2008 e o final de 2014, significam uma média de 114,5 postos de trabalho destruídos por dia nos últimos seis anos. E este é só um dos vários sintomas.

Menos 44 mil empresas, mais salários mínimos

Lado a lado com a quebra no emprego total do setor está o desaparecimento de 45 mil empresas entre 2008 e 2013, um recuo de 35,5%, muitas delas de reduzida dimensão e que escapam ao radar mediático. Em média, cada empresa de construção contava com 3,8 trabalhadores no final de 2013, rondando à volta desse número já desde 1998 - variando entre os 3,2 e os 5,2 anuais desde então.

Com um ritmo tão acelerado de destruição de emprego e empresas no setor, naturalmente que também as condições de trabalho no mesmo sofreram bastante. O crescimento do total de trabalhadores contratados pagos pelo mínimo legal é reflexo disso mesmo.

Até ao ano passado, a construção era um dos setores que apresentava um rácio de trabalhadores com salário mínimo inferior ao do país: em 2008, por exemplo, 5,7% dos trabalhadores da construção recebiam o ordenado mínimo, valor que comparava com os 7,4% da economia portuguesa. A diferença ainda aumentou um pouco até entrar em forte quebra, quebra esta que fez que 2014 tenha sido o primeiro ano em que a construção apresentou um rácio de trabalhadores com o SMN superior ao do país. Se em Portugal 19,6% dos trabalhadores por conta de outrem recebem atualmente o salário mínimo, na construção esse rácio é hoje de 20,8%.

Peso na economia

Além da fatia importante do emprego que assegura, que ainda hoje se situa nos 6,15% do total - que no entanto compara com os 11% em 2008 -, a importância do setor da construção para a economia portuguesa pode ser medida através de outros indicadores, como o peso nas exportações, a formação bruta de capital fixo ou peso no valor acrescentado bruto. Todos estão em queda e já há alguns anos.

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