Construção vai gerar “romaria de insolvências” até ao verão

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A FDO, a 18ª construtora nacional, é a mais recente vítima da crise do setor. Depois da Novopca, Patricius, Teodoro Gomes Alho e ECOP, entre muitas outras, a construtora de Braga não resistiu e entrou com o processo de insolvência tendo em vista a recuperação. O presidente do sindicato da construção, Albano Ribeiro, acredita que, a partir de Junho, o mais tardar, “vai ser uma romaria de processos”.

O distrito de Braga “será a capital” dos pedidos de insolvência, assegura. O Porto virá logo a seguir. Nomes de empresas não dá, acusando o_Governo de “estar adormecido” para esta realidade. “É preciso que desperte urgentemente”, diz Albano Ribeiro, assegurando que só na última semana passaram pelo sindicato mais de 60 trabalhadores de partida para Inglaterra e França.

Mas é do domínio público que empresas como a Bitalar, Casais, Gabriel Couto e Sá Machado & Filhos não atravessam os melhores momentos. A MonteAdriano, que chegou a ter salários em atraso, terá há pouco liquidado tudo o que devia aos trabalhadores.

A confederação da construção e do imobiliário (CPCI) e a federação da construção (Fepicop) também não apontam casos e garantem que, até agora, mais nenhuma empresa, além da Soares da Costa, solicitou autorização para ultrapassar o limite das rescisões amigáveis. Estarão, eventualmente, à espera que o Governo reconheça a grave situação do setor e agilizando o processo, prescindindo do parecer de cada dos parceiros sociais.

E as empresas conseguem reestruturar-se? “É preciso dinheiro para pagar indemnizações e muitas já não têm capacidade para isso. Muitas vezes só lhes resta a insolvência”, diz Reis Campos, líder da CPCI. Nos últimos três anos, foram 6363 as insolvências, com Porto, Lisboa, Braga e Aveiro a liderar. Mas, além disso, só em 2010 e 2011 “foram extintas 15 071 empresas”, assegura. O setor perde 10 empresas e 390 trabalhadores por dia.

Reis Campos, Albano Ribeiro e o líder da Fepicop, Ricardo Gomes, estão todos de acordo. Nenhuma empresa está a salvo. “Não há nenhuma que sustente cá dentro a sua carteira de encomendas. Não têm condições para manter os postos de trabalho. O Governo ainda não percebeu o colapso absoluto que se aproxima”, frisa.

Já o sindicato garante que “têm às centenas de trabalhadores em casa, sem trabalho e a pagar-lhes”. As dificuldades das grandes vão-se repercutir nas pequenas e arrastá-las. Ricardo Gomes lamenta: “Vai-se perder tecido empresarial e “know how” que vai fazer falta quando o ciclo se inverter”.

Hoje, 39% do desemprego é da construção. “Os 140 mil postos que eu disse que estavam em risco vão-se mesmo perder. Vamos chegar aos 20% de desemprego. As empresas estão a ser arrastadas para a falência e não é só a fileira da construção. A banca vai ser afetada, devemos 41 mil milhões”, diz a CPCI.

Albano Ribeiro teme os efeitos sociais, designadamente ao nível da violência. Ricardo Gomes estima que, por alturas do verão, com o fim das obras da Parque Escolar, de reabilitação das escolas, 30 a 35 mil trabalhadores fiquem, de imediato, no desemprego. Terminadas as escolas, e tirando as barragens, nada resta. De entre os fornecedores nomes tão diferenciados como Mota-Engil, Teixeira Duarte, FDO, Novopca, Somague ou Edifer.

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