Construtora de Setúbal alarga negócio às adegas de luxo

Interseta aposta em nicho de mercado que poderá gerar faturação de quase meio milhão de euros. Para dar resposta de qualidade, firmou parceria com a consultora especializada de luxo Martins Wine Advisor.

A Interseta, construtora de Setúbal que há 17 anos opera no segmento prime, decidiu avançar com uma nova área de negócio, as adegas personalizadas. E para dar uma resposta adequada às exigências dos clientes firmou uma parceria com a Martins Wine Advisor, empresa especializada em serviços para colecionadores, investidores e entusiastas de vinho. Este é um mercado de nicho, mas que apresenta potencial de crescimento. A Interseta já construiu duas adegas e tem três em execução.

Foi já no ano passado que esta aventura ganhou expressão, quando um cliente norte-americano desafiou a Interseta a construir uma garrafeira na casa que estava a edificar em Campo de Ourique, Lisboa. Como conta José Rodrigues, administrador da construtora, o cliente fez o pedido de A a Z, desde a escolha do local adequado até ao seu recheio e organização.

O desafio foi aceite, mas o gestor considerou que para responder com a qualidade que este género de projetos exige teria de se associar a quem tivesse experiência no mercado. As suas áreas de conforto eram, até então, obras para os setores da saúde, banca, automóvel e private luxury, principalmente para clientes estrangeiros, suecos, americanos, australianos e franceses. A escolha recaiu na Martins Wine Advisor (MWA).

Desde a sua criação, em 2014, que a MWA disponibiliza serviços de organização de garrafeiras, com base em critérios como país, região, castas, anos, entre outros, e ajuda a manter as coleções e o stock, através de novas compras, análise dos consumos e as preferências de cada cliente. Ao longo destes anos, já recheou cerca de 40 adegas, mais de 50% no Reino Unido e, da outra metade, destacam-se duas em Singapura, duas no Dubai e quatro na Índia, revela o fundador e CEO Cláudio Martins.

Neste capítulo há um projeto singular que marcou a consultora de vinhos. Como conta, a MWA esteve envolvida no desenho e recheio de uma garrafeira do tamanho de um campo de futebol, em Moscovo. Foi um pedido de um excêntrico oligarca russo que contratou a empresa, "talvez dos mais extraordinários de tornar realidade, 15 milhões de dólares (13,3 milhões de euros) para uma garrafeira com 10 mil garrafas de bebidas espirituosas", revela.

À Interseta ainda não chegaram projetos tão incomuns, mas logo no ano de arranque desta nova área de negócio assegurou uma faturação de 270 mil euros, tendo no total registado um volume de negócios de quatro milhões. Segundo José Rodrigues, a construção de uma adega "é um trabalho de conceção e construção delicado", que exige "grande cuidado e atenção com itens como graus de humidade, incidência da luz, controlo da temperatura". O investimento mínimo é da ordem dos 30 mil euros e facilmente pode atingir os 300 mil. Tudo depende dos desejos do cliente.

"O primeiro passo e o mais importante é sentar com o cliente em redor de uma boa mesa, abrir uma garrafa de bom vinho e falar de vinho", considera Cláudio Martins. O objetivo é conhecer os seus gostos, os da família e, até, dos amigos mais próximos. Como realça, "é um projeto feito à medida, que por norma tem um acompanhamento muito emocional por parte dos envolvidos".

O orçamento é também uma matéria incontornável, embora um budget mais limitado não seja impeditivo de se ter uma boa garrafeira. Para o CEO da MWA, é fundamental ter pelo menos um vinho de cada uma das regiões mais emblemáticas do mundo: Bordéus, Champagne, Priorat, Toscana, Napa Valley, Mosel, Geórgia e Douro. Ou seja, é preciso pelo menos cinco mil euros para garantir uma boa adega.

A ligação à Interseta deverá dar um pequeno empurrão ao volume de negócios da MWA. Segundo Cláudio Martins, "a criação destas adegas pode representar entre 700 a 900 mil se se concretizar, como esperamos, a totalidade dos serviços, ou seja, a consultoria e a aquisição dos vinhos". Certas são as contas dos últimos exercícios. Em 2019, a consultora faturou 200 mil euros, valor que praticamente triplicou em 2020 e, já para este ano, as previsões apontam para valores da ordem dos 2,5 milhões. É que a pandemia "aumentou, e muito, o número de clientes investidores em vinhos" e "o confinamento esvaziou as adegas pessoais", o que obrigou uma reposição do stock.

Já a Interseta deverá atingir neste ano uma faturação da ordem dos sete milhões de euros. A construtora, que ao longo de 2021 foi responsável por obras como as do restaurante Magano, em Lisboa, balcões do Novo Banco, stands de automóveis e habitações particulares, acredita que esta nova atividade possa vir a valer 400 mil euros.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de