CorPower prevê investir 40 a 50 milhões em Portugal

Empresa sueca especializada em parques de energia das ondas foi umas das que participou nos "Business Dialogues" do "Oceans Meeting" em Lisboa

A CorPower Ocean, empresa sueca especializada em obter energia das ondas, está interessada em investir em Portugal.

Em declarações ao Dinheiro Vivo, Patrik Möller, o CEOdesta empresa tecnológica, criada em 2009, revelou que “estão a trabalhar num consórcio” com empresas de energia, industriais e institutos de investigação portugueses num “projeto de grande escala” que poderá resultar em investimentos na ordem dos “40 a 50 milhões de euros”.

“A nossa ideia é que 20% do investimento seja assegurado por fundos portugueses e 80% do capital por investidores” estrangeiros, acrescentou o responsável.

A exploração de energias renováveis ao largo da costa portuguesa deverá atrair um investimento total de cerca de 250 milhões de euros até 2022, de acordo com o relatório “Energia no mar”, elaborado no final do ano passado por um grupo de trabalho presidido pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.

A estimativa de investimento abrange as previsões das empresas promotoras dos projetos e os números de diversos projetos-piloto que decorreram em águas portuguesas. Entre 2000 e 2014, o investimento acumulado foi de 147 milhões de euros em vários projetos de investigação e desenvolvimento na área das energias oceânicas e em projetos concretos como o Pelamis, a central de energia das ondas do Pico, a AWS, o Waveroller e o Windfloat (liderado por EDP e Repsol), que explorará eólicas “offshore” ao largo de Viana do Castelo.

A CorPower foi uma das várias empresas que participaram nos chamados Business Dialogues que decorreram esta quinta-feira, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, no âmbito do evento Oceans Meeting, que terminou ontem no Mosteiro dos Jerónimos.

A presença neste evento visou “fazer contactos adicionais e parcerias na área cada vez mais emergente da energia oceânica”, adiantou Patrik Möller.

O responsável desta bluetech salientou que a empresa produz “uma nova tecnologia de alta eficiência na conversão de energia das ondas”. “Esta tecnologia é inspirada nos princípios do bombeamento do coração humano que permite obter cinco vezes mais energia por tonelada de dispositivo em comparação com a tecnologia conhecida anteriormente”, explicou o CEO da empresa, frisando que o sistema permite “armazenar uma larga quantidade de energia num pequeno dispositivo de baixo custo” e que “tem uma grande capacidade de resistência em tempestades”.

Parque de microalgas

A A4F Algae for Future foi outra das empresas presentes no Oceans Meeting. Em declarações ao Dinheiro Vivo, Nuno Coelho, o fundador e presidente do conselho de administração desta empresa de bioengenharia criada em 2008 só com capitais próprios, destaca a relevância do evento ao considerar que “é mais um passo na concretização daquilo que é a importância estratégica do mar e dos oceanos para Portugal”. “Nesta estratégia, a produção de microalgas podem desempenhar um papel muito relevante na medida em que temos as melhores condições da Europa para a localização deste tipo de indústrias”, afirmou o responsável da empresa que fechou o ano de 2016 com um volume de negócios de dois milhões de euros.

Nuno Coelho salienta ainda a importância de reencontrar “muitos dos 80 parceiros europeus com quem nos damos numa base regular e poder dar a conhecer o nosso projeto a outras entidades relevantes nesta área”.

O projeto em causa é só o maior parque de microalgas da Europa, localizado em 14 hectares na Póvoa de Santa Iria. O Algatech, que representa um investimento superior a 20 milhões de euros, resulta de uma parceria com as empresas Solvay Portugal e Lusoamoreiras. “Temos três projetos já contratados com clientes nacionais e vamos iniciar as obras ainda este mês. Um dos projetos estará operacional ainda em 2017 e os outros dois até ao fim de 2019”, revelou Nuno Coelho. “Estamos firmemente convencidos de que as microalgas irão fazer parte das soluções para um planeta sustentável, nomeadamente, da alimentação humana, ração animal, do tratamento de afluentes e até da bioenergia”, afirmou.

Projeto modelo

Outros dos projetos que se deu a conhecer no Oceans Meeting foi o Aquatropolis, que nasceu para promover o desenvolvimento sustentável da aquacultura. Este projeto, que resulta de um consórcio entre as empresas tecnológicas Compta e Domática; a Algaplus, uma empresa produtora de macroalgas em Ílhavo; e os institutos politécnicos de Leiria e Tomar e o Tagus Valley, em Abrantes.

Em declarações ao DV, Hugo Metelo Diogo, responsável pela área de Economia do Mar da Compta, revelou que o projeto arrancou há dois anos com a preparação de uma candidatura ao Compete 2020, no âmbito do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, num investimento total de quase 1,7 milhões de euros e que “foi nomeado como um dos dez projetos modelo” em matéria das melhores práticas de utilização de fundos públicos.

O responsável explicou que o Aquatropolis é basicamente um “sistema inteligente de recolha de dados, que permite autonomizar os processos produtivos, reduzir os custos tecnológicos e poupar 20% nos gastos energéticos e 5 a 10% nos gastos com alimentação.”

Hugo Diogo revelou que vão estabelecer parcerias com empresas norueguesas, o principal país produtor de aquacultura e iniciaram conversações com empresas espanholas.

Elogiando os esforços do ministério do Mar, que já lhes permitiram estabelecer parcerias com empresas norueguesas, o principal país produtor de aquacultura. O responsável revelou ainda que iniciaram conversações com empresas espanholas e que estão de olho em investidores de países como a Escócia ou Chile.

Do Algarve para a Europa

A Sparos é a empresa “spin-off” do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve especializada no desenvolvimento de novos produtos, tecnologias e processos para a alimentação de peixes.

Ao DV, Jorge Dias, o responsável da empresa criada em 2008, recorda que o investimento inicial foi na ordem dos 400 mil euros, dos quais 180 mil foram capitais próprios e que o apoio dos fundos comunitários foi “uma alavanca muito importante”.

Hoje em dia, e depois de um crescimento mais acentuado desde 2013, já têm um pavilhão de mil metros quadrados e esperam registar uma faturação de um milhão de euros no final deste ano. Na área da investigação para terceiros, exportam essencialmente para grandes multinacionais de países como a França, Suíça e Inglaterra, enquanto que no segmento de produção de rações para larvas de peixes têm um cliente em Portugal e exportam para os países da região do Mediterrâneo, como a Espanha, Grécia e Turquia.

Na opinião de Jorge Dias, o Oceans Meeting é uma boa plataforma para se darem “a conhecer a outras empresas e entidades estrangeiras, potenciar oportunidades de negócio e novos projetos que podem ser muito importantes para alavancar as nossas atividades”. Nos planos de internacionalização da empresa estão o mercado norueguês e asiático.

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