Corrente elétrica liga Minho e cidades das Beiras

Programa de investimento para as linhas de comboio foi apresentado há cinco anos pela IP e já deveria estar praticamente pronto.

12 de fevereiro de 2016: a Infraestruturas de Portugal (IP) apresenta o programa de investimentos Ferrovia 2020. As obras prioritárias nas linhas de comboio deveriam ficar prontas até setembro de 2021, graças a um investimento de 2,175 mil milhões de euros, com financiamento europeu.

Mas várias empreitadas só estão a ficar prontas cinco anos depois, o que corresponde a 8% do caderno de encargos. A IP não pode atrasar a conclusão das obras ferroviárias para lá de 2023, sob pena de perder os fundos comunitários, que financiam parte dos trabalhos.

Na próxima quarta-feira, 17 de fevereiro vão ser realizados os primeiros ensaios no troço Viana do Castelo-Valença. A corrente elétrica deveria estar instalada desde março de 2019 neste troço de 48 quilómetros da Linha do Minho. Mas só depois do primeiro trimestre é que este percurso poderá funcionar com material elétrico.

A CP, a partir daí, pode colocar locomotivas elétricas da série 2600 a rebocar algumas das 50 carruagens compradas a Espanha em meados do ano passado. Esta medida vai libertar praticamente todas as automotoras diesel, da série 592, alugadas à Renfe há praticamente uma década.

No entanto, a mudança de estações vai continuar a ser gerida por telefone por mais um ano, porque a sinalização moderna só deverá chegar ao terreno em março de 2022. Mesmo assim, fonte oficial da IP indica ao Dinheiro Vivo que a ligação Porto-Valença vai durar menos 12 minutos - são necessárias duas horas e três minutos no serviço interregional.

a partir de abril vai voltar a ser possível viajar de comboio entre Covilhã e Guarda: a IP, nas últimas duas semanas, fez duas marchas de ensaio entre as duas cidades das beiras. Onze anos depois, o comboio elétrico poderá atingir uma velocidade máxima de 100 km/h neste troço de 46 quilómetros, que deveria ter ficado concluído no terceiro trimestre de 2018. A redução do tempo de viagem entre Covilhã e Guarda será "superior a 25 minutos", segundo a gestora de infraestruturas.

Antes disso, ficaram concluídas outras três obras: a renovação do troço Alfarelos-Pampilhosa (linha do Norte) e a eletrificação dos troços Caíde-Marco de Canaveses (linha do Douro) e Nine-Viana do Castelo. Também está pronta a intervenção no troço da linha do Leste entre Elvas e a fronteira.

Apenas em setembro de 2022 é esperada a conclusão da próxima empreitada do Ferrovia 2020: a renovação do troço Espinho-Gaia, que deveria ter ficado pronta em setembro de 2019. São três anos de atraso.

As dificuldades técnicas em alguns concursos e falta de pessoal especializado comprometeram o calendário da IP.

As restantes obras do Ferrovia 2020 vão ficar concluídas ao longo de 2023, como a eletrificação das linhas do Algarve e do Oeste (entre Meleças e Caldas da Rainha), a mudança da tensão na linha de Cascais, a modernização de toda a linha da Beira Alta (Pampilhosa-Vilar Formoso) e a construção do troço de 80 quilómetros entre Évora e Elvas.

Mesmo depois das obras, os ganhos de tempo e de velocidade devem-se à introdução de modernos sistemas de sinalização e da substituição dos comboios diesel por material elétrico.

Problemas linha a linha

As obras na Beira Alta só vão começar quando ficar totalmente concluída a ligação entre Covilhã e Guarda. A partir do final de 2021, o troço entre Pampilhosa e Guarda vai ficar fechado, por um período de nove meses. Como alternativa, os passageiros vão ser transportados através de autocarros; as mercadorias vão passar pela Linha do Leste e pelo troço Covilhã-Guarda, na linha da Beira Baixa.

Há vários trabalhos que deveriam ter concluídos no ano passado ou ao longo de 2020 mas que ainda nem sequer começaram.

Exemplo disso é a eletrificação do troço da linha do Douro entre Marco de Canaveses e Régua. As obras deveriam ter sido realizadas entre o segundo trimestre de 2018 e o final de 2019. Só que a IP, em 2019, teve de contratar um novo conjunto de projetistas e só a partir do segundo trimestre de 2022 é que deverão começar as obras. A catenária será instalada até ao final de 2023.

Na Beira Alta, o troço entre Guarda e Vilar Formoso também conta com quatro anos de atraso - só vai ficar pronto nos primeiros meses de 2023. As obras deviam ter começado no final de 2017 e deveriam ter ficado prontas no início do ano passado. A IP dividiu esta obra nos subtroços Guarda-Cerdeira (em andamento) e Cerdeira-Vilar Formoso (ainda à espera do resultado do concurso público).

A linha da Beira Alta é um caso exemplar dos atrasos nas obras da ferrovia. Da Pampilhosa a Vilar Formoso, praticamente todo o troço vai ser modernizado, para permitir a circulação de comboios de mercadorias com até 750 metros. Este trabalho deveria ter ficado concluído nos primeiros meses de 2020.

Apenas a partir de abril deste ano é que haverá máquinas no terreno, sobretudo nas ligações entre Celorico da Beira e Guarda e entre Santa Comba Dão e Mangualde. À espera do resultado do concurso público estão ainda os troços Pampilhosa-Santa Comba Dão e Mangualde-Celorico da Beira.

No Oeste, nada de novo: também está atrasada a eletrificação dos troços entre Mira Sintra-Meleças e Torres Vedras e entre Torres Vedras e Caldas da Rainha, que já deveria estar pronta desde o terceiro trimestre deste ano. Só que a IP mudou o calendário: só a partir de janeiro vão começar as obras em Meleças - até ao início de 2023 - e que vão levar ao fecho da ligação entre Malveira e Torres Vedras por quatro meses, a começar no segundo trimestre de 2022.

A ligação até Caldas da Rainha começa a ganhar corrente a partir do segundo trimestre do próximo ano - está em concurso público e deverá acabar no terceiro trimestre de 2023.

A linha de Cascais deveria estar pronta para receber, a partir do final de 2021, os comboios que são utilizados na restante rede ferroviária nacional, mas só nessa altura vão começar os trabalhos para que a tensão elétrica passe dos atuais 1500 volts em corrente contínua para os 25 mil volts em corrente alternada. Esta linha será alimentada por uma nova subestação de tração, a ser construída em Sete Rios, e que terá capacidade para alimentar os mais de 25 quilómetros deste troço.

O Algarve também tem muitas razões de queixa: no terceiro trimestre de 2021 deveria chegar a corrente elétrica aos troços Tunes-Lagos e Faro-Vila Real de Santo António, mas estas obras só vão arrancar no final de 2021 e ficar prontas no final de 2023. Em outubro, a IP lançou o concurso público para a ligação até Vila Real de Santo António; desde o final de dezembro que se procuram candidatos para as obras no troço Tunes-Lagos.

Também com atraso de quatro anos ficará concluída, em 2023, a construção da linha ferroviária entre Évora Norte e Elvas, que será fundamental para os portos de Setúbal e de Sines. Ao Dinheiro Vivo, fonte oficial indica que isto permitirá a "implementação de um novo serviço de passageiros direto entre Lisboa e Elvas, com um tempo de trajeto próximo das duas horas, o que corresponde a metade do tempo de trajeto atual", superior a quatro horas e com mudança de comboio no Entroncamento.

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