Coronavírus

Cortar OTT. “Não há indicio de que estamos na iminência de tomar medidas”

Alexandre Fonseca 
(Filipe Amorim / Global Imagens)
Alexandre Fonseca (Filipe Amorim / Global Imagens)

Operadora investiu "alguns milhões" no reforço da rede para responder aos picos e alteração da procura. Afasta para já medidas de corte de serviços.

Apesar dos crescimentos exponenciais do consumo de dados e de conteúdos em video streaming com os portugueses em casa por causa do surto do Covid-19, Alexandre Fonseca acredita que ainda “não há indícios” de que o sector das telecomunicações esteja na iminência de tomar medidas restritas previstas no decreto-lei do Estado de Emergência que prevê que as operadoras possam cortar serviços não essenciais para garantir a continuidade das comunicações fixas ou móveis. A Altice, diz o CEO, já investiu “alguns milhões” no reforço das redes nas últimas semanas.

“É um decreto-lei que mostra racionalidade e prevê o agravar de situações que poderão vir a acontecer no futuro, para que não tenhamos que tomar decisões em cima do joelho. O decreto-lei prevê a capacidade de podermos tomar essas medidas quando e se chegarmos a uma situação em que é necessário”, começa por referir o CEO da Altice.

“Neste momento tranquilidade. Não há necessidade, não foram tomadas, não estamos a prever nos próximos dias, pelo menos, ter de tomar medidas dessas, mas estamos atentos, vamos continuando a reforçar as nossas redes e se chegarmos a uma situação em que tenhamos de tomar decisões de garantir, por exemplo, conectividade a serviços de saúde em detrimento de serviços de entretenimento ou de jogo online, claramente que a decisão será tomada em prol da defesa dos portugueses em detrimento de outros serviços que não são de primeira necessidade”, diz.

“Não é esse o momento em que estamos, não prevemos nas próximas horas ou dias, isto tem de ser gerido ao dia, que venham a ser tomadas. Se tiverem que ser tomadas, sê-lo-ão e sempre com as prioridades definidas pelo Governo”, sintetiza o gestor em vídeo conferência com jornalistas depois da apresentação das contas de 2019 da operadora.

Com os portugueses em casa, os consumos de dados e conteúdos de entretenimento têm disparado.

“Estamos a verificar crescimentos significativos naquilo que são os consumos dos portugueses, seja porque estão em teletrabalho, seja em casa em lazer. O facto é que, quer nas redes fixas, quer nas móveis, quer no serviço de televisão, estamos a ver incrementos significativos naquilo que são a procura. O consumo de serviços OTT, os Netflix e afins, cresceram 45% apenas na última semana, o consumo de video clube cresceu cerca de 75 a 80%, os crescimentos das redes de dados no caso do serviço fixo são acima dos 35%. Estes crescimentos são muito significativos”, descreve o responsável.

Uma situação que não é única operadora a registar. Também a NOS, tal como noticiou o Dinheiro Vivo, tem vindo a registar crescimentos nas comunicações na ordem dos dois dígitos.

Alexandre Fonseca realça a capacidade de reposta que o sector das comunicações tem tido, considerando que as operadoras têm sido “extraordinariamente resilientes”. Apesar de crescimentos desta dimensão “não temos registo praticamente nenhum de falhas de serviços, seja na rede fixa, seja na móvel ou nos serviços de televisão”, reforça.

“Não é fruto do acaso mas de investimentos significativos que têm sido feitos. Nas últimas semanas as equipas de engenharia e de operações da Altice Portugal têm estado envolvidas quase diariamente em iniciativas de reforço das redes, das capacidades de cache, ou seja e armazenamento próximo de conteúdos para que seja mais fácil e mais seguro chegar a casa dos portugueses nas horas de pico, na adaptação das nossas redes, porque é sabido que aquilo que eram as nossas redes empresarias durante o dia e as redes mais de lazer à noite, hoje em dia esse balanço não existe está tudo concentrado de dia e de noite”.

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