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Costa Verde. De Aveiro para os casinos de Las Vegas, sem partir a louça toda

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Este ano, a Costa Verde fechou novos negócios com o mítico Ceasers Palace e com a cadeia de hóteis Hilton

O cenário é de luxo e ostentação. Em plena cidade do pecado, Las Vegas, nos Estados Unidos, alguns dos casinos mais famosos do mundo não prescindem da melhor porcelana. À mesa dos míticos Mandalay Bay, Venetian e, a partir deste ano, também no Ceasers Palace, todos os pratos, taças, travessas, pires, chávenas e canecas são 100% portugueses, vindos diretamente da fábrica Costa Verde, na região de Aveiro.

Na calha está também um novo contrato com a cadeia de hotéis Hilton, a somar aos contratos que a empresa de Vagos já tem nos EUA, a rondar um milhão de euros. No total, nos três resorts de Las Vegas desfilam todos os dias 725 mil peças de porcelana made in Portugal (e com design do ateliê londrino Studio Levien) – só no Mandalay Bay podem ser servidas 15 000 refeições ao mesmo tempo.

“Temos outros grandes mercados e clientes, que vão desde a Nespresso (Suíça), que é atualmente o nosso maior cliente e a quem fornecemos em 2017 cerca de 3,6 milhões de peças, até à cadeia de lojas John Lewis, em Inglaterra, Dinamarca, Holanda, Espanha, Itália, Coreia do Sul, Chile e Japão”, conta Francisco Proença, administrador industrial da Costa Verde.

Já para o mês de abril, está marcado o lançamento numa feira especializada, em Frankfurt, de uma nova linha de louça, a somar às 25 que já estão no mercado. Uma fatia de 75% da produção da Costa Verde é exportada para a União Europeia, Estados Unidos da América, Japão, Coreia do Sul, Inglaterra, Suíça, Dinamarca, Estados Unidos da América, África do Sul, Chile, Brasil, México, Angola entre outros países. Apenas 25% fica no mercado nacional.

Criada em 1992, a A Costa Verde dedica-se à conceção, desenvolvimento, fabrico e comercialização de louça cerâmica em porcelana para uso doméstico, hotelaria e restauração, com vendas que rondam um milhão de peças por mês e uma faturação anual na ordem dos 13,5 milhões de euros. No ano passado, a Costa Verde investiu 2,5 milhões de euros, grande parte desse valor na instalação de 3696 painéis fotovoltaicos, que produzem energia para a fábrica, o equivalente ao consumo de 490 famílias.

No complexo industrial de Vagos trabalham 320 trabalhadores numa linha de montagem que vai desde as matérias-primas que compõem a pasta de porcelana até à cozedura das peças a 1400°C. Só o forno principal, com 73 metros de comprimento , coze 15 toneladas de porcelana por dia .Tudo isto sob a batuta de um método de gestão trazido de longe, do Japão, para melhorar a produtividade da empresa.

Foi depois de um investimento de 5 milhões de euros na empresa, em 2006, que a Costa Verde se apercebeu que “faltava algo”. “Estávamos em 2007 e a empresa estava bem, mas faltava algo. Não é que estivéssemos mal, mas algo nos faltava na logística, na implementação, no planeamento. Queríamos uma forma organizada de mudança e por isso contratámos consultores externos do Kaizen Institute do Porto”, conta.

O resultado foi uma evolução do sistema organizacional, com a implementação do método Kaizen como forma de melhorar a produtividade, através de uma “reestruturação e otimização profunda nos postos de trabalho para responder a um mercado cada vez mais competitivo. Internamente foi um ponto de mudança. Fomos buscar mais do que pretendíamos: qualidade, produtividade, melhoria dos postos de trabalho, setup das máquinas, logística, planeamento, etc.

O resultado foi uma cadeia de valor mais simples, em que toda a gente percebe a forma de trabalhar”. Com o método Kaizen, a Costa Verde registou um pico de melhoria na produtividade de 51,8% em 2011.
Com uma forte componente de inovação interna, a empresa tem procurado sempre desenvolver soluções próprias para os problemas que surgem na linha de produção.

Prova disso é a nova máquina de fabrico automatizado de asas (com uma tecnologia de enchimento sob pressão), criada pela “prata da casa”, que reduziu para metade o número de processos necessários, com ganhos imediatos ao nível de custos, tempo e produtividade.

Agora, a fábrica alemã Sama, que construiu a máquina em parceria com a Costa Verde, interessou-se pela ideia e poderá escalar a sua produção para todo o mundo.

Definindo-se como uma fábrica de “olaria automatizada”, a Costa Verde introduziu também a prensagem isostática de chávenas, que passaram a custar menos 25% por unidade, com um aumento de 31% na qualidade. O método Kaizen, diz Francisco Proença, permitiu otimizar o comboio logístico da fábrica para operar apenas com uma pessoa.

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