Covid-19. Hotelaria pode perder mais de 3 mil milhões de euros em 2020

As projeções realizadas pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) admitem que uma perda de receita de menos de 70% pode traduzir-se numa perda de 3,2 mil milhões de euros neste ano. Num cenário mais gravoso, em que a perda de receita seja inferior a 80%, a quebra da receita pode ser de 3,6 mil milhões de euros.

Portugal é um país periférico cuja atividade turística está fortemente dependente do transporte aéreo. Não é segredo que o turismo e a aviação civil são dois dos setores mais duramente afetados pela pandemia de covid-19. A retoma da atividade das companhias aéreas está a ser feita a conta gotas. As previsões para a atividade são de quedas significativas em termos de receita em especial no primeiro trimestre.

Em 2019, as receitas turísticas em Portugal ascenderam a 18.437 milhões de euros. A AHP estima que o contributo da hotelaria nacionais para este valor total foi de 4,48 mil milhões de euros. Tendo em conta este valor, a associação realizou algumas projeções. Se a receita recuar menos de 70%, isso significa que a hotelaria vai ter uma perda na ordem dos 3,2 mil milhões de euros. No entanto, se a quebra nas receitas for de menos de 80%, a fatura será ainda mais pesada. A hotelaria - projeta a associação - uma perda de 3,6 mil milhões de euros.

A AHP tem realizado um inquérito junto dos seus associados para medir a temperatura ao setor. Na terceira fase deste estudo - realizado entre 15 e 29 de maio - uma das conclusões que foi possível tirar é que a maioria dos inquiridos estima que tenha registado uma queda na taxa de ocupação entre os 70% e 90% durante os primeiros seis meses deste ano. Olhando, contudo, para o global do ano de 2020 há alguma melhoria. A maioria acredita que a queda da taxa de ocupação será entre 50% a 70%, o que reflete a expectativa de algumas melhorias em termos da captação de turistas no segundo semestre do ano.

Hotelaria a meio-gás

Os dados recolhidos pela AHP mostram que 80% das unidades hoteleiras em Portugal estiveram encerradas. A 19 de março entrou em vigor o Estado de Emergência no País, que se prolongou por todo o mês de abril, estando assim em vigor restrições de movimentos - inclusivamente durante a Páscoa estavam proibidas as mudanças de concelho para a maioria dos cidadãos, algo que também aconteceu no final do mês.

Em maio, houve já algumas unidades a abrir portas, mas mesmo assim 72% continuavam encerradas. As que estavam abertas não tinham a capacidade total instalada disponível. Junho é o mês em que muitos começam a dar o pontapé de saída na reabertura, a tempo do verão, mas sempre sem utilizarem toda a capacidade disponível.

Tal como esperado, o mercado nacional é quem está a fazer a maioria das reservas. Os mercados emissores de turistas tradicionais para Portugal - Espanha, Reino Unido, França e Alemanha - têm também reservas. Cristina Siza Vieira explicou, em conferência de imprensa, que este efeito deve-se também a reservas que foram adiadas e também a uma procura orgânica.

A CEO da AHP disse ainda que “não vai haver saldos na hotelaria”, admitindo ainda assim que se vá verificar “ajustes e promoções”, isto de acordo com o estudo realizado pela associação.

Uma outra conclusão do inquérito da AHP é que a grande maioria da hotelaria nacional colocou os seus recursos humanos em regime de lay-off simplificado. Os pedidos foram sobretudo realizados em abril, maioritariamente com o objetivo de perdurarem por três meses.

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