Ferrovia

CP adia manutenção de comboios regionais para evitar supressões

Comboios da CP. Fotografia: Direitos reservados
Comboios da CP. Fotografia: Direitos reservados

Empresa prolonga circulação de automotoras elétricas por mais dez meses de norte a sul do país. Segurança dos passageiros não está em causa.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, anunciou na semana passada a retoma da oferta de lugares nos comboios regionais, sobretudo na ligação entre Lisboa e Tomar. Isto foi feito à custa do regresso aos carris de algumas das automotoras elétricas que estavam encostadas nas oficinas do Entroncamento da empresa de manutenção EMEF. A CP decidiu prolongar os ciclos de manutenção do material utilizado nestes comboios por mais dez meses.

Além de evitar a supressão de comboios, a empresa também dá mais tempo para que a EMEF possa reforçar e formar os novos operários que vão entrar na empresa nos próximos meses. A segurança dos passageiros não está em causa, garante a comissão de trabalhadores da CP. O DN/Dinheiro Vivo contactou a administração da CP, mas não recebeu resposta até ao fecho desta edição.

“A CP decidiu alargar por dez meses os ciclos de manutenção das automotoras elétricas UTE 2240, que fazem o serviço regional de norte a sul do país. Desta forma, evita-se que 34 das 52 automotoras elétricas tenham de ficar paradas a partir de janeiro”, explicou Catarina Cardoso, da comissão de trabalhadores, ao DN/Dinheiro Vivo. A mesma dirigente assinala também que esta situação “não coloca em causa a segurança dos passageiros. A extensão do número de quilómetros está dentro dos níveis de segurança”.

Com o prolongamento da circulação por mais dez meses, as 34 automotoras elétricas apenas vão fazer a revisão geral de material a partir de setembro ou de outubro do próximo ano. Nessa altura, “espera-se que já tenham entrado mais 40 pessoas nas oficinas da EMEF no Entroncamento que cuidam das UTE 2240”, adianta Silvestre Grosa, dirigente da comissão de trabalhadores da empresa de manutenção ferroviária. Estes reforços, no entanto, “ainda precisam de formação”.

A mesma expectativa tem a comissão de trabalhadores da CP. “A empresa não pode simplesmente empurrar o problema para o final do próximo ano. Tem de ter um plano de recuperação de material devidamente detalhado, que inclua a contratação de pessoas e a compra de peças para que os comboios possam circular sem quaisquer restrições”, ressalva Catarina Cardoso.

As UTE 2240 – unidades triplas elétricas – são consideradas das mais fiáveis do parque ativo da CP e prestam serviço em todas as linhas eletrificadas, como a Linha do Norte, a Linha do Sado (ligação entre Barreiro e praias do Sado), na Beira Baixa e na Beira Alta. Só não circulam na zona sul do país. Têm ainda ajudado a resolver algumas falhas nas carruagens Intercidades, por exemplo, na ligação entre Lisboa e Évora, como noticiado em julho pelo DN/Dinheiro Vivo.

Estas automotoras elétricas, no entanto, têm tido alguns problemas de manutenção nas últimas semanas, por causa da falta de pessoal e de peças na EMEF. Os comboios sobrelotados entre Lisboa e Tomar foram os mais noticiados, porque em vez de serem utilizadas duas UTE apenas circulou uma unidade durante a hora de ponta. No mês passado registaram-se ainda algumas supressões nas ligações entre Aveiro e Coimbra e também houve redução da oferta na Linha do Sado.

Automotoras a gasóleo continuam a falhar

Os problemas com os comboios da CP permanecem na Linha do Algarve. Pelo menos um comboio é suprimido todos os dias por avarias nas automotoras a gasóleo UDD 450, que contam com mais de 50 anos de serviço. Esta situação deixa os passageiros à espera nas estações sem qualquer alternativa enquanto não vier o comboio seguinte. Na Linha do Oeste, o cenário é diferente: foram retomados no domingo os horários anteriores ao corte de 5 de agosto graças à vinda de duas automotoras a gasóleo da série 592 que a CP está a alugar à congénere espanhola Renfe. Este material estava a ser utilizado para os comboios turísticos do Douro.

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