Transporte Ferroviário

CP corta 60 comboios na linha de Sintra em dois dias

CP suprimiu comboios
Fotografia: Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

Falta de peças e de pessoal para fazer as reparações agrava circulação na linha mais utilizada do país. Empresa garante melhoria nos próximos dias.

Atrasos e supressão de comboios é uma rotina quase diária na linha de Sintra, para desespero de milhares de passageiros. Mas a situação agravou-se nos últimos dois dias. Ao todo, mais de 60 viagens ficaram por realizar porque a CP não tem material disponível e porque as oficinas da EMEF – que faz a manutenção e reparação – continuam com falta de pessoal e de peças. Os problemas acontecem, sobretudo, na hora de ponta. A CP garante que vai haver solução nos próximos dias.

“A CP confirma que se verificaram supressões na linha de Sintra, nos últimos dois dias, relacionadas com excesso de imobilizações do material circulante”, justifica fonte oficial da transportadora ao Dinheiro Vivo.

Os problemas começaram na segunda-feira: houve 20 comboios que ficaram por realizar na hora de ponta da tarde: três entre Sintra e Lisboa-Oriente; três entre Alverca e Sintra; e 14 entre Lisboa-Rossio e Meleças.

Só ontem foram 40 supressões, nas horas de ponta da manhã e da tarde: três viagens por realizar entre Lisboa-Oriente e Sintra; seis entre Alverca e Sintra; mais 25 comboios suprimidos entre Lisboa-Rossio e Meleças.

A linha de Sintra funciona com as UQE 2300/2400 – automotoras elétricas com quatro unidades. Atualmente, há 50 automotoras das séries 2300 e 2400 no parque ativo; mais 10 automotoras da série 3500 (as únicas unidades de dois andares da CP).

Diariamente, são necessárias 40 unidades para garantir os horários, mas praticamente todos os dias há comboios suprimidos por falta de meios para reparação, sobretudo das séries 2300/2400.

No serviço urbano de Lisboa, as supressões na hora de ponta implicam que os restantes comboios circulem muito perto da capacidade máxima ou mesmo em sobrelotação. Uma situação agravada com o aumento do número de passageiros decorrente da introdução, em abril, do passe único, mais barato.

A transportadora diz que está em trabalhar em conjunto com a EMEF “para que, no mais breve espaço de tempo possível, sejam repostos os níveis de disponibilidade do material circulante, o que deverá ocorrer nos próximos dias”.

A empresa defende que houve mais comboios na linha de Sintra nos primeiros quatro meses do ano em comparação com o ano passado. “Os níveis de regularidade da linha de Sintra em 2019, até ao final do mês de abril, foram de 98,3%, traduzindo uma melhoria relativamente ao ano de 2018, no qual este índice foi da ordem dos 96%.“

Em paralelo, CP e EMEF estão a discutir uma alteração dos ciclos de manutenção dos comboios. A empresa de manutenção entende que os comboios devem fazer menos visitas às oficinas mas que obrigariam a paragens mais prolongadas; a transportadora sustenta que o material deve passar mais vezes pelas oficinas mas ficar encostado por menos tempo, segundo apurou o Dinheiro Vivo.

O próprio ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, assumiu, no final de abril, os problemas da empresa pública de comboios. A CP “tem de ser uma empresa honesta, que não prometer o que não consegue cumprir. E tem de ser pontual, cumprir horários.”

A federação de sindicatos FECTRANS garante que “há um problema de fundo na EMEF”, com a falta de funcionários e a falta de peças. E avisa que “o verão deste ano será ainda mais grave do que o do ano passado”, em que houve redução de horários nas linhas de Sintra, Cascais e Oeste e comboios suprimidos nas linhas do Alentejo e do Algarve”.

(Notícia corrigida às 11h01: a CP defende visitas mais curtas às oficinas, ao contrário do que foi escrito na versão original deste texto)

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