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CP quer comboios diretos entre a Gare do Oriente e Cascais

Gare do Oriente
 
(Arquivo/Global Imagens)
Gare do Oriente (Arquivo/Global Imagens)

Transportadora tem plano de investimento de 540 milhões de euros para compra de novos comboios ao longo desta década.

A CP quer fazer comboios diretos entre a Gare do Oriente e Cascais. A ideia consta do contrato de serviço público entre a transportadora ferroviária e o Estado e incluiu um plano de 540 milhões de euros para novo material circulante durante esta década. No total, são perto de 70 unidades que poderão reforçar ou modernizar os serviços de longo curso, regionais ou mesmo comboios urbanos.

A realização dos comboios Oriente-Cascais depende da IP – Infraestruturas de Portugal e da compra de 18 automotoras elétricas. A ligação entre a Linha de Cascais e a Linha de Cintura só poderá ser feita com o desnivelamento do troço ferroviário entre Alcântara-Terra e Alcântara-Mar e a construção de uma estação subterrânea de Alcântara-Terra. Orçada em 200 milhões de euros, esta intervenção poderá ficar concluída em 2027, ao abrigo do programa de investimentos para 2030.

Além de acabar com o isolamento da Linha de Cascais, aquele investimento vai permitir ligar Cascais à zona oriental de Lisboa em menos de uma hora. Está prevista a realização de comboios diretos a cada 15 minutos nas horas de ponta, refere o contrato de serviço público validado pelo Tribunal de Contas e que foi consultado pelo Dinheiro Vivo. Atualmente, aquela ligação por transporte público demora pelo menos uma hora e 10 minutos e obriga a transbordos.

Antes disso, a CP conta com a compra de 30 automotoras elétricas para a Linha de Cascais. Até ao final de 2023, está previsto que a ligação entre Cais do Sodré e Cascais tenha um novo sistema de eletrificação, a 25 mil volts em corrente alternada, tal como existe na restante rede ferroviária. Assim que chegarem os novos comboios para Cascais, deixarão de ser vistas automotoras que circulam naquele traçado há 60 anos.

A CP também pretende reforçar a frota do Alfa Pendular. Há uma ‘fatia’ de 210 milhões de euros para a compra de um total de 12 novos comboios “topo de gama”. O primeiro pacote, de seis unidades, deverá chegar até ao final de 2024; as restantes seis unidades deverão juntar-se à frota da transportadora até ao final de 2029.

Está ainda previsto um investimento de 30 milhões de euros em seis novos comboios para a linha do Vouga, que só deverão entrar ao serviço em 2030 – em julho, o presidente da CP, Nuno Freitas, adiantou que poderiam vir 8 automotoras para aquela linha.

Recuperação de material

Em novembro do ano passado, o líder da CP indicou que a empresa pública ferroviária vai precisar de entre 200 e 250 novos comboios nas próximas duas décadas para manter os níveis de serviço.

Apesar de este plano de aquisições só responder por um terço deste objetivo, a transportadora está a reforçar a sua frota para evitar supressões de comboios.

Além da recuperação de um total de 70 unidades que estava encostado no Entroncamento – no valor de 45 milhões de euros – e na compra de 51 carruagens usadas a Espanha, sobretudo para o serviço Intercidades – no valor de 10 milhões de euros.

A partir de 2023 também está prevista a chegada de 22 novos comboios para o serviço regional, fabricados pelos suíços da Stadler. No entanto, os espanhóis da CAF impugnaram o concurso para a compra de 10 automotoras elétricas e 12 automotoras híbridas (podem funcionar a gasóleo ou com corrente elétrica).

CP e Estado assinaram um contrato de serviço público ferroviário até ao final de 2029 e que pode ser prolongado por mais cinco anos para abater os investimentos em novos comboios. A transportadora ferroviária, com este acordo, será compensada num total de 850 milhões de euros.

Intercidades com novos destinos

O serviço Intercidades vai ter novos destinos nos próximos anos. A CP pretende levar este comboio de longo curso à cidade alentejana de Elvas e às cidades algarvias de Lagos e de Vila Real de Santo António. A concretização destes objetivos depende da IP – Infraestruturas de Portugal. Para o Intercidades chegar a Elvas, é preciso concluir a construção do troço a partir de Évora e garantir que esta linha serve para o transporte de mercadorias e de passageiros.

Para já, este cenário foi ignorado pela IP, o que pode penalizar a ligação a Lisboa em mais 10 a 15 minutos. A chegada do Intercidades a mais duas cidades algarvias depende da eletrificação dos troços Tunes-Lagos e Faro-Vila Real de Santo António, que só deverão ficar concluídas em meados de 2023. Quando esses trabalhos estiverem concluídos, também haverá um novo horário para o serviço regional no Algarve.

No centro do país, a CP vai prolongar o Intercidades Lisboa-Covilhã diretamente para a Guarda, a partir de 2022, em vez de serem necessários dois comboios. Na Linha do Leste, a transportadora quer pôr ao serviço as automotoras duplas Diesel da série 450, abatendo as unidades Allan atualmente ao serviço.

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