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Credores reprovam venda da maior fábrica de cogumelos portuguesa

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A aquisição da Sousacamp foi chumbada por falta de garantias.

Os credores reprovaram a proposta de aquisição da maior fábrica de cogumelos portuguesa, a Sousacamp, por falta de garantias financeiras, disse hoje à Lusa o administrador judicial do processo de insolvência, Bruno Costa Pereira.

A data limite para os credores, o maior dos quais o Novo Banco, se pronunciarem sobre a proposta de recuperação terminou na quarta-feira e a decisão foi de rejeição por falta de garantias financeiras do consórcio constituído por dois empresários, um espanhol e outro belga.

O administrador judicial explicou à Lusa que a empresa de cogumelos, que tem 90% do mercado português, segue agora para liquidação, mas vai continuar a laborar normalmente e até ao final do ano espera ter a solução definitiva entre “um conjunto de players (operadores)” nacionais e estrangeiros que já manifestou interesse no grupo.

Bruno Costa Pereira reiterou que a via da liquidação “não significa fechar a empresa” e garantiu que “já estão identificados um conjunto de investidores que têm manifestado interesse” e com os quais vai iniciar imediatamente contactos.

“Estamos a falar de uma empresa que é líder incontestável de marcado e num setor em crescendo”, vincou, acrescentando que apesar da insolvência e das dívidas de 60 milhões de euros, sobretudo à banca, o grupo Sousacamp continua a laborar com os impostos em dia e os salários dos cerca de 500 trabalhadores.

No malparado do Novo Banco há empresas que podem ser salvas. Leia aqui

O administrador judicial definiu como meta o final do ano para apresentar uma proposta que pode passar pela venda do estabelecimento ou pedir nova assembleia de credores para votar novo plano de recuperação proposto por novos interessados no grupo com sede na aldeia de Benlhevai, concelho de Vila Flor, no distrito de Bragança.

A proposta agora reprovada foi apresentada à assembleia de credores pelo atual acionista e fundador da Sousacamp e surgiu de um empresário belga e outro espanhol, que constituíram uma sociedade em Portugal – “Rudi & Mittelbrunn, Lda” – para o efeito.

Um dos dois empresários apresentado como “mundialmente conhecido” é Rudi François J. Joris, um belga radicado na Polónia “considerado uma referência mundial na formação técnica e profissional no setor dos cogumelos”. O outro investidor é o espanhol Ignacio Felipe Mittelbrunn Fuentes que se propõe fazer uma parceria com o grupo brasileiro BDN, que atua no mercado nas áreas do agronegócio, imobiliária, financeira e saúde.

A nova sociedade propunha-se realizar uma injeção de capital de 25 milhões de euros e pagar a dívida com perdão até 65% por parte dos credores e diluída em 10 anos, mas não apresentou as garantias de financiamento por parte da banca. Os credores não aceitaram a proposta e nos próximos meses o administrador judicial vai negociar uma alternativa, convicto de que “pode ser um processo ágil”. “Não vamos começar do zero, a insolvência também permitiu dar visibilidade ao grupo”, afirmou à Lusa.

O Grupo Sousacamp nasceu da iniciativa empresarial de dois irmãos na aldeia de Benlhevai, em Vila Flor, há cerca de 30 anos. Apenas um dos irmãos acabou por ficar com o negócio que expandiu, além da empresa-mãe, a Paredes, Vila Real e Espanha. Tornou-se num dos maiores produtores de cogumelos ibéricos com mais de metade da produção a ser exportada para Espanha, França e Holanda, além de conquistar 90% do mercado português.

Apesar da situação de insolvência, a empresa-mãe continua a laborar a assegurar rendimento suficiente para manter salários e impostos em dia.

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