a vida do dinheiro

Cristina Dourado. “Humberto Pedrosa tem vontade de investir nos transportes”

Cristina Dourado, administradora delegada da Fertagus, fotografada dentro de um dos 18 comboios utilizados pela empresa.
(Carlos Costa/Global Imagens)
Cristina Dourado, administradora delegada da Fertagus, fotografada dentro de um dos 18 comboios utilizados pela empresa. (Carlos Costa/Global Imagens)

Gestora dos comboios da Ponte 25 de Abril investiu 10 milhões de euros na renovação do material circulantes nos últimos anos.

A operação da Fertagus e do Metro do Porto podem deixar de ser as únicas operações ferroviárias do grupo Barraqueiro em Portugal. Na segunda parte da entrevista ao programa A Vida do Dinheiro, a administradora delegada da Fertagus, Cristina Dourado, fala sobre os 10 milhões de euros investidos na revisão dos comboios da empresa nos últimos anos e comenta as ligações ferroviárias entre as duas margens do rio Tejo.

A economista fala ainda sobre o interesse do grupo Barraqueiro na liberalização do transporte ferroviário de passageiros em Portugal.

Pode ler aqui a primeira parte da entrevista a Cristina Dourado.

Com a liberalização do mercado ferroviário, poderemos esperar a Fertagus a expandir as operações? Quais são os serviços mais interessantes?

O objeto da Fertagus faz apenas a ligação entre Setúbal e Roma-Areeiro, podendo prolongar até à Gare do Oriente. Qualquer outra exploração ferroviária implicaria a constituição de outra empresa para fazer esse tipo de operação de acordo com o âmbito do nosso contrato. O grupo Barraqueiro certamente estará disponível para investir no meio ferroviário, decorrente da liberalização. Tem neste momento capacidade técnica para ser um operador ferroviário de âmbito nacional.

O grupo Barraqueiro está interessado na associação com parceiros para o mercado ferroviário, sobretudo no longo curso?

Diria que sim. O sr. Humberto Pedrosa tem dado capacidade e vontade de investir no futuro dos transportes.

A terceira travessia do Tejo tem interesse para a Fertagus e o grupo Barraqueiro?

Tínhamos uma proposta para a terceira travessia do Tejo de reformulação do serviço ferroviário da Fertagus. Faríamos uma ligação circular que funcionaria pela nova ponte nos dois sentidos de forma a podermos aproveitar melhor o material circulante com terminais na margem sul que permitissem dar resposta à hora de ponta e fazer a ligação também à Gare do Oriente.

Qual seria o corredor?

Chelas-Barreiro. Poderíamos fazer uma via circular, com vantagens na deslocação das pessoas entre margens.

E o acesso ao aeroporto do Montijo deveria ter ferrovia?

Poderia mas não sei se vai ter porque aparentemente há um espaço-canal que poderia ser aproveitado mas não me parece que haja essa opção.

Essa travessia seria uma opção para a Fertagus?

Poderia ser.

Que opinião tem sobre o novo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos? O que pode fazer de diferente face a Pedro Marques?

Ainda não tive oportunidade de falar com o novo ministro. Não tenho opinião formulada. sobre ele. Quando se anunciou a integração da Fertagus no passe metropolitano o ministro esteve desde a primeira hora nessa comunicação. Para mim, foi um sinal de que o ministério continua atento às preocupações da ferrovia. Ficámos muito sensibilizados por essa posição firme nessa matéria.

Pela primeira vez desde 1999, a Fertagus tem de lidar com dois ministérios, as infraestruturas (ferrovia) e o ambiente (transportes urbanos). É pacífico lidar com uma tutela dupla?

A nossa tutela é exercida pelo IMT – Instituto da Mobilidade e dos Transportes e pelas Finanças. Cabe ao IMT a síntese destas questões. Não sinto que seja nenhum impedimento e que cause constrangimento. Com a AML temos lidado diretamente porque temos feito um trabalho técnico com eles para estudar a implementação do novo passe. Temos tido uma cooperação muito boa com a AML – Área Metropolitana de Lisboa.

A CP tem enfrentado vários problemas com o material circulante e a manutenção. Com a gestão privada, estes problemas não existiriam? Seria possível melhorar o serviço com menos gastos para o Estado?

Não conheço em pormenor a situação da CP. Podemos dizer que na Fertagus asseguramos e controlamos a manutenção dos nossos comboios. Temos 18 operadores de manutenção diariamente e assumimos ainda as grandes intervenções. A nossa forma de organização da manutenção decorrente do número reduzido de comboios que temos permite-nos a manutenção corrente e pesada dos comboios, que se baseia numa grande flexibilidade em como as coisas são feitas e à rapidez com que intervêm no intervalo dos períodos de ponta. As dificuldades de manutenção da CP acredito que tenham a ver com a sua dimensão. Fizemos as grandes reparações nos comboios, que correram bem. É um investimento que pagamos na renda.

Quanto custaram estas reparações?

Investimos 10 milhões de euros. Fizemos alterações significativas nos comboios: substituímos as janelas, estamos a tratar das caixas, fizemos as grandes reparações nos equipamentos de segurança, desenvolvemos dois equipamentos novos, em parceria com duas universidades, e que já não conseguíamos comprar no mercado.

 

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