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Cruzeiros. As cidades all included estão a conquistar os portugueses

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Turistas nacionais ainda são uma gota num grande oceano que já faz férias em cruzeiro. Veja como funcionam os ‘hotéis flutuantes’.

São dez horas. O tapete vermelho que percorre o porto de cruzeiros do Dubai em direção ao navio da MSC vai sendo pisado ao embalo de diferentes idiomas. Também se ouve falar português. Benedito é o comandante de um grupo de seis portugueses que acabam de fazer check-in no Terminal 3.

“Sou eu que faço a pesquisa e organizo a viagem”, começa por dizer, num tom enérgico que faz esquecer que o dia, para ele, afinal, começou ontem. “Este já é o quinto cruzeiro que fazemos, já temos uma certa tarimba com estes camaradas…” É interrompido pelo reparo de Arlindo: “Não digas camaradas, vão ficar a achar que somos comunistas”. Recupera-se da gargalhada e Benedito retoma o discurso. “Tem muitas vantagens: sabemos que temos aquele quarto, não precisamos de andar de hotel em hotel, a fazer e desfazer malas, e tem tudo. Tem animação, piscinas, jacuzzis…” Todos confirmam, e encaminham-se para o embarque. “Já estou a pensar na próxima viagem!”

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Dentro do navio da MSC Cruzeiros já estão Marcos e Marlene, de Vale de Cambra. “Começámos há quatro anos com o nosso primeiro cruzeiro. Fizemos o Mediterrâneo no Magnífica, depois percorremos o Norte da Europa no Música, no ano passado conhecemos as Caraíbas com o Seaside e agora estamos no Splendida a conhecer os Emirados Árabes”, conta Marlene, enquanto se estreia no lounge da recepção do navio, que todas as noites troca a azáfama deste entra e sai de primeiro dia de viagem por música ao vivo acompanhada ao piano.

“Porque é que optamos por fazer cruzeiros? É uma forma de termos comodidades que muitos hotéis não têm e de conhecermos quatro ou cinco destinos num cruzeiro com um custo muito inferior do que se tivéssemos de ir a cada um deles”, acrescenta a diretora de recursos humanos com a eloquência de quem está habituada a ser ouvida. “Eu gostei muito de São Petersburgo, por exemplo, quando já não quiser fazer cruzeiros posso sempre ir conhecer com mais tempo essa cidade”.

Há já duas épocas que o MSC Splendida, da classe Fantasia, faz o percurso dos Emirados – em breve passará para a China, deixando este destino para o Bellissima, navio de nova geração, com mais capacidade e atrações – que arranca no Dubai, passa por Abu Dhabi, desce a Omã para dar a conhecer a grande mesquita de Muscat e volta a terminar no Dubai, passando antes pelos fiordes de Khasab.

Dubai, a cidade mais moderna do mundo, é a grande curiosidade dos turistas, e a culpada para que este percurso seja o mais procurado pelos portugueses que viajam com a italiana MSC. Os cruzeiristas nacionais ainda são uma pequena gota num grande oceano que já faz férias em cruzeiro, mas têm vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. O tipo de viajantes também tem mudado. “Há vários mitos, que é de luxo, muito caro, ou que é para velhotes. É certo que há uma tendência para ser mais procurado pela faixa etária dos reformados, mas isso não impede que os mais jovens se divirtam. O que conta é o espírito e saber aproveitar”, diz Marlene.

“Numa semana aqui já vesti mais os calções do que num verão inteiro no Algarve”, conta José Ribeiro. Gere dois restaurantes no Algarve e, por isso, tem na época baixa a única oportunidade para férias. Vir aos Emirados para fazer um cruzeiro foi “um tiro no escuro” para alguém pouco entusiasta de barcos. Mas o balanço, diz, é positivo. “Repetir? Não digo que não, foi uma muito boa experiência. Muito boa mesmo e os empregados – 5 estrelas.”

É uma questão de conveniência, diz, por sua vez, José Castela. Faz parte do grupo de 35 pessoas que veio de Lagos para conhecer as Arábias -, o mesmo de José Ribeiro e da mulher, Dora. Chegaram uma semana antes e, por isso, enquanto Marcos e Marlene iniciam viagem, as suas malas já estão feitas para desembarcar. Com já três cruzeiros no currículo, José Castela e a mulher, Margarida, admitem que são fãs deste modelo. O do hotel ambulante, disponível 24 horas por dia, onde os turistas apenas têm um mandato: usufruir. “Entramos numa cidade, saímos noutra, só temos de passear. E pelo barco é só usufruir às horas que quisermos, o que quisermos”.

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Parece fácil, mas envolve muito mais do que o olhar do turista consegue alcançar. O MSC Splendida, com capacidade para 4363 passageiros conta com 1370 tripulantes.

“Há quatro zonas do navio que nunca param: a receção, a ponte (sala de comandos), a lavandaria e a cozinha”, explica ao Dinheiro Vivo Pietro Pratillo, lembrando que as equipas são compostas pelo staff e pelos tripulantes. Estes últimos raramente são vistos pelos cruzeiristas. É International Host com mandato para mostrar o navio aos passageiros, por isso, conhece de cor o gigantismo do Splendida: “Para uma semana de viagem o navio precisa de 650 toneladas de combustível”. E, para saciar o apetite dos hóspedes, são necessárias quantidades que surpreendem qualquer dono de restaurante: em oito dias utilizam-se 10 toneladas de farinha, 30 toneladas de frutos, 9 toneladas de carne e 37 toneladas de ovos.

A cozinha, que fica entre os restaurantes La Reggia e Villa Verde, no sexto piso (deck 6) é uma verdadeira fábrica. Conta com 180 cozinheiros e ajudantes, que se revezam sem paragens durante 20 horas por dia. Só a padaria conta com 52 pessoas que, como qualquer boa nonna italiana “fazem massa caseira a toda a hora, seja para pão, pizza ou bolos. Há sempre pizza a sair dos fornos”, reforça, assumindo que a farinha vem de Itália e o sal da Sicília. Já a Mozzarella é feita a bordo.

Pietro também conhece os pormenores da ponte – a sala de controlo, no deck 15, de onde o comandante supervisiona o navio, com vida mais facilitada nos dias de hoje graças à tecnologia. “O piloto automático transformou a água em verdadeiros carris”, diz, assumindo que a estabilidade sentida a bordo é um fator de surpresa para quem se estreia em navios cruzeiros. Pietro avança ainda uma curiosidade: nas operações já só existe um dispositivo totalmente analógico – o barógrafo, que mede variações atmosféricas.

Mostrar o navio aos turistas é uma função relativamente nova para este italiano. Até há pouco tempo fazia parte da equipa de animação, mas saber inglês, francês, alemão, italiano e espanhol tiraram-no dos bastidores. “Saber línguas é algo muito valorizado”.

A bordo, a língua portuguesa vai-se ouvindo com sotaque brasileiro. Além dos turistas, que são em grande número, também se contam brasileiros ao serviço do navio. Aline está entre os 18 que aqui trabalham. Na última noite dormiu três horas e, mal pôde saltou do navio para ir à descoberta do Dubai. “Aqui trabalhamos muitas horas, mas não pagamos água nem luz, temos refeições, e recebemos o salário em dólares. Um dólar são quase 4 reais”, conta enquanto confere a bebida do dia a pedido de um casal.

Quando o fim de semana acabar, o Splendida termina esta jornada nas Arábias. Aline segue com ele para a China para mais dois meses de viagem. E, no final da época, vai esperar para ser chamada para um novo percurso. A rapidez do processo ditará se regressa a João Pessoa, terra Natal, para descansar ou se parte diretamente para um novo destino. O que visitar? “O Japão vale muito a pena conhecer, é tudo lindo e muito organizado”, sugere sem muita reflexão, enquanto se perde entre mesas e pedidos para um cocktail ou refresco.

*A jornalista viajou aos Emirados Árabes a convite da MSC Cruzeiros

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