Cruzeiros: Operadores confiantes na recuperação do negócio constroem novos navios

As empresas de cruzeiros têm registado uma retoma lenta da atividade, mas não esmorecem. Mantêm os planos de investimento na expectativa de que o número de passageiros comece a aproximar-se dos níveis pré-pandémicos já a partir do próximo ano

Foi ainda um ano atípico para a indústria dos cruzeiros, mas também de recomeço. Depois da tempestade que assaltou o setor quando deflagrou a pandemia, os navios começaram lentamente a fazer-se ao mar. As empresas não baixaram os braços e procuraram dar confiança aos passageiros aplicando rigorosos protocolos de saúde e segurança. Os turistas foram regressando aos conveses, embora os números continuem longe dos níveis pré-pandémicos - quando 30 milhões de pessoas desfrutaram de viagens de cruzeiro. Confiantes no negócio, os operadores admitem que 2022-2023 marcará o regresso em força desta indústria e estão a reforçar as suas frotas.

O plano de investimentos da MSC Cruzeiros, empresa líder na Europa e na América do Sul, prevê incorporar até 2027 mais nove navios na sua frota, que atualmente é constituída por 19 embarcações. Já neste ano, estrearam-se na arte da navegação o MSC Virtuosa e o MSC Seashore e, contra os ventos e as marés espoletados pela pandemia, a companhia anunciou a sua entrada no mercado de cruzeiros de luxo. O novo segmento de negócio estará sob a alçada da marca Explora Journey"s, que contará com quatro novos navios até 2026. O primeiro deverá iniciar viagens já em 2023.

O grupo Mystic Invest, do empresário português Mário Ferreira, também não se deixou abater pela crise que o setor enfrenta há quase dois anos. "Iremos reforçar a nossa aposta com a construção de novos navios para as diversas marcas e setores", sublinha ao Dinheiro Vivo. O grupo, que opera nos cruzeiros fluviais e oceânicos, tem em fase avançada de construção o World Traveller, que entrará no próximo ano em operação, e os estaleiros navais estão já a trabalhar no World Seeker, a lançar aos mares em 2023.

Estes dois navios irão reforçar a oferta da Mystic Cruises, atualmente composta por três embarcações. E Mário Ferreira projeta ainda renovar e aumentar a frota que opera no rio Douro "num futuro próximo".

Os projetos de investimento da Norwegian Cruise Line contemplam a introdução de seis novos navios até 2027. O primeiro deste plano, o Norwegian Prima, será lançado já em 2022 e insere-se numa estratégia de inovação e evolução da marca, assente na filosofia Guest First, adianta Kevin Bubolz, diretor da companhia para a Europa. Há poucas semanas, um comunicado da International Cruise Summit revelava que, a nível global, é esperada a entrada de 33 novos navios em 2022, entre os quais há 13 de grande dimensão.

"Estamos a ter um ano de 2021 moderadamente positivo", melhor do que era expectável, já que "não nos foi possível iniciar a operação até meados de abril e em alguns setores isso só foi possível em julho", aponta Mário Ferreira. Ainda assim, longe dos indicadores de 2019, "que foi o nosso melhor ano até à data". O empresário, que colocou praticamente toda a frota em operação - apenas duas embarcações ficaram amarradas -, acredita que "o próximo ano será de consolidação do processo de recuperação e o biénio de 2023-24 marcará um regresso forte da indústria".

A Norwegian Cruise Line não tem dúvidas que a procura por cruzeiros tem estado "reprimida" devido à pandemia. Exemplo disso foi o nível de reservas para o novo Norwegian Prima, cuja operação deverá arrancar no próximo verão.

Segundo Kevin Bubolz, "quebrou todos os recordes quando foi anunciado no início deste ano, tornando-se no navio mais procurado nos 55 anos de história da empresa". Os protocolos de saúde e segurança impostos pela indústria e a vacinação têm dado um impulso ao negócio. Como recorda o responsável, após 500 dias de paragem de atividade, a Norwegian Cruise Line lançou em julho o seu primeiro navio de cruzeiro e paulatinamente foi colocando em operação novas embarcações. Agora, nesta época de inverno, conta com 11 navios ativos, de uma frota de 17.

A MSC admite que na primavera de 2022 já terá toda a frota a navegar. Para já, estão 12 navios nos mares e dentro de poucos dias juntar-se-á outro. "2021 foi um ano de recomeço e estamos a chegar ao seu final já muito consolidados para que 2022 seja de reconstrução", frisa fonte oficial.

A companhia acredita mesmo que o verão do próximo ano já "será mais próximo do que era nos níveis pré-pandemia, pois as pessoas querem continuar a fazer férias e cruzeiros".

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