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CT diz que adesão à greve na Efacec Energia é de 80% e empresa aponta 20%

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A Comissão de Trabalhadores da Efacec diz que a greve de hoje está a registar uma adesão de 80%, a empresa aponta 20%.

A Comissão de Trabalhadores da Efacec diz que a greve de hoje está a registar uma adesão de 80% entre os operários da Efacec Energia, cuja produção “está parada”, mas a administração reportou à Lusa uma adesão de 20%.

Segundo Ana Paula Vitorino, da Comissão de Trabalhadores (CT) da Efacec Engenharia, a greve de 24 horas que arrancou às 00:00 de hoje mobilizou “cerca de 80%” dos operários da Efacec Energia, “que é a que está a ser mais afetada” pelos “despedimentos encapotados” e pelo “ambiente de terror” que garante viver-se na empresa.

Frente às instalações da Arroteia, em S. Mamede de Infesta, Matosinhos, esteve durante a manhã concentrado um piquete de greve que, de acordo com esta responsável, juntou “cerca de duzentos trabalhadores” que distribuíram um comunicado “a desmontar todas as mentiras que a empresa vem dizer à comunicação social”.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da Efacec garantiu, contudo, que a adesão à greve ronda os 20% entre os operários da Efacec Energia, “o que representa 9% do total dos trabalhadores da Efacec Energia e 5% do total dos colaboradores do Grupo Efacec em Portugal”.

Quanto à concentração marcada para o período das 08:00 às 17:00 de hoje frente à empresa, a Efacec diz ter juntado, durante a manhã, “cerca de 60 trabalhadores”.

No comunicado distribuído hoje, as Organizações Representativas dos Trabalhadores (ORT) da Efacec denunciam que, desde julho de 2017, foram já criadas três listas para dispensar um total de 150 trabalhadores, a últimas das quais “lançada em 15 de março, com mais 49 nomes”, que terão sido “pressionados a aceitar a rescisão” como alternativa “a um despedimento coletivo”.

“Os trabalhadores não entendem a posição da empresa que, por um lado, vai para a comunicação social apresentar-se como empregadora de referência e, por outro lado, cria listas e exerce ações persecutórias sobre quem não aceita o plano de ‘rescisões’, que não é mais do que um despedimento ‘encapotado'”, sustentam.

Em comunicado divulgado na quinta-feira, a Efacec assegurou, contudo, que estas acusações são “totalmente falsas” e reafirmou-se como “indiscutivelmente um recrutador de referência em Portugal, hoje e nos próximos anos”.

A este propósito, recordou ter em curso um programa de recrutamento (o 700 Recruta +) que prevê a admissão de 700 trabalhadores até 2020, sobretudo para as áreas de mobilidade elétrica e automação, adiantando que nos dois primeiros meses de 2018 já contratou 85 colaboradores.

As ORT denunciam, contudo, que a intenção da empresa “é fazer despedimentos com o intuito de substituir mão-de-obra qualificada e com vínculo efetivo por trabalhadores à procura do primeiro emprego e estagiários, precários e sem direitos, ou seja, reduzir custos e aumentar os lucros à custa dos trabalhadores”.

Segundo referem, em “09 de janeiro de 2017 a Efacec Energia e a Efacec Engenharia apresentaram um pedido de extensão de empresas em reestruturação para o triénio 2017/2019 em que, entre outras medidas de reestruturação, estão previstas 409 rescisões de contrato por mútuo acordo”, 118 das quais na área da energia e 291 na de engenharia.

Para fundamentar este pedido de extensão, explicam, a empresa sustenta que “o projeto de reestruturação ainda não se encontra devidamente implementado”, aponta um “sobredimensionamento na estrutura dos recursos humanos” que pode ameaçar “a sustentabilidade económico-financeira” do grupo, e faz referência a um “decréscimo da atividade”.

Contestando estes argumentos, os representantes dos trabalhadores apontam o lucro de 4,3 milhões de euros obtido pela Efacec em 2016, com o negócio da Energia a passar de um prejuízo de 937 mil euros em 2015 para um lucro de 4,9 milhões de euros no ano seguinte e a Efacec Engenharia a mais do que duplicar o resultado líquido, de 1,8 para 3,8 milhões de euros.

De acordo com Ana Paula Vitorino, há já algum tempo que a empresa “diz que não há quase encomendas” e que “não está com os níveis de produção do passado”, mas os trabalhadores suspeitam de que se trate de uma estratégia “propositada para fazer uma limpeza” no quadro de pessoal.

Já o grupo Efacec explica estar a ajustar a sua produção apenas na área dos transformadores de potência, alegando uma quebra de 45% nas encomendas na unidade nos últimos anos, estando por isso “em diálogo com 49 colaboradores para encontrar soluções alternativas”.

Estas, “de acordo com o perfil e interesse de cada um, poderão passar por soluções de mobilidade interna para outra área da Efacec Energia, para outras empresas/unidades de negócio do grupo e por um programa de rescisão por mútuo acordo para as situações em que a mobilidade interna não se afigure possível ou não exista interesse por parte do colaborador”.

A empresa garante ainda que o processo tem decorrido com “toda a normalidade” e acrescenta que está “confiante” de que é possível, através do diálogo, “chegar a um entendimento generalizado”.

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