CTT abre porta à saída de 300 pessoas

Reestruturação da empresa surge depois de uma quebra de 35,9% dos lucros até setembro, para 31,2 milhões de euros

Os CTT abriram um processo de rescisão por mútuo acordo e de reformas antecipadas que poderá levar à saída de até 300 pessoas, noticiou a Sábado e confirmou o Dinheiro Vivo junto de fonte oficial do operador postal. Os trabalhadores abrangidos já começaram a ser contactados, mas empresa não adianta até quando quer ter este processo concluído.

A reestruturação surge depois de a empresa liderada por Francisco Lacerda ter registado até setembro uma quebra de 35,9% dos lucros, para 31,2 milhões de euros. A empresa também anunciou a decisão de cortar no dividendo pago aos acionistas, de 48 para 38 cêntimos.

A quebra de tráfico do correio, acima de 7% nos dois últimos trimestres, levou inclusive o operador postal a reduzir a suas estimativas para os próximos trimestres. "Estão já a ser trabalhadas medidas de reajuste da capacidade instalada às reais necessidades operacionais que permitam uma redução relevante de gastos a serem apresentadas até ao final do ano", avisou os CTT no último relatório e contas da empresa conhecido em outubro.

A primeira medida de reajuste agora conhecida passa pela redução de quadros. “Os CTT, seguindo uma política de respeito pelos seus trabalhadores e após algumas solicitações de reformas antecipadas, comunicaram às estruturas representativas dos trabalhadores que estão disponíveis para, em duas etapas distintas, acolher, até cerca de 300 rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas procurando garantir que essas situações se reflitam mais em áreas de maiores concentrações de trabalhadores e menos em zonas interiores do país", adiantou fonte oficial da empresa quando contactada pelo Dinheiro Vivo.

"Nos casos elegíveis, os CTT irão propor um pacote de benefícios que inclui o apoio à criação de empresas pelos trabalhadores que aceitarem a proposta de rescisão da empresa, bem como à sua formação profissional", refere ainda.

Os trabalhadores abrangidos por este processo já começaram a ser contactados, mas a companhia não adiantou até quando pretende ter este processo encerrado.

OS CTT também não revelam se esta reorganização irá igualmente passar pelo encerramento de balcões. A Sábado fala em 75 balcões, informação que foi negada pela companhia. "A resposta é perentória: não!", disse a empresa. "Os CTT tomarão sempre as decisões que tiverem que tomar em matéria de gestão, mas a primeiras pessoas a conhecê-las serão sempre os colaboradores e os acionistas não o saberão pela comunicação social."

Quando questionada pelo Dinheiro Vivo sobre esta matéria diz apenas. "Quanto à matéria respeitante aos balcões, os CTT nada têm a acrescentar à resposta publicada pela Sábado”.

Recentemente, noticiou o Eco, a empresa terá admitido uma conferência com analistas a possibilidade de passar a gestão de balcões para terceiros. “Quando questionado acerca do potencial encerramento de balcões e a abordagem dos reguladores nesse sentido, os CTT mencionaram que uma das formas de manter a rede poderia ser a passagem de balcões para uma terceira parte, embora nada tenha sido decidido nesse sentido”, escreveu o analista do Haitong, em nota de research citada pelo Eco.

No final de setembro, os CTT tinham 12 843, mais 69 (+0,5%) do que em 30 de setembro de 2016, dos quais 11 316 fazem parte dos quadros.

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