Serviço postal

CTT fecham o dobro das lojas que encerraram desde a privatização

Pedro Granadeiro / Global Imagens
Pedro Granadeiro / Global Imagens

CTT estão a pôr em marcha mais uma das medidas do plano de reestruturação: o fecho de 22 lojas. População protesta. Analistas aplaudem decisão

Em apenas três meses, os CTT preparam-se para fechar mais do dobro do número de lojas próprias que encerraram desde 2013, o ano da privatização – até março vão encerrar 22 lojas pelo país. Uma das medidas previstas no plano de reestruturação para dar a volta à companhia a sofrer com a aceleração da quebra do tráfego postal, mais de 70% do negócio.

População e autarquias protestam, mas os mercados olham com bons olhos para esta decisão. “Representa uma folga financeira essencial para a reestruturação dos CTT a longo prazo”, defende José Bebiano Correia, gestor da XTB. “A atenção dos investidores está na capacidade de o plano ser implementado e gerar o impacto pretendido em termos de evolução de EBITDA”, frisa Albino Oliveira, analista da Patris.

Cortar em três anos 800 trabalhadores, otimizar a rede, reduzir remunerações fixas e variáveis da administração, mas também na componente variável dos trabalhadores são algumas das medidas planeadas para obter a partir de 2020 um impacto positivo de 45 milhões no EBITDA.

“O contexto atual de mercado é de alguma desconfiança relativamente à evolução das operações dos CTT. Os investidores estão numa situação desconfortável, mas a redução agressiva de custos implementada está a possibilitar bons pontos de entrada compradores no ativo”, diz o gestor da XTB.
Com a reorganização da rede – que a comissão de trabalhadores acredita que não se ficará pelas duas dezenas de lojas -, os CTT pensam vir a ter gastos na ordem dos 15 milhões. É preciso recuar aos anos pré-privatização para encontrarmos um corte tão elevado na rede de lojas próprias: nos três anos anteriores à privatização desapareceram 261. Só de 2010 para 2011 fecharam 101. Globalmente, se recuarmos a 2008, o número de lojas próprias dos CTT caiu 48,12%, de 908 para 613. O número de carteiros também baixou nesse período: há oito anos, cerca de seis mil carteiros asseguravam as rondas de distribuição; no primeiro semestre de 2017 havia menos 1134, um corte de mais de seis centenas (634) desde 2012.

Quantos carteiros serão atingidos com este plano de reestruturação não se sabe, mas os CTT já avisaram que o maior corte será na área operacional. O plano chega numa altura em que os Correios estão a ser pressionados no cumprimento dos critérios de qualidade do serviço universal postal, para o qual têm concessão até 2020. A Anacom – que já obrigou à baixar os preços do serviço postal por falha de cumprimento de alguns dos parâmetros dos critérios de qualidade – está a analisar o contrato de concessão e já foi anunciado um grupo de trabalho para analisar o dossiê, no qual os CTT vão participar. O PCP e alguns dos sindicatos pedem mesmo a reversão da privatização – neste mês dá entrada no Parlamento uma petição com 6500 assinaturas – da empresa que tem a Gestmin de Manuel Champalimaud como maior acionista (11,26%) e 69,4% do capital disperso em bolsa.

“O primeiro-ministro já referiu que não é intenção do governo nacionalizar os CTT”, lembra Albino Oliveira, da Patris. “Improvável”, considera José Bebiano Correia. “Os atuais acionistas pretendem alcançar retorno sobre o investimento. Poderia representar um negócio ruinoso para os cofres do Estado”, diz o corretor da XTB. A operação representou um encaixe de mais de 900 milhões para o Estado.

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